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    Ex-sócio acusa CEO da Pixbet de 'dar cano' e pede fatia de império de apostas criado na Rocinha

    Um antigo sócio de Ernildo Júnior de Farias Santos, o dono da Pixbet, diz que levou um "cano" do empresário e pede prestação de contas e uma possível indenização pelo trabalho na construção da empresa de apostas que chegou a patrocinar o Flamengo e o Corinthians . Leia mais (10/08/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de outubro de 2026 às 15:00
    Ex-sócio acusa CEO da Pixbet de 'dar cano' e pede fatia de império de apostas criado na Rocinha
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    São Paulo Um antigo sócio de Ernildo Júnior de Farias Santos, o dono da Pixbet, diz que levou um "cano" do empresário e pede prestação de contas e uma possível indenização pelo trabalho na construção da empresa de apostas que chegou a patrocinar o Flamengo e o Corinthians .

    O atacante do Flamengo Bruno Henrique durante partida contra o Internacional no Campeonato Brasileiro de 2024 - Pilar Olivares/Reuters · Pilar Olivares/Reuters
    O atacante do Flamengo Bruno Henrique durante partida contra o Internacional no Campeonato Brasileiro de 2024 - Pilar Olivares/Reuters · Pilar Olivares/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O processo tramita na Justiça de Campina Grande (PB) desde 2023 e teve uma decisão contrária a Ernildo em 27 de agosto deste ano. No último ano, Ernildo apareceu na teia de negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro , teve participação nas eleições paraibanas e seu primo, também diretor da Pixbet, foi preso em operação da Polícia Federal.

    Ernildo tinha até o dia 26 de outubro para prestar contas dos ganhos que obteve com um software de apostas esportivas chamado "bolinha" e com a base de clientes de sua antiga empresa, a Futebol Fácil. O advogado Nelson Wilians contestou a determinação, mas conseguiu apenas mais prazo na segunda instância. Advogados não envolvidos dizem que esse tipo de trâmite leva anos até chegar a um desfecho.

    A Folha procurou o escritório Nelson Wilians Advogados, que representa a Pixbet, por telefone no dia 17, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.

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    A ação pode gerar reparações para o empresário paraibano Paulo César Silva, hoje morador do Rio de Janeiro, que abriu a Futebol Fácil em 19 de julho de 2016. Ele recorda que a trajetória de Ernildo nas apostas esportivas começou ainda antes disso, em Alagoa Grande (103 km de João Pessoa), com o software bolinha.

    Paulo César espera que a consultoria PayBrokers, contratada por Ernildo desde que os negócios estão online, elabore um relatório sobre como os ativos da antiga Futebol Fácil influenciaram os resultados de Pixbet, FlaBet, Betvip e Bet.Bet —esta última uma sociedade de Ernildo com o empresário musical Kleryston Pontes Silveira e uma empresa ligada a Daniel Vorcaro.

    Um projeto de captação de recursos da Futebol Fácil de 2016 anexado aos autos mostra que a marca existe informalmente ao menos desde outubro de 2010, operando na Paraíba e depois no Recife. Paulo César convenceu Ernildo a levar seu produto ao Rio de Janeiro .

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    As duas primeiras lojas da Futebol Fácil no Rio de Janeiro foram abertas na Favela da Rocinha em 2013, uma na travessa Gregória e outra na travessa Roma. Paulo Cézar e Ernildo chegaram a ser presos em flagrante em 2015 sob suspeita de jogo ilegal, mas a ação foi encerrada antes de haver julgamento.

    "Nossa tecnologia era melhor e o resultado saía na hora na internet, enquanto a concorrência copiava os prêmios das plataformas gringas como SportingBet e Bet365", recorda Paulo Cézar.

    Em território carioca, a demanda pelas apostas esportivas cresceu além da capacidade do software bolinha. A solução foi contratar uma plataforma terceirizada, a Sirplay, o que exigiu a formalização da Futebol Fácil em 2016.

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    No plano de negócios apresentado à Sirplay, os dois empresários fazem menção à necessidade de "autorização do poder paralelo e de bicheiros para atuar no território da Rocinha".

    O estatuto da empresa informa que metade das ações era de Ernildo, e o restante, de Paulo César. Os lucros e prejuízos seriam divididos igualmente.

    Com o novo sistema, em que já era possível fazer cadastro de nome e CPF, a Futebol Fácil registrou 100 mil apostadores até 2018 em um banco de dados unificado de todas as lojas.

    O cofundador da Futebol Fácil diz que Ernildo saiu do Rio de Janeiro na época em que houve o lançamento do Pix em 2021. "Havia uma proposta para integrar o Pix no nosso sistema, mas ficamos desconfiados sobre qual seria a origem do dinheiro."

    Paulo César diz que Ernildo levou o plano de integrar a plataforma de apostas aos pagamentos instantâneos sozinho. "Ele levou nossa tecnologia e nos deixou com todas as dívidas", afirma o empresário. A razão social da Futebol Fácil, contudo, nunca foi extinta.

    Quando decidiu procurar a Justiça em 2021, Paulo César contratou um perito que demonstrou que o antigo domínio da Futebol Fácil encaminhava os usuários para a simples.bet, outra marca de Ernildo. A perícia também encontrou o banco de dados de clientes da Futebol Fácil em bets de Ernildo, como a PixBet.

    A defesa de Ernildo alega que a sociedade se encerrou ainda em 2016. Argumenta ainda que o juízo de Campina Grande é incompetente para julgar o caso, uma vez que a empresa está registrada em João Pessoa .

    Nos autos, contudo, fotos mostram que a logomarca da Futebol Fácil era exibida à beira do gramado de partidas de futebol do Campeonato Brasileiro da Série B até 2023.

    A magistrada rejeitou as preliminares apresentadas pela defesa. Ernildo deverá pagar os custos do processo se o escritório de Nelson Wilians não conseguir reverter a decisão.

    Ernildo fundou a marca Pixbet em 2021. O prefeito de Alagoa Grande, Neto Carneiro ( Republicanos ), é um ex-diretor do site de apostas.

    Ernildo foi ativo ao longo da campanha eleitoral do primeiro turno, com declarações de apoio à candidatura ao senado de Nabor Wanderley (Republicanos), o pai do presidente da Câmara dos Deputados , Hugo Motta (Republicanos). Wanderley ficou em terceiro lugar na disputa , sendo superado por João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

    A divulgação das peças do caso Master, em 10 de setembro, revelou uma mensagem de um subordinado de Daniel Vorcaro afirmando que a Pixbet pertenceria ao dono do Master. Em nota enviada à Folha , a empresa negou qualquer vínculo com o ex-banqueiro.

    Ernildo, na verdade, foi sócio do dono de Vorcaro na casa de apostas Bet.Bet entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, mostram documentos do Ministério da Fazenda e da Junta Comercial do Estado de São Paulo. Também estavam o empresário Kleryston Pontes Silveira, conhecido por agenciar grandes nomes do forró e do piseiro, e o cantor Xand Avião.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/ex-socio-acusa-ceo-da-pixbet-de-dar-cano-e-pede-fatia-de-imperio-de-apostas-criado-na-rocinha.shtml.

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    O atacante do Flamengo Bruno Henrique durante partida contra o Internacional no Campeonato Brasileiro de 2024 - Pilar Olivares/Reuters · Pilar Olivares/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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