Ex-segurança relata assédio de Hytalo Santos: "Transitava de calcinha"
Hytalo Santos foi condenado por assédio moral e sexual contra dois ex-funcionários. Defesa do influencer vai recorrer da decisão

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 13ª Região condenou o influenciador digital Hytalo Santos a pagar R$ 60 mil em indenizações por assédio moral e sexual a dois ex-seguranças de sua equipe pessoal. Em juízo, os ex-funcionários alegaram que o influencer transitava de calcinha pela casa e relataram ter presenciado atos sexuais dele com o marido, Israel Vicente.
A Justiça reconheceu o assédio moral decorrente de condições degradantes de trabalho e, em um dos casos, assédio sexual cometido diretamente pelo influenciador. Além disso, o marido de Hytalo, Israel Vicente, e as empresas do influenciador também foram responsabilizados solidariamente pelo pagamento.
“Testemunha relatou também situações de assédio e exposição inadequada, mencionando que o reclamado Hytalo costumava ficar em trajes íntimos (“calcinha”) na frente dos funcionários e chegou a abraçá-lo de forma inconveniente enquanto estava alcoolizado, evidenciando o total desrespeito à dignidade e à integridade psíquica dos prestadores de serviço […] Por fim, alega situações vexatórias extremas, como ser constrangido a presenciar atos sexuais dos reclamados, sofrer fiscalização excessiva por câmeras em locais de troca de roupa e ter seu celular pessoal invadido pelo reclamado Hytalo para exclusão de prova”, detalha decisão. Os processos correm em sigilo na Justiça, no qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade. Conforme relatado nos autos, Hytalo Santos costumava transitar de calcinha na presença dos funcionários e, quando sob o efeito de álcool, dirigia-se à equipe com gritos, xingamentos e tentativas de abraços inconvenientes e invasivos.

No processo movido pelo ex-segurança Diego Galdino, que trabalhou para Hytalo entre fevereiro de 2023 e março de 2025 , a Corte fixou a indenização por danos morais em R$ 30 mil. No segundo processo, movido pelo segurança armado Elidinaldo Araújo, que trabalhou com o influenciador entre agosto de 2024 a março de 2025, o TRT também fixou a indenização em R$ 30 mil.
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Nos dois processos, os ex-funcionários de Hytalo relataram casos envolvendo assédio sexual . De acordo com os autos, uma testemunha ocular confirmou ter presenciado Hytalo Santos realizando “toques físicos indesejados” no corpo de Diego, como “passar a mão na nuca ou na perna” , enquanto o funcionário dirigia o veículo do influenciador.
“A prova mais eloquente do caráter indesejado e intimidatório da conduta do Reclamado (Hytalo) é, talvez, o relato da testemunha de que o Reclamante (Diego) pedia sua companhia para “não deixar ele só com o seu Hítalo”. Este fato demonstra o estado de angústia e constrangimento a que o autor era submetido, descaracterizando qualquer alegação de consentimento ou de um mero “ambiente descontraído”, diz trecho da decisão. O que diz a defesa Em ambos os processos, a defesa do influenciador e de suas empresas refutou integralmente as acusações. Ao Metrópoles , o advogado de Hytalo, Julio Camargos, defendeu que as sentenças são de primeiro grau, “por juízo singular, sem trânsito em julgado e integralmente sujeitas aos recursos e medidas cabíveis”.
A defesa alegou que existem decisões “em sentido diametralmente oposto, em que as idênticas pretensões foram julgadas integralmente improcedentes, o que demonstra que as alegações não se sustentam quando confrontadas com a prova efetivamente produzida sob o crivo do contraditório”.

A defesa de Hytalo também repudiou as imputações de assédio moral e sexual atribuídas a seus clientes, alegando que não correspondem à verdade dos fatos e que “serão desconstituídas nas instâncias recursais, especialmente porque amparadas em elementos colhidos em outros autos, sem a integralidade do contraditório quanto aos fatos específicos ali reconhecidos”.
“Por fim, embora existam diversas incorreções nas informações que vêm sendo veiculadas, esta defesa limita-se ao presente esclarecimento, uma vez que os autos tramitam sob segredo de justiça”, concluiu a defesa. Vínculo de emprego Além das indenizações por danos morais, a Justiça reconheceu formalmente a existência de vínculo de emprego direto e subordinado de ambos os profissionais com o influenciador. As escalas informais de trabalho de 24×72 horas foram declaradas nulas pela Justiça devido à ausência de acordo individual escrito ou norma coletiva autorizadora.
Hytalo Santos e suas empresas foram condenados de forma solidária a assinar as carteiras de trabalho dos ex-seguranças e a efetuar o pagamento retroativo de todas as verbas legais decorrentes da dispensa imotivada, incluindo:

Hytalo Santos e o marido foram presos em São Paulo no dia 15 de agosto do ano passado. Depois, foram transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa, onde estão detidos de forma preventiva desde o dia 28 do mesmo mês e ainda permanecem na prisão.
Além da condenação no âmbito da Justiça comum, há um processo em paralelo, na Justiça do Trabalho, onde Hytalo Santos e Israel Vicente são réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.





Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/assedio-hytalo-santos-calcinha.

Reprodução/Redes sociais. — Foto: Metrópoles
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