Ex-policiais são presos em operação contra venda de armas para o TCP no RJ
Entre os cinco presos, dois são ex-policiais que trabalharam no Detran-RJ; operação apreendeu fuzil, granada, armas, dinheiro e celulares no Rio

A Polícia Federal prendeu cinco pessoas nesta quarta-feira (7) durante a Operação Magen , que investiga um grupo suspeito de tráfico de armas, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas para o TCP (Terceiro Comando Puro) . Entre os presos estão dois ex-policiais que trabalharam no Detran-RJ. Duas pessoas ainda são consideradas foragidas .
Além dos dois ex-PMs, um ex-funcionário da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) foi preso em um hotel de luxo na Barra da Tijuca . Ele estava acompanhado de uma mulher e, segundo as investigações, portava um fuzil. Dinheiro, celulares, armas e uma granada também foram apreendidos nos endereços alvos das buscas.
O MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) não informou a identidade dos outros dois presos.

A operação é realizada pela PF e pelo MPRJ, com apoio da CSI/MPRJ (Coordenadoria de Segurança e Inteligência ). Ao todo, a ação busca cumprir sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Amazonas. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital.
O MPRJ denunciou dez pessoas por participação no esquema. A investigação financeira identificou mais de R$ 250 milhões em movimentações de pessoas físicas e cinco empresas ligadas ao grupo . A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores e o sequestro de três imóveis e 31 veículos.
Entre os presos e denunciados está Vitor Hugo Marinho Garcia, o Batata, ex-policial militar apontado como líder da organização e ex-funcionário do Detran-RJ.

Segundo a denúncia, ele teria fornecido armas e informações privilegiadas a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do TCP no Complexo de Israel. Em outubro de 2022, Batata teria transportado e vendido dez fuzis AR-15 para o traficante. Vitor Hugo teria movimentado cerca de R$ 31,9 milhões entre 2019 e 2023.
Outro ex-PM denunciado, José Carlos Ribeiro de Campos, o Ferrugem, é acusado de fornecer dois fuzis Colt M4 e quatro carregadores para integrantes do grupo . Já o policial militar Johan Borja Portela teria colocado à venda um revólver calibre .38, nove pistolas Glock 9 mm e 22 carregadores.
As investigações também apontam o uso de empresas e contas bancárias para ocultar a origem do dinheiro. As cinco empresas relacionadas ao esquema movimentaram aproximadamente R$ 173,7 milhões em créditos e débitos . Segundo o MPRJ, os negócios atuavam nos setores de alimentação, comércio de materiais e construção e reforma.

Já Marcel Rodrigues Fernandes, ex-PM que atuou como assessor parlamentar na Alerj até outubro de 2025, movimentou aproximadamente R$ 33,2 milhões no mesmo período. Ele também trabalhava no Detran-RJ e está entre os presos na operação desta quarta.
Outro denunciado é Eduardo Thales Lopes Pires, também ex-PM e ex-ocupante de cargo comissionado na Alerj, e que teria movimentado cerca de R$ 33,4 milhões.
A denúncia aponta ainda que policiais e ex-policiais utilizavam sistemas restritos das forças de segurança para obter dados sobre veículos, endereços, localização de pessoas e mandados de prisão. As informações seriam repassadas aos integrantes do grupo para antecipar-se às ações policiais e, em alguns casos, viabilizar extorsões.

O policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, conhecido como Alemão, é acusado de consultar o Portal de Segurança do Estado e repassar informações a integrantes da organização . Em um dos episódios, ele teria informado a localização de um procurado da Justiça e a existência de um mandado de prisão para que o grupo chegasse ao alvo antes da polícia.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados.
O Detran-RJ informou que Vitor Hugo Marinho Garcia e Marcel Rodrigues Fernandes foram exonerados em 15 de maio de 2026, no início da gestão do presidente do órgão, coronel Carlos Eduardo Sarmento.

Além dos sete mandados de prisão, o MPRJ requereu medidas cautelares contra outros investigados , incluindo a retenção de passaportes. As autoridades também solicitaram à Polícia Federal a inclusão dos mandados no sistema da Interpol diante do risco de fuga para o exterior.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/ex-policiais-sao-presos-em-operacao-contra-venda-de-armas-para-o-tcp-no-rj/.

Agentes da Polícia Federal durante a Operação Magen, que prendeu cinco pessoas suspeitas de integrar um esquema de fornecimento ilegal de armas no Rio. • Reprodução · • Reprodução — Foto: CNN Brasil
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