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    Ex-ministro demitido por Zelenski critica governo e pede eleições

    Um dos mais populares políticos da Ucrânia , Mikhailo Fedorov, pediu nesta terça-feira (18) que o país realize imediatamente eleições para "restaurar o processo democrático". Acusou a gestão liderada por Volodimir Zelenski de corrupção em tempos de guerra e de "crise sistêmica de governança". Leia mais (08/18/2026 - 17h22)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 20:22
    Ex-ministro demitido por Zelenski critica governo e pede eleições
    Centenas de pessoas reunidas em protesto na Praça da Independência, em Kiev, segurando cartazes de papelão. Ao fundo, a Coluna da Independência com estátua dourada e a bandeira da Ucrânia hasteada. Edifícios históricos e céu claro ao entard — Foto: Folha de S.Paulo

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    Um dos mais populares políticos da Ucrânia , Mikhailo Fedorov, pediu nesta terça-feira (18) que o país realize imediatamente eleições para "restaurar o processo democrático". Acusou a gestão liderada por Volodimir Zelenski de corrupção em tempos de guerra e de "crise sistêmica de governança".

    Manifestantes pedem a volta de Fedorov à pasta da defesa em ato no centro de Kiev, no domingo (16) - Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP · Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP
    Manifestantes pedem a volta de Fedorov à pasta da defesa em ato no centro de Kiev, no domingo (16) - Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP · Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fedorov havia sido demitido pelo presidente ucraniano em 16 de julho, tendo desencadeado uma onda de protestos que derrubou um de seus rivais dentro do governo, o então chefe das Forças Armadas Oleksandr Sirskii.

    Os manifestantes não se deram por satisfeitos e continuaram nas ruas, exigindo a volta do jovem e enérgico Fedorov, de 35 anos.

    Ficou evidente que o problema dele ia além de enfrentar militares da velha guarda por defender o uso intensivo de novas tecnologias e aprimorar processos de compras: o então ministro havia entrado em conflito Zelenski, ameaçando roubar-lhe protagonismo.

    Veja envelhecimento de Zelenski ao longo da guerra na Ucrânia
    Veja envelhecimento de Zelenski ao longo da guerra na Ucrânia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A democracia não pode continuar refém da Rússia. Nós temos de encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita a Ucrânia e renovar seu processo democrático pleno", disse, sem citar nomes de rivais. "O sistema antigo costuma viver por suas próprias regras. Ele se protege e tem medo de mudança."

    Com isso, Fedorov pode criar um dos maiores problemas políticos para o líder se seu pedido por um pleito presidencial virar a pauta dos manifestantes.

    O mandato de Zelenski terminou em 2024, mas a legislação não permite eleições com a vigência da lei marcial decorrente da guerra de Vladimir Putin . O presidente russo nunca perde uma oportunidade de questionar a legitimidade do rival devido à situação.

    Ucrânia ataca sistema energético da Rússia
    Ucrânia ataca sistema energético da Rússia — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No ano passado, o próprio presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , chamou o ucraniano de "ditador sem eleições" quando o azedume entre ambos estava no zênite. Agora, a situação está mais calma. Ainda assim, o americano repassou a conta da ajuda militar a Kiev para os europeus e se recusa a fornecer mísseis antiaéreos.

    Há um padrão na crise. Em 2024, Zelenski provocou insatisfação ao substituir o general Valeri Zalujni , outro popular militar que antecedeu Sirskii na cúpula fardada do país. Ele o despachou para ser embaixador em Londres , mas a possibilidade de uma candidatura de Zalujni ainda ronda Kiev.

    Com Fedorov, a situação pode ser ainda pior. Zalujni fez críticas públicas à condução da guerra, mas negou diversos relatos de que havia defendido de forma reservada a realização de eleições. Disse que elas são inviáveis com 20% do país ocupado e violência grassando.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A questão da corrupção é endêmica na história ucraniana recente, tanto sob os governos pró- Moscou quanto nos pró- Europa . O conflito trouxe negociatas à nota, de contratos superfaturados envolvendo políticos próximos de Zelenski à venda de isenção do serviço militar.

    Zelenski, a exemplo de Putin, estimula rivalidades entre seus subordinados. A necessidade de apoio popular de base o faz sensível a protestos. No ano passado, ele desistiu de uma lei que tirava poderes de órgãos investigativos quando foi alvo de grandes atos de rua.

    Agora, contudo, ele insistiu em escantear Fedorov. O vídeo no qual o ex-ministro faz suas críticas foi divulgado horas após a Rada (Parlamento) receber o pedido para confirmação do interino Ievhenii Khmara como chefe da Defesa.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "É necessário garantir o direito de voto aos militares. Milhões de ucranianos no exterior. Pessoas em regiões de linha de frente. É necessário garantir a segurança do processo eleitoral, a independência das instituições e a confiança no resultado", disse. Como fazer isso nas condições já citadas por Zalujni é incerto.

    A crise atinge Zelenski em um momento delicado. Com o desvio das atenções de Trump para sua própria guerra no Irã, os esforços diplomáticos para solucionar o conflito europeu travaram desde o fim de fevereiro.

    Com isso, ambos os lados recrudesceram as ações, com destaque para a campanha multifacetada que havia sido incentivada por Fedorov para levar a guerra à população russa de forma mais cotidiana.

    De maio para cá, o sistema energético e logístico do país rival virou alvo diário. Refinarias e centros da rede de comércio online Wildberries foram especialmente atingidos, e segundo o jornal Izvestia publicou nesta terça, a quantidade de postos de combustível pelo país com gasolina e diesel caiu de 41% para 28%.

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    A aprovação de Putin e da guerra caíram, embora ainda estejam em nível alto . E a violência geral do conflito, em especial no impacto sobre os civis, disparou: em janeiro morriam 7,1 não combatentes por dia, número que subiu para 21,8 em julho, o maior nível desde março de 2022. A maioria dos mortos é ucraniana.

    Nesta mesma terça , ataques russos mataram dez pessoas no norte do vizinho e destruíram uma usina termelétrica. Já Kiev alvejou Moscou com uma das maiores ações da guerra, com mais de 600 drones, mas com menos danos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ex-ministro-demitido-por-zelenski-critica-governo-e-pede-eleicoes.shtml.

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    Manifestantes pedem a volta de Fedorov à pasta da defesa em ato no centro de Kiev, no domingo (16) - Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP · Serhii Okunev - 16.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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