Ex-grão-mufti aliado de Assad é condenado à prisão perpétua na Síria
Reprodução Um tribunal de Damasco condenou à prisão perpétua o ex-grão-mufti da Síria Ahmad Badreddine Hassoun, uma das principais autoridades religiosas que apoiaram o governo de Bashar Assad. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira e, segundo a Associated Press, está relacionada a acusações de incitação à violência e justificativa de assassinatos.Hassoun ocupou o cargo de grão-mufti, a mais alta autoridade religiosa islâmica oficial do país, entre 2005 e 2021. A função foi posteriormente extinta durante o governo Assad.Durante o julgamento, o juiz Fakhreddine al-Aryan afirmou que a insti

Ahmad Badreddine Hassoun foi considerado culpado por incitação à violência e por justificar assassinatos
Um tribunal de Damasco condenou à prisão perpétua o ex-grão-mufti da Síria Ahmad Badreddine Hassoun, uma das principais autoridades religiosas que apoiaram o governo de Bashar Assad. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira e, segundo a Associated Press, está relacionada a acusações de incitação à violência e justificativa de assassinatos.
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Hassoun ocupou o cargo de grão-mufti, a mais alta autoridade religiosa islâmica oficial do país, entre 2005 e 2021. A função foi posteriormente extinta durante o governo Assad.
Durante o julgamento, o juiz Fakhreddine al-Aryan afirmou que a instituição religiosa oficial do país havia dado respaldo a práticas adotadas pelo governo durante a guerra civil. Segundo o magistrado, a entidade teria justificado o uso de bombas de barril contra áreas civis, armas associadas a ataques de grande poder destrutivo e que provocaram extensos danos em regiões povoadas.
Hassoun estava detido e acompanhou o processo no tribunal. Durante os anos em que esteve à frente do cargo religioso, ele manteve uma postura de apoio a Assad e defendeu publicamente políticas adotadas pelo antigo governo sírio.

Queda de Assad abre caminho para julgamentos
A condenação ocorre após a queda de Bashar Assad, em dezembro de 2024, quando uma ofensiva de insurgentes liderados por grupos islamistas avançou rapidamente pelo território sírio e derrubou o governo.
Desde então, autoridades ligadas ao antigo regime passaram a responder judicialmente por crimes cometidos durante os anos de conflito. Entre os condenados à morte estão o próprio Bashar Assad e seu irmão Maher Assad, embora muitos dos julgamentos tenham ocorrido à revelia.

A condução dos processos, porém, provoca controvérsia. Organizações de direitos humanos alertam para a rapidez de alguns julgamentos e levantam preocupações sobre o direito de defesa e a possibilidade de que determinados processos não atendam aos padrões de um julgamento justo.
Ao mesmo tempo, as condenações têm sido recebidas de maneira positiva por muitos sírios, especialmente por vítimas e familiares de pessoas afetadas pela repressão durante o governo Assad.
A guerra civil síria começou em 2011, após protestos contra o governo de Bashar Assad. O conflito se transformou em uma das crises humanitárias mais graves do século, provocando cerca de 500 mil mortes e o deslocamento de mais da metade dos aproximadamente 23 milhões de habitantes que o país tinha antes da guerra.

A queda de Assad, em dezembro de 2024, encerrou quase 14 anos de guerra, mas deixou o país diante do desafio de responsabilizar integrantes do antigo regime sem repetir abusos e garantir processos judiciais considerados legítimos.





Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/mundo/ex-grao-mufti-aliado-de-assad-e-condenado-a-prisao-perpetua-na-siria-931239.

Reprodução — Foto: Gazeta de Alagoas
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