Ex-funcionárias são processadas na Argentina por fentanil contaminado ligado a 90 mortes
Um juiz argentino acusou formalmente na terça-feira (1º) duas ex-funcionárias de órgãos responsáveis pelo controle de medicamentos por sua suposta participação no caso do fentanil clínico contaminado que circulou em hospitais em 2025 e foi relacionado a pelo menos 90 mortes. Leia mais (09/02/2026 - 21h20)

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Um juiz argentino acusou formalmente na terça-feira (1º) duas ex-funcionárias de órgãos responsáveis pelo controle de medicamentos por sua suposta participação no caso do fentanil clínico contaminado que circulou em hospitais em 2025 e foi relacionado a pelo menos 90 mortes.

A tragédia sanitária é considerada pela imprensa argentina como a mais importante dos últimos 100 anos, superada apenas pela pandemia de Covid.
O caso veio à tona em maio do ano passado, quando um hospital em La Plata, a 50 km ao sul de Buenos Aires , detectou as mesmas bactérias em ampolas de fentanil e em pacientes infectados.
As processadas são Nélida Bisio, que dirigia a Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat) durante a crise, e Gabriela Mantecón Fumadó, ex-chefe do instituto de medicamentos vinculado à Anmat.

Ambas foram apontadas como "partícipes necessárias" na adulteração do fentanil, segundo uma decisão do juiz federal Ernesto Kreplak.
O magistrado considerou que as ex-funcionárias, de 71 e 56 anos, respectivamente, tinham conhecimento das "irregularidades significativas" da HLB Pharma e dos Laboratorios Ramallo, responsáveis pela fabricação e comercialização do medicamento.
"No entanto, decidiram não adotar as medidas que, de acordo com os regulamentos, eram obrigadas a tomar. Foi assim que o fentanil adulterado foi comercializado", afirmou Kreplak na decisão obtida pela AFP.

Treze empresários e responsáveis pelas duas empresas já foram processados no caso. Com a decisão, a investigação avança pela primeira vez sobre ex-autoridades encarregadas da "vigilância e controle" de produtos medicinais, afirma a decisão.
Kreplak determinou ainda o bloqueio de bens no valor de 500 bilhões de pesos para cada uma (R$ 1,7 bilhão) e ordenou que continuem em liberdade enquanto o processo avança.
Mantecón Fumadó deixou o cargo em meio à crise do fentanil, em agosto de 2025; Bisio permaneceu no posto até janeiro de 2026.
O opioide é entre 50 e 100 vezes mais potente que a morfina, segundo dados da Organização Mundial da Saúde .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/ex-funcionarias-sao-processadas-na-argentina-por-fentanil-contaminado-ligado-a-90-mortes.shtml.

Pai de vítima de contaminação por fentanil caminha em direção ao Hospital Italiano em La Plata, na Argentina, em protesto pelas mortes - Nacho Amiconi - 31.jul.2025/AFP · Nacho Amiconi - 31.jul.2025/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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