Ex-engenheiro da Meta diz que avisou liderança sobre vício em jovens
Antigo funcionário da companhia disse que Zuckerberg estava envolvido em grandes tomadas de decisão

Um ex-diretor de engenharia da Meta Platforms testemunhou nesta quarta-feira (19) que o CEO Mark Zuckerberg foi responsável por ser omisso e se eximir da responsabilidade de proteger as crianças que usam suas plataformas, Facebook e Instagram.
Arturo Bejar, que trabalhou na empresa entre 2009 e 2021 e se tornou um dos grandes críticos da Meta , disse que o dono da big tech estava profundamente envolvido em muitas tomadas de decisão e que a hierarquia da empresa garantia que as mudanças no design dos produtos ocorressem apenas se ele as encomendasse.
“Se o Mark torna algo uma prioridade, montanhas se movem em meses”, disse Bejar.

O engenheiro é a primeira testemunha em um julgamento histórico sobre acusações de estados americanos que acusam a empresa de projetar suas plataformas para viciar jovens usuários e de coletar ilegalmente dados de crianças menores de 13 anos.
Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey acusam a Meta de projetar o Facebook e o Instagram para viciar jovens usuários, alimentando ansiedade, depressão e até suicídio, além de enganar os consumidores sobre a segurança das plataformas.
Esses estados e outros 25 também acusam a big tech de violar a lei federal americana ao coletar e utilizar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas usavam suas plataformas.

A Meta negou as acusações e argumentou que as opiniões de Bejar estavam fora do escopo de seu trabalho. Ele começou a testemunhar no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, na terça-feira, quando o julgamento teve início.
Espera-se que todo o processo dure seis semanas e que Zuckerberg preste depoimento.
Bejar ajudou a conduzir pesquisas sobre as experiências de adolescentes como parte de uma equipe que examinava o bem-estar no Instagram entre 2019 e 2021.

Ele tem sido bastante enfático em criticar o histórico de segurança da Meta para crianças, e testemunhou perante uma comissão do Senado dos EUA em 2023, afirmando que a Meta estava ciente do assédio e de outros danos enfrentados por adolescentes em suas plataformas, mas não os combateu.
No depoimento desta quarta-feira, Bejar disse que a Meta usava métricas como interações sociais significativas e usuários ativos diários para recompensar funcionários, priorizando o engajamento dos usuários — e o lucro — em detrimento da segurança.
Ele também afirmou que uma ferramenta usada pela Meta que incentiva os usuários a fazerem uma pausa, um recurso fundamental citado pela Meta em sua defesa, foi “projetada para falhar”, porque não é a configuração padrão e os lembretes são fáceis de ignorar.

“Caminhos de todos os lados levam ao tempo de permanência no produto”, disse ele. “Nesse contexto, a segurança sempre foi pensada em segundo plano.”
Bejar disse ainda que a Meta tinha tecnologia para sinalizar e exigir verificação de usuários suspeitos de terem menos de 13 anos, potencialmente na casa dos milhões, mas fechou os olhos para o problema por meio de uma política de “não pergunte, não conte”, porque era financeiramente lucrativo a longo prazo.
“Onde as crianças mais novas estão é onde os usuários estarão no futuro”, afirmou.

Especialistas dizem que o julgamento é o maior teste jurídico até hoje sobre os efeitos das redes sociais em jovens usuários.
A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes por supostos danos causados a crianças. Bejar tem sido uma testemunha-chave contra a empresa em três dos casos que já foram a julgamento até agora. Um desses casos, movido pelo Novo México, resultou em US$ 942 milhões em indenizações e penalidades, além de uma ordem exigindo que a Meta altere suas plataformas no estado.
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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/tecnologia/ex-engenheiro-da-meta-diz-que-avisou-lideranca-sobre-vicio-em-jovens/.

Logo da Meta na Califórnia, EUA • 9/11/2022 REUTERS/Peter DaSilva/Arquivo · • 9/11/2022 REUTERS/Peter DaSilva/Arquivo — Foto: CNN Brasil
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