Ex-dono da Reag reuniu filhos para contar sobre delação e disse que tentaria preservá-los
No mês passado, João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag, pediu que a família voltasse antes do planejado de uma curta viagem. O empresário os comunicou de que havia fechado acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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No mês passado, João Carlos Mansur , ex-dono da gestora de fundos Reag , pediu que a família voltasse antes do planejado de uma curta viagem. O empresário a comunicou de que havia fechado acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Em relatos a amigos, familiares afirmaram que a maior preocupação de Mansur era contar aos três filhos o que estava para acontecer. Disse que, a partir daquele momento, as coisas mudariam na vida deles. Também informou ter tomado providências para preservá-los das consequências da delação.

Segundo advogados ouvidos pela coluna, as providências possíveis na esfera econômica são a preservação de bens lícitos, não vinculados aos crimes apurados, e o resguardo de fontes de renda que decorram de atividades legais. No lado jurídico, é a não responsabilização de familiares que não têm envolvimento direto ou que não sejam alvo de investigação.
A colaboração de Mansur, que não teve a participação da Polícia Federal , foi enviada ao gabinete do ministro André Mendonça , do STF (Supremo Tribunal Federal) . Ele irá analisar se homologa ou não o acordo. Procurada, a defesa do empresário ainda não se pronunciou.
Para a homologação, é preciso que a pessoa admita crimes e apresente provas que corroborem a narrativa apresentada aos investigadores.

Em janeiro, Mansur foi um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, que apurou a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do banco Master .
Logo depois da ação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por "comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]".
Ainda em 2024, fundos da Reag foram usados para aumento de capital do BRB (Banco de Brasília) . As operações foram consideradas suspeitas pela PF. A Reag também é citada na operação Carbono Oculto por suspeita de lavagem de dinheiro e ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal
Em diversas ocasiões anteriores, Mansur negou que houvesse irregularidades no funcionamento da Reag e, em depoimento para a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado, ele disse que a empresa tinha um compliance forte e foi penalizada por ser "grande e independente".
Na época, a gestora disse que diversos fundos de investimentos mencionados na operação nunca estiveram sob sua administração ou gestão.
"Quanto aos fundos de investimento apurados em que a empresa atuou como prestadora de serviço, informa que agiu de forma regular e diligente. Cumpre registrar que tais fundos foram, há meses, objeto de renúncia ou liquidação. Reforça, ainda, que não possui nem nunca possuiu qualquer envolvimento com as atividades econômicas ou empresariais conduzidas por esses clientes", disse.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/09/ex-dono-da-reag-reuniu-filhos-para-contar-sobre-delacao-e-disse-que-tentaria-preserva-los.shtml.

João Carlos Mansur em depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado - Gabriela Biló-11.mar.26/Folhapress · Gabriela Biló-11.mar.26/Folhapress — Foto: UOL
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