Política

    Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação premiada

    Segundo “Uol”, proposta de João Carlos Mansur inclui 17 anexos e se concentra em Daniel Vorcaro; acordo ainda não foi formalmente assinado

    Poder360
    26 de agosto de 2026 às 13:15
    Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação premiada
    Foto: Poder360

    Segundo “Uol”, proposta de João Carlos Mansur inclui 17 anexos e se concentra em Daniel Vorcaro; acordo ainda não foi formalmente assinado

    João Carlos Mansur , ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos , entregou uma proposta de delação premiada à Procuradoria Geral da República . O acordo ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal , relator do caso, a quem caberá analisar eventual homologação.

    Segundo a repórter Natália Portinari, do Uol , o foco da proposta é Daniel Vorcaro, do Banco Master . Integram o documento 17 anexos com detalhes das suspeitas dos crimes financeiros.

    O ex-presidente da Reag, João Carlos Mansur, fala à CPI do Crime Organizado sobre ligações com Master e PCC
    O ex-presidente da Reag, João Carlos Mansur, fala à CPI do Crime Organizado sobre ligações com Master e PCC — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    Mansur havia tentado anteriormente fazer uma delação em conjunto com Vorcaro, quando ambos eram clientes do advogado José Luís Oliveira Lima. A PGR e a Polícia Federal, na época, consideraram as informações prestadas por Vorcaro insuficientes. A defesa de Mansur foi posteriormente assumida pelo criminalista Aloísio Medeiros.

    De acordo com o Uol , Mansur afirma na delação que a Reag prestava serviços para o Master desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco. Ele também relata que a Reag teria sido usada para desviar dinheiro do Master, com o uso de laranjas e estruturas offshores.

    O ex-dono da Reag disse ainda que negociava diretamente com Vorcaro, que, segundo ele, tinha conhecimento dos desvios e os operava.

    Mansur foi alvo de buscas na operação Carbono Oculto , que apura fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis com participação do PCC.

    A Reag também aparece em apurações sobre o Banco Master. Segundo o Banco Central, fundos da Reag Trust estruturaram operações irregulares com o banco de julho de 2023 a julho de 2024.

    Mansur também foi alvo da operação Compliance Zero , da PF, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos e suspeitas de desvio de recursos ligados a Vorcaro.

    Ainda de acordo com o Uol , Mansur identificou pessoas que, segundo ele, atuavam como laranjas e cotistas de fundos ligados a Vorcaro. Um dos casos envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman, para onde o Master enviou R$ 494 milhões.

    Formalmente, o beneficiário deste fundo é Benjamim Botelho, ex-dono da gestora Sefer, também alvo da Compliance Zero. Segundo Mansur, no entanto, o verdadeiro dono do Jaguar é Vorcaro.

    O Poder360 procurou a defesa de Mansur por e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da proposta de delação. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

    Na delação de Mansur, há menção ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Augusto Lima, ex-sócio do Master, teria pedido a Mansur, em 2023, que comprasse ingressos para o show da Taylor Swift, que custariam R$ 63.300. Os ingressos seriam para o senador.

    Procurado pela reportagem do Uol , Wagner disse que a compra foi “um pedido pessoal a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos” . Ele acrescentou que não conhece Mansur nem tem relação com a Reag.

    Outro político citado é o candidato a governador da Bahia, ACM Neto (União Brasil), titular das cotas do fundo de investimento Seattle 95, administrado pela Reag até 2025.

    Procurado pelo Uol , ACM Neto disse que o fundo foi “criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita” .

    Ele acrescentou que, “para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país”

    Neto argumenta também que “a rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade do mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade” .

    O candidato a governador aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em 10 depósitos e chegou a R$ 11,94 milhões em outubro de 2025.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/ex-dono-da-reag-entrega-a-pgr-proposta-de-delacao-premiada/.

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    O ex-presidente da Reag, João Carlos Mansur, fala à CPI do Crime Organizado sobre ligações com Master e PCC — Foto: Poder360

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