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    Ex-delegado da Lava Jato é investigado na Farra do INSS e nega blindagem

    Maurício Moscardi passou a ser investigado depois de comprar imóvel que era do Careca do INSS. Ele defende ex-procurador-chefe do INSS

    Metrópoles
    15 de setembro de 2026 às 05:00
    Ex-delegado da Lava Jato é investigado na Farra do INSS e nega blindagem
    Foto: Metrópoles

    O relatório de inteligência apócrifo usado por Alexandre de Moraes contra André Mendonça critica uma suposta blindagem, no inquérito sobre a Farra do INSS, ao ex-delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo, que liderava as investigações da Lava Jato no Paraná e deu a polêmica entrevista dizendo que a PF havia “perdido o timing” para prender o então ex-presidente Lula (PT).

    Ele deixou a corporação em 2024 para atuar no mercado privado de advocacia e hoje atua na defesa do ex-procurador-chefe do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, solto na semana passada por decisão de André Mendonça.

    À coluna, Moscardi refutou a acusação, reclamou de ter sido exposto por um relatório de inteligência divulgado de forma irregular e disse que a Polícia Federal pediu o bloqueio de R$ 400 mil dele, o que teria sido rejeitado pelo relator, ministro André Mendonça .

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    Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O advogado teria passado à condição de investigado depois de comprar uma laje comercial em Curitiba (PR) que antes havia pertencido a Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS .

    “Eu comprei um imóvel da incorporadora, a BF 01. Eu fiz questão de saber que não estava mais no nome dele (do Careca). Foi uma exigência minha, isso tudo está nos autos, muito bem explicados. Desde o ano passado, não teve nenhum tipo de autuação, não sei se sigo como investigado. Me coloquei de prontidão para ser ouvido e ainda nem fui chamado para poder prestar algum depoimento”, relata o ex-delegado.

    O imóvel, de acordo com Moscardi, foi inicialmente comprado pelo Careca junto à incorporadora. O negócio foi desfeito, já em meio às investigações da fraude no INSS, e o advogado (que já atuava na defesa do ex-procurador-chefe do INSS) o adquiriu, também junto à incorporadora, com desconto de R$ 400 mil, uma vez que a vendedora já havia sido bonificada na primeira venda. Por conta desse desconto, a PF teria pedido o bloqueio de R$ 400 mil em bens dele.

    Ex-delegado da Lava Jato é investigado na Farra do INSS e nega blindagem
    Ex-delegado da Lava Jato é investigado na Farra do INSS e nega blindagem — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A compra foi realizada, salvo engano, em agosto ou setembro de 2024. Fiz o Pix da minha conta para a conta da incorporadora. Meu risco foi ser o máximo transparente. Deixei exposto meu nome”, diz Moscardi, que afirma ter comprado o imóvel junto dos sócios, que futuramente vão levar o escritório de advocacia para lá.

    Moscardi foi citado no relatório apócrifo da própria PF em trecho que discute a inconsistência na graduação das medidas tomadas contra a lobista Roberta Luchsinger , a amiga do Lulinha. O ex-delegado é citado como alguém a quem são atribuídas condutas semelhantes, mas que não sofre as mesmas consequências.

    “A peça (a petição 15.041/DF) afirma que ele ‘não apenas intermediou, mas atuou de forma consciente e funcional na lavagem de capitais ’, que ‘ tinha plena ciência da origem criminosa do bem e da natureza ilícita dos recursos ’ e que sua conduta configura ‘ participação consciente e voluntária no processo de lavagem de capitais’ ”, aponta o relatório.

    E que, mesmo assim, optou-se por “não representar por medidas cautelares pessoais em seu desfavor”, sem que se apresentasse elemento distintivo que justifique a exceção.

    Também são citados, no item “inconsistências na aplicação do critério”, os casos de Leonardo Soares Araújo, que recebeu R$ 4,7 milhões do Careca do INSS, e de Cléber Ribas de Oliveira.

    O relatório traz como recomendação uniformizar a aplicação de critério sobre simulação contratual e ciência da origem de pagamento: “ou requerer medida quanto a Maurício Moscardi, Leonardo Soares e Cleber Ribas, ou consignar expressamente o fundamento distintivo que os afasta”.

    Maurício Moscardi Grillo foi o delegado que coordenou a operação pela parte da Polícia Federal no Paraná. Ele chegou a ser punido administrativamente pela instalação de uma escuta ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef .

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/demetrio-vecchioli/ex-delegado-da-lava-jato-e-investigado-na-farra-do-inss-e-nega-blindagem.

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