Ex-curador de prêmio ganha processo em que acusa Sesc de perseguição e assédio
O curador Henrique Rodrigues, que esteve à frente do Prêmio Sesc de Literatura até sua demissão em 2024, ganhou o processo judicial que moveu contra o Sesc , acusando seus antigos chefes de praticarem assédio moral e perseguição contra ele. Leia mais (09/04/2026 - 13h16)

Coluna assinada por Walter Porto, editor de Livros
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O curador Henrique Rodrigues, que esteve à frente do Prêmio Sesc de Literatura até sua demissão em 2024, ganhou o processo judicial que moveu contra o Sesc , acusando seus antigos chefes de praticarem assédio moral e perseguição contra ele.
O estopim foi um caso rumoroso na Flip de novembro de 2023, quando o escritor paraense Airton Souza leu trechos de seu romance vencedor do prêmio Sesc, "Outono de Carne Estranha" , com trechos de carga erótica descrevendo relações homossexuais.
Rodrigues afirma que diretores do Sesc presentes no evento ficaram desconfortáveis com a apresentação —no depoimento à Justiça, ele aponta que sua superiora disse que ele deveria ter tirado o microfone de Souza em Paraty . Depois, ele diz ter sofrido perseguição no ambiente de trabalho, de modo que o deixou "psicologicamente abalado". Foi demitido pelo Sesc em janeiro de 2024, dois meses após a leitura.

O advogado do curador, Thiago Gomes, afirma que as atitudes do Sesc, "no burburinho das conversas de trabalho", configuraram assédio moral, um entendimento que foi acatado pela decisão judicial.
Na sentença obtida em primeira mão pela Folha , o juiz do trabalho Celio Bittencourt diz ter ficado convencido de que Rodrigues "de fato sofreu perseguição em decorrência dos fatos ocorridos no Prêmio Sesc de Literatura" e deu ganho de causa ao curador, estabelecendo o pagamento de seis salários como indenização por danos morais. Ainda cabe recurso.
A conduta dos superiores de Rodrigues no Sesc, diz a sentença, "de imputar a [ele] a responsabilidade por conduta de terceiro, por razões ideológicas, com viés de censura pelo conteúdo de obra literária, caracteriza assédio moral, revela idoneidade para causar constrangimento e humilhação".

Procurado, o Sesc diz que "lamenta o episódio e reafirma seu respeito à liberdade de expressão". A instituição sublinha que a Justiça não acolheu alegações de cerceamento à liberdade de expressão e dispensa discriminatória. "O Jurídico do Sesc encontra-se atuando no processo e avaliará, na oportunidade, os recursos cabíveis."
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A editora Record, que tinha um acordo para publicar os vencedores do prêmio, rompeu com a instituição após o episódio —hoje, os ganhadores são publicados pela Senac Rio.
O editor Rodrigo Lacerda, responsável pelas obras na Record à época, testemunhou a favor de Rodrigues no processo. No depoimento, afirmou que a diretoria do Sesc reagiu como se a leitura de Souza fosse "atentado ao pudor" e disse ter ouvido uma superiora de Rodrigues afirmar que o curador e o escritor deveriam ter sido presos.
O prêmio Sesc se notabilizou por revelar novos autores à cena nacional. Os dois vencedores do troféu daquele ano, Souza e Bethânia Pires Amaro , seguem tendo seus projetos editados pela Record.
Depois da demissão, Rodrigues inaugurou e dirige o novo Prêmio Caminhos de Literatura , que prioriza autores estreantes de fora do Sudeste e tem acordo para publicar as obras vencedoras na editora Dublinense e em outros países lusófonos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2026/09/ex-curador-de-premio-ganha-processo-em-que-acusa-sesc-de-perseguicao-e-assedio.shtml.

O curador Henrique Rodrigues, que conduzia o prêmio Sesc e hoje comanda o prêmio Caminhos de Literatura - Vanessa Henz · Vanessa Henz — Foto: Folha de S.Paulo
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