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    Europa amplia vantagem sobre EUA e Ásia na transição para combustível de aviação mais limpo

    Quando se trata de combustível de aviação mais limpo, a obrigação regulatória está se mostrando mais poderosa que os incentivos.

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 22:00
    Europa amplia vantagem sobre EUA e Ásia na transição para combustível de aviação mais limpo
    Avião comercial da Iberia voando com trem de pouso abaixado sob céu nublado ao entardecer. — Foto: UOL

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    Quando se trata de combustível de aviação mais limpo, a obrigação regulatória está se mostrando mais poderosa que os incentivos.

    Airbus A320-216, avião da Iberia, companhia de aviação espanhola - Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP · Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP
    Airbus A320-216, avião da Iberia, companhia de aviação espanhola - Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP · Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As companhias aéreas europeias avançaram bastante no uso de combustível sustentável de aviação (SAF), no ano passado, enquanto empresas dos Estados Unidos e da Ásia ficaram ainda mais para trás, segundo uma análise da Bloomberg News de dezenas de documentos ambientais apresentados por companhias aéreas.

    A controladora da British Airways, IAG SA, liderou entre as companhias aéreas de passageiros, com 3,3% de seu combustível de aviação proveniente de SAF, seguida pela Air France-KLM, com 2,9%, e pela Ryanair Holdings Plc, com 2%. As companhias aéreas americanas, por sua vez, ficaram entre 0,3% e 1%.

    O crescimento foi impulsionado principalmente por metas obrigatórias da União Europeia e do Reino Unido , que entraram em vigor no ano passado e exigem que 2% do combustível de aviação seja SAF. No Reino Unido, essa exigência sobe para 3,6% neste ano.

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    Veja aeronaves expostas na Labace 2026, feira de jatos executivos em São Paulo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os EUA, por outro lado, evitaram estabelecer metas obrigatórias para o SAF diante da oposição das companhias aéreas. Os governos federal e estaduais oferecem, em vez disso, incentivos financeiros para estimular a produção. Mas, como o combustível de aviação mais limpo custa de duas a três vezes mais que o combustível convencional, a demanda voluntária continua fraca.

    "Os números mostram que as metas obrigatórias funcionam", disse Camille Mutrelle, gerente de políticas de aviação da Transport & Environment, organização sem fins lucrativos sediada em Bruxelas.

    A IAG, sozinha, comprou mais SAF no ano passado do que todas as companhias aéreas americanas juntas. A controladora da British Airways, Aer Lingus e Iberia comprou mais de 99 milhões de galões, ante cerca de 97 milhões de galões consumidos pelas principais companhias aéreas dos EUA, segundo o grupo do setor Airlines for America.

    Veja fotos do novo Phenom 300EV, jato da Embraer com pouso automático
    Veja fotos do novo Phenom 300EV, jato da Embraer com pouso automático — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O grupo, no entanto, afirma que o mercado ainda é imaturo demais para concluir que as metas obrigatórias funcionam muito melhor que os esforços voluntários. A entidade também destaca que o consumo de SAF nos EUA mais que dobrou no ano passado.

    "Vimos uma quantidade incrível de progresso nos EUA, apesar de todos os desafios do mercado", disse Kevin Welsh, vice-presidente de assuntos ambientais da Airlines for America.

    Considerando também empresas de logística e entregas, a alemã DHL Group lidera no mundo, com 10% de seu combustível de aviação proveniente de SAF.

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    Veja imagens do avião Grumman C-2A Greyhound, doado pelos EUA a futuro museu paulista — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os ganhos da Europa escondem um movimento global mais lento. O consumo de SAF dobrou no mundo no ano passado, mas representou apenas 0,6% de todo o combustível de aviação. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) espera que essa parcela suba para 0,8% neste ano, à medida que o crescimento desacelera.

    Esse aumento tímido pode comprometer as promessas voluntárias das companhias aéreas. Dezenas delas se comprometeram a chegar a 10% de SAF até 2030. Mesmo com a expectativa de que o uso de SAF cresça seis vezes até o fim da década, o combustível representará apenas cerca de 3,5% do combustível de aviação mundial, segundo estimativas da BloombergNEF.

    Essas projeções, porém, podem aumentar à medida que mais países adotem a abordagem europeia. A Coreia do Sul exigirá uma mistura de 1% de SAF nos voos internacionais que partirem do país a partir do próximo ano, enquanto Singapura cobrará uma taxa sobre as passagens aéreas para ajudar a financiar a compra do combustível mais limpo.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A província canadense da Colúmbia Britânica introduzirá, em 2028, uma exigência de 1% de combustível renovável na composição do combustível de aviação. Outros governos, da Turquia à Indonésia, também estão avançando com metas obrigatórias para o SAF .

    À medida que a produção de SAF aumenta, garantir matéria-prima suficiente com baixa emissão de carbono será um grande desafio. Grande parte do combustível de aviação mais limpo produzido atualmente é feita com óleo de cozinha usado e gorduras animais, mas a oferta é limitada.

    Ambientalistas temem que o aumento da demanda possa ampliar a dependência de culturas agrícolas para produzir o combustível, gerando outros custos ambientais, desde o uso de fertilizantes até o desmatamento de florestas e a conversão de campos e pastagens.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    É por isso que alguns grupos ambientalistas hesitam em usar a expressão "combustível sustentável de aviação" para descrever esses combustíveis alternativos.

    "A sustentabilidade precisa ser conquistada e demonstrada, não simplesmente presumida", disse Tim Johnson, diretor da Aviation Environment Federation, organização sem fins lucrativos do Reino Unido.

    Uma solução bastante aguardada é o e-SAF, um combustível de nova geração produzido com eletricidade renovável, hidrogênio e CO₂ capturado. Ele pode reduzir as emissões em 90%.

    Mas a tecnologia ainda está em estágio inicial. Segundo a Lufthansa, o combustível atualmente só está disponível em "quantidades de laboratório" e pode custar até dez vezes mais que o combustível convencional.

    A startup americana Twelve inaugurou uma dessas instalações em Moses Lake, no estado de Washington, em junho. Mesmo operando em plena capacidade, a fábrica produzirá apenas cerca de 50 mil galões por ano —aproximadamente a quantidade necessária para abastecer um Boeing 747 em um voo de ida e volta entre Nova York e Londres.

    A Twelve planeja desenvolver instalações muito maiores nos EUA, capazes de produzir dezenas de milhões de galões por ano, mas se recusou a informar onde elas poderão ser construídas ou fornecer um cronograma mais preciso.

    Com apenas algumas outras fábricas de e-SAF em construção no mundo, Mutrelle, da Transport & Environment, teme que a oferta fique muito aquém do necessário nos próximos anos.

    "A situação está se tornando cada vez mais preocupante", afirmou.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/europa-amplia-vantagem-sobre-eua-e-asia-na-transicao-para-combustivel-de-aviacao-mais-limpo.shtml.

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    Airbus A320-216, avião da Iberia, companhia de aviação espanhola - Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP · Fabrice Coffrini/- 31.jul.26/ AFP — Foto: UOL

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