Brasil

    Euforia com petróleo soa precipitada e eleitoreira

    "Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro deste país", disse Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) na semana passada. Posou com as mãos besuntadas de petróleo , dias depois de a Petrobras confirmar a descoberta no primeiro poço exploratório da Foz do Amazonas -que, na melhor das hipóteses, começará a produzir em cinco anos. Leia mais (08/27/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de agosto de 2026 às 01:00
    Euforia com petróleo soa precipitada e eleitoreira
    Homem sorridente com capacete branco da Petrobras e macacão laranja exibe as mãos cobertas de óleo. Bandeira do Brasil e nome 'Lula' visíveis no uniforme. Ambiente industrial ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibe as mãos manchadas de petróleo durante evento em navio na Margem Equatorial - Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República · Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibe as mãos manchadas de petróleo durante evento em navio na Margem Equatorial - Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República · Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro deste país", disse Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) na semana passada. Posou com as mãos besuntadas de petróleo , dias depois de a Petrobras confirmar a descoberta no primeiro poço exploratório da Foz do Amazonas —que, na melhor das hipóteses, começará a produzir em cinco anos.

    Lula também mencionara o "passaporte para o futuro" durante a euforia de 2008, quando se confirmava a capacidade de produção na camada do pré-sal. Agora, o petista precipita-se em torno de uma nova expectativa de extração, como fez na encenação eleitoreira forjada durante a visita ao Amapá.

    Ainda que se confirme o potencial da Foz do Amazonas e de outras bacias da Margem Equatorial, a história e as perspectivas do setor de energia suscitam questões que deveriam ser consideradas em planos de desenvolvimento para o país. O impacto ambiental é a mais imediata delas, mas nem de longe a única.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2008, a produção brasileira de petróleo era de 1,82 milhão de barris por dia; no primeiro semestre deste 2026, de 4,23 milhões de barris. Também em 2008, a exportação de óleos brutos e combustíveis equivalia a 9,4% do valor total vendido ao exterior; nos últimos 12 meses, a proporção foi de 17,3%.

    O valor exportado mais que dobrou, em termos reais, para US$ 63,8 bilhões em 12 meses. De 2000 a 2009, a receita federal com petróleo representou 2% da arrecadação bruta. Desde 2022, fica em torno de 7%, com anos de pico, a depender dos preços.

    Nem por isso se resolveram as carências orçamentárias do Estado. O Fundo Social do Pré-Sal se tornou item da confusão contábil —nem faz sentido tal fundo com gigantescos déficits fiscais financiados a juros exorbitantes.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A euforia com o pré-sal levou governos petistas a alterar o marco regulatório do setor, o que atrasou a produção. O incentivo estatal a produtores nacionais de equipamentos para a indústria petrolífera terminou em falências, ineficiências e corrupção. Um estado de gestão desastrosa e criminosa como o Rio de Janeiro desperdiça a bonança.

    Em suma, o ganho da União com o petróleo é usado para pagar despesas correntes, não para financiar o futuro.

    Caso a prospecção confirme expectativas otimistas, a Margem Equatorial produzirá o bastante para mais do que evitar o declínio da produção nacional a partir de 2030, previsto pela Empresa de Pesquisa Energética. Por volta desse ano, porém, haveria o pico da demanda mundial de petróleo , segundo a Agência Internacional de Energia.

    Apesar de essas estimativas estarem sujeitas a erro, o mapa de riscos e oportunidades está dado. O país precisa de metas e de plano para converter recursos do petróleo em pesquisa e desenvolvimento, em especial para a transição energética e para a contenção da destruição ambiental. Nisso estamos muito atrasados.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/euforia-com-petroleo-soa-precipitada-e-eleitoreira.shtml.

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    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibe as mãos manchadas de petróleo durante evento em navio na Margem Equatorial - Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República · Ricardo Stuckert - 17.ago.26/Presidência da República — Foto: Folha de S.Paulo

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