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    EUA querem redirecionar US$ 52 milhões de verba militar de Europa e Oriente Médio para América Latina

    Na última terça-feira (15), o Departamento de Estado americano notificou o Congresso dos Estados Unidos sobre planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 52 milhões (quase R$ 268 milhões) em verbas militares a países da América Latina . Leia mais (09/17/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 02:00
    EUA querem redirecionar US$ 52 milhões de verba militar de Europa e Oriente Médio para América Latina
    Três policiais armados e com uniformes táticos caminham entre plantações densas e verdes, cercados por vegetação alta e árvores ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Na última terça-feira (15), o Departamento de Estado americano notificou o Congresso dos Estados Unidos sobre planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 52 milhões (quase R$ 268 milhões) em verbas militares a países da América Latina .

    Policiais colombianos participam de operação para erradicar cultivos ilícitos no município de Villagarzón - Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP · Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP
    Policiais colombianos participam de operação para erradicar cultivos ilícitos no município de Villagarzón - Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP · Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Caso a iniciativa se concretize, os recursos sairão de Tunísia , Eslováquia , Macedônia do Norte e Iraque e serão realocados em Panamá , Peru , Equador e Colômbia . De acordo com um funcionário do Departamento de Estado que confirmou a notificação, o investimento se dará por meio de equipamentos, treinamento e assistência técnica para combater, em suas palavras, o narcoterrorismo e a influência militar de adversários na região.

    O redirecionamento da verba para defesa a países latino-americanos e o aceno à Venezuela ocorrem dias após o secretário de Estado, Marco Rubio, visitar Peru, Colômbia e Equador em uma viagem repleta de anúncios de cooperação militar com a região.

    O montante não chega a ser significativo se comparado ao orçamento anual do programa do qual o dinheiro sairia —em 2026, o Financiamento Militar Estrangeiro recebeu US$ 6,16 bilhões (cerca de R$ 31,7 bilhões). A medida, no entanto, é uma síntese das prioridades internacionais dos EUA sob Trump.

    Quem são os líderes de direita na América do Sul
    Quem são os líderes de direita na América do Sul — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A verba não só iria para nações presididas por aliados do republicano na América Latina como seria retirada de países de Oriente Médio e Europa . Trata-se justamente da política de "América para os americanos" descrita na última Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada no ano passado.

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    "Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental", afirmou a Casa Branca no documento, citando a política do século 19 que guiou a agenda internacional de Washington pela maior parte do tempo desde então.

    Forças de Trump no Caribe
    Forças de Trump no Caribe — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O movimento era previsto, dada a opinião de Trump a respeito dos gastos militares de seu país. As críticas do republicano a esse respeito remontam pelo menos a 1987, quando, ainda empresário, ele pagou por anúncios nos principais jornais americanos para explicar "por que os EUA deveriam parar de pagar para defender países que podem se defender sozinhos".

    Desde que voltou à Casa Branca, no ano passado, Trump pressiona aliados europeus a aumentar o investimento em defesa , afirmando reiteradamente que os gastos de Washington na Otan são desproporcionalmente superiores em relação aos dos outros membros da aliança militar ocidental.

    Nesse novo xadrez, o que a gestão americana tem chamado de narcoterrorismo (termo que especialistas consideram inadequado para definir os grupos criminosos latino-americanos) ganhou destaque.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesta quarta (16), por exemplo, os EUA removeram a Venezuela da lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas pela primeira vez em mais de 20 anos —e oito meses depois da intervenção americana para capturar o ditador Nicolás Maduro e transformar a nação em uma espécie de protetorado.

    "Na Venezuela, graças à prisão e destituição, pela minha administração, do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro, já estamos vendo os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis", afirmou Trump, de acordo com uma nota do Departamento de Estado.

    Da América Latina, continuam na lista Colômbia, Bolívia , El Salvador , Equador, México e Guatemala , Costa Rica , República Dominicana , Honduras , Haiti , Nicarágua , Panamá e Peru. Os aliados, no entanto, tiveram menção especial no documento.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Colômbia, disse Trump, foi mantida na lista "unicamente devido à incompetência e ao caos produzidos pelo governo de extrema esquerda anterior, que esteve no poder durante a maior parte do ano passado", continuou o republicano, em referência a Gustavo Petro . A situação, diz ele, deve mudar com a liderança do ultradireitista Abelardo de la Espriella , eleito em junho deste ano .

    "Ele prometeu liderar uma campanha agressiva contra o cultivo de coca e a produção de cocaína, que atingiram níveis recordes sob as políticas socialistas fracassadas de seu antecessor", afirmou. "A Colômbia está prestes a retomar seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério, e as Forças Armadas, a polícia, os promotores e o judiciário do país agora finalmente têm um defensor à altura na Presidência."

    E continuou: "Saúdo igualmente o compromisso da nova presidente Keiko Fujimori em trabalhar com os EUA e outros aliados para desmantelar o crime organizado que assola o Peru". A filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000), também eleita em junho , anunciou na semana passada a entrada de sua nação no Escudo das Américas , uma iniciativa de Trump que reúne países governados pela direita na região sob o pretexto de combater o narcotráfico.

    Fazem parte da coalizão também Argentina , Equador e El Salvador —citados pelo republicano no documento como "três dos maiores aliados dos EUA em nosso hemisfério". O presidente americano os saudou pela "liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo".

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/eua-querem-redirecionar-us-52-milhoes-de-verba-militar-de-europa-e-oriente-medio-para-america-latina.shtml.

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    Policiais colombianos participam de operação para erradicar cultivos ilícitos no município de Villagarzón - Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP · Raúl Arboleda - 11.jun.2026/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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