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    EUA preparam ofensiva terrestre contra traficantes em países aliados da América Latina

    Em visita ao Panamá, Secretário de Defesa, Pete Hegseth, cita cooperação com Colômbia e Equador nas operações

    UOL
    14 de agosto de 2026 às 00:00
    EUA preparam ofensiva terrestre contra traficantes em países aliados da América Latina
    Homem de terno azul escuro e óculos escuros conversa com militar em uniforme camuflado do Exército dos EUA. Militar gesticula com a mão direita enquanto fala. Fundo desfocado com outras pessoas. — Foto: UOL

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    O secretário de Defesa dos Estados Unidos , Pete Hegseth , afirmou nesta quinta-feira (13) que as Forças Armadas americanas se preparam para realizar operações no território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina .

    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, conversa com militar americano durante viagem ao Panamá - Aris Martinez/Reuters · Aris Martinez/Reuters
    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, conversa com militar americano durante viagem ao Panamá - Aris Martinez/Reuters · Aris Martinez/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Trata-se de uma sinalização de que Washington pretende aplicar na região métodos desenvolvidos ao longo de décadas de combate a grupos terroristas no Oriente Médio e em outras partes do mundo —que, em muitos casos, levaram à morte de civis.

    Em viagem ao Panamá , Hegseth afirmou que o objetivo é produzir em terra o "mesmo efeito" dos ataques realizados contra embarcações acusadas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. A oposição e grupos de direitos humanos criticaram essas ações como ilegais.

    Hegseth disse ainda que os EUA trabalham com Equador , Colômbia e outros parceiros para "levar a luta" contra organizações de narcotráfico ao território terrestre. Os Estados Unidos já deram início a ações coordenadas com o Equador em março.

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    Relembre os crimes de maio, como ficaram conhecidos os ataques em série do PCC em São Paulo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No início daquele mês, o governo Trump anunciou operações entre os dois países como um exemplo "contudente do compromisso dos parceiros na América Latina e no Caribe no combate ao flagelo do narcoterrorismo." Porém, os países anunciaram que tinham bombardeado traficantes, mas uma reportagem do jornal The New York Times mostrou que as ações, na verdade, atingiram uma fazenda de gado e laticínios, não um complexo de tráfico de drogas.

    Nesta quarta, os EUA anunciaram outra parceria, desta vez com a Colômbia, onde o presidente de direita recém-empossado, Abelardo de la Espriella, é alinhado com as políticas de Donald Trump .

    "Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra [como é chamado o Departamento de Defesa dos EUA] se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir os terroristas e as redes de terror", afirmou Hegseth, chefe do Pentágono.

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    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O anúncio da cooperação marcou a entrada formal do novo governo colombiano no chamado Escudo das Américas, coalizão antidrogas formada por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe e liderada pelo presidente americano, Donald Trump . Países como Brasil e México estão fora deste grupo.

    Nesse contexto, o chefe do Pentágono citou apenas países nos quais os EUA já anunciaram operações conjuntas, como a Colômbia, ou já realizaram incursões, como o Equador. E disse que "organizações designadas como terroristas, em conjunto com governos parceiros, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos".

    A princípio, isso deixaria de fora o Brasil, que não concordou com a designação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV ( Comando Vermelho ) como organizações terroristas feita pelo governo Trump. A Folha questionou o Departamento de Defesa se essas operações militares poderiam acontecer em países que não possuem parceria com os Estados Unidos, mas não obteve resposta.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Hegseth, em entrevista a jornalistas, disse que "em qualquer lugar em que vocês [grupos terroristas] trafiquem drogas, em que ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês são um alvo, assim como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda ".

    O secretário de Defesa disse ainda que Washington pretende aproveitar no Hemisfério Ocidental a experiência militar acumulada durante a chamada Guerra ao Terror . Segundo Hegseth, os EUA passaram os últimos 25 anos aperfeiçoando a chamada "kill chain" —expressão militar que descreve o processo de identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo— para atingir redes terroristas a milhares de quilômetros do território americano.

    "Por que não pegamos essas capacidades, com os melhores americanos, e as aplicamos aqui?", disse.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As declarações representam uma escalada na retórica do governo Donald Trump contra o narcotráfico na região ao tratar facções criminosas segundo uma lógica semelhante à empregada contra grupos terroristas e ao defender o uso de capacidades militares desenvolvidas para conflitos em outras regiões.

    Hegseth disse que a estratégia envolverá uma atuação conjunta do Comando Sul, responsável pelas operações militares americanas na América Latina e no Caribe, e do Comando Norte, cuja área de responsabilidade inclui México, Estados Unidos e Canadá.

    "Esta é uma luta em rede, para a qual estamos dando poder ao Comando Sul e ao Comando Norte, juntos, no Hemisfério Ocidental, para agir de maneira implacável", disse. "Vamos nos aproximar e destruir essas redes usando todas as capacidades do governo americano."

    A declaração ocorre um dia após o presidente Donald Trump ampliar outro instrumento de atuação dos EUA contra organizações criminosas transnacionais. Na quarta-feira (12), o republicano assinou um decreto que abre caminho para empresas privadas americanas realizarem, sob supervisão federal, operações cibernéticas contra grupos que atuam fora do país.

    A medida permite ações capazes de interromper, degradar ou até destruir sistemas e redes controlados por essas organizações. Apesar de não ser citado nominalmente, PCC e CV poderiam ser alcançados caso se enquadrem nos critérios do programa, voltado a grupos que pratiquem crimes cibernéticos contra cidadãos, o governo ou interesses americanos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/eua-preparam-ofensiva-terrestre-contra-traficantes-em-paises-aliados-da-america-latina.shtml.

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    O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, conversa com militar americano durante viagem ao Panamá - Aris Martinez/Reuters · Aris Martinez/Reuters — Foto: UOL

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