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    EUA, China e big techs: a batalha pela IA chega à ONU

    Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas O post EUA, China e big techs: a batalha pela IA chega à ONU apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    22 de setembro de 2026 às 10:34
    EUA, China e big techs: a batalha pela IA chega à ONU
    Foto: Olhar Digital

    Da pólvora à inteligência artificial, a tecnologia sempre esteve associada ao poder. Durante séculos, dominar determinadas ferramentas significou ampliar a capacidade de conquistar territórios, proteger fronteiras e impor interesses. A pólvora transformou profundamente a guerra; as grandes navegações moldaram a economia global; a máquina a vapor ajudou a impulsionar a industrialização; e a eletricidade e as telecomunicações redefiniram a velocidade com que Estados e empresas conseguiam produzir, comunicar e exercer influência.

    E o mundo que vivemos hoje só é o mundo que vivemos hoje por causa desse histórico. Para o bem e para o mal.

    Com a revolução digital, essa relação ganhou uma nova dimensão. Computadores, internet, satélites, semicondutores e grandes plataformas digitais se tornaram ativos estratégicos. Quem ocupa posições centrais nesse ecossistema não precisa controlar um território para exercer influência direta. A influência está traduzida nos fluxos de dados, comunicação e dinheiro que atravessam fronteiras.

    Bruno Capozzi
    Bruno Capozzi — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Tudo isso afeta diretamente a economia e a vida cotidiana de bilhões de pessoas.

    A inteligência artificial leva essa lógica adiante. A corrida atual não envolve apenas quem consegue criar o chatbot mais sofisticado. Envolve chips, energia, centros de dados, capacidade computacional, talentos, modelos e dados. No fundo, coloca empresas e governos diante de uma pergunta antiga com uma tecnologia nova: quem terá acesso às ferramentas mais poderosas e, principalmente, quem terá condições de definir como elas serão usadas?

    Dadas as devidas proporções, as mesmas perguntas eram feitas sobre a tecnologia nuclear. Não por coincidência, há quem defenda uma cooperação para as IAs nos moldes do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

    Chegamos à semana da Assembleia Geral da ONU. A cada edição, me parece que há mais motivos para tensão.

    O encontro ocorre em meio a grandes guerras no Irã, Gaza, Ucrânia, Sudão, Congo e Mianmar.

    Também estamos no auge das mudanças climáticas. Pelo menos, até agora. Sabemos que, neste particular, o amanhã tende a ser sempre pior.

    Na economia, há impactos de eventos climáticos extremos e das guerras. Bloqueios a rotas de navegação e cadeia de suprimentos elevam o custo de vida e freiam o crescimento.

    E a tecnologia terá um capítulo à parte em 2026 – graças à inteligência artificial. Ou melhor: graças aos interesses por trás das IAs. Em última instância, ainda falamos de humanos e não de máquinas.

    Como qualquer tecnologia, as IAs podem fazer o bem e o mal. Essa discussão está superada. O ponto é outro.

    Entre abril e julho, falhas de segurança fizeram com que modelos de IA escapassem de ambientes de teste e atacassem servidores. No início de setembro, cientistas fizeram novos alertas sobre os riscos da tecnologia, com pesquisadores chegando a pedir demissão. Em 12 de setembro, o debate chegou aos líderes da indústria: parte dos CEOs passou a defender um freio no avanço da IA, enquanto outros discordaram da proposta.

    E ainda mais recentemente, na última semana, a discussão ganhou dimensão global, com a ONU cobrando regulamentação e Estados Unidos e China divergindo sobre como lidar com a tecnologia.

    Aqui vai uma descrição mais detalhada dos fatos:

    O Conselho de Segurança da ONU adicionou uma reunião de alto nível sobre inteligência artificial à agenda de quarta-feira, um sinal da crescente preocupação e da necessidade de abordar o assunto.

    Em nosso YouTube, produzimos um especial sobre essa batalha de narrativas. Você pode conferir aqui. Spoiler: as IAs não vão acabar com o mundo. O ser humano, por outro lado, não posso garantir.

    Em 14 de setembro, o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, publicou uma carta aberta advertindo que a autorregulação voluntária é “extremamente insuficiente”. E que a corrida descontrolada por IAs autônomas gera riscos existenciais diretos aos direitos humanos.

    No texto, Türk defende que nenhum país pode governar essa tecnologia sozinho e que nenhuma empresa tem o direito de decidir isoladamente os riscos que a sociedade deve aceitar.

    Quem também falou foi o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que alertou: riscos associados ao rápido avanço das IAs não podem ser ignorados.

    “Para a ONU, a melhor maneira de lidar com os riscos globais da IA ​​é reunir os países para adotar princípios e compromissos compartilhados sobre a governança da IA” – diz um comunicado das Nações Unidas.

    A ONU trabalha para criar um fórum onde os países possam desenvolver um entendimento comum sobre as tecnologias de IA e discutir como podem cooperar e regular questões como segurança, direitos humanos e disparidades de acesso.

    Comparando o desenvolvimento da IA ​​à corrida armamentista da Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética, Guterres apelou à cooperação entre os países na vanguarda da IA ​​– incluindo os EUA e a China – para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia ​​enquanto os riscos continuam a ser avaliados:

    “Os países que têm maior capacidade nas fronteiras da IA ​​– penso que deveriam estabelecer mecanismos de contato, trocar informações e criar algumas diretrizes comuns para evitar uma corrida desenfreada que um dia poderá levar a um desastre gigantesco a nível global”.

    O segundo mandato de cinco anos do secretário-geral António Guterres termina em 31 de dezembro – e a sucessão continua uma incógnita.

    Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas.

    Ou seja, teremos Lula e Trump na sequência.

    O presidente da China, Xi Jinping, deve enviar um representante em seu lugar. Contudo, ele participará na quarta-feira de um jantar com Donald Trump em Washington.

    Entre os convidados estão alguns dos nomes mais conhecidos do setor de tecnologia, como Jeff Bezos , Elon Musk e Sam Altman . Jensen Huang , CEO da Nvidia ; Sundar Pichai , CEO do Google ; Michael Dell; e Jane Fraser, CEO do Citigroup, também foram chamados. Tim Cook, que deixou o cargo de CEO da Apple, também garantiu um lugar no jantar.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/22/inteligencia-artificial/eua-china-e-big-techs-a-batalha-pela-ia-chega-a-onu/.

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