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    EUA, Arábia Saudita e Iêmen trocam acusações após avanço dos Houthis

    Apoiado pelo Irã, grupo rebelde tomou porto estratégico e ilha no Mar Vermelho, ameaçando rota vital de navegação global

    CNN Brasil
    12 de setembro de 2026 às 19:05
    EUA, Arábia Saudita e Iêmen trocam acusações após avanço dos Houthis
    Foto: CNN Brasil

    Os pedidos desesperados por cobertura aérea dos generais iemenitas começaram a chegar na manhã de quinta-feira (10). Um avanço dos Houthis, apoiados pelo Irã, em direção à estratégica cidade portuária iemenita de Mocha estava em pleno andamento, e o apoio do principal aliado, a Arábia Saudita, não aparecia em lugar algum.

    “Os Houthis empenharam tudo o que tinham — ondas e mais ondas de combatentes… junto com seus mísseis balísticos e armamentos disponíveis”, disse à CNN uma fonte iemenita sênior ligada às suas forças militares. A fonte afirmou ter contatado o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) e ter recebido a garantia de que os EUA estavam “acompanhando a situação de perto e que o apoio aéreo saudita estava a caminho”.

    “Mas o apoio aéreo nunca chegou”, disse a fonte. “ E Mocha caiu. ”

    Os houthis comemoram em frente ao prédio da diretoria de segurança em Hays, cidade estratégica do Iêmen. (10.09.26) • REUTERS · • REUTERS
    Os houthis comemoram em frente ao prédio da diretoria de segurança em Hays, cidade estratégica do Iêmen. (10.09.26) • REUTERS · • REUTERS — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Horas depois, na sexta-feira (11), os Houthis capturaram outro ativo costeiro estratégico, a Ilha Perim, na entrada do Mar Vermelho. A ilha divide o Estreito de Bab el-Mandeb em dois, conferindo a Teerã o controle de fato sobre mais uma rota de navegação essencial.

    O rápido avanço dos Houthis representa 36 horas extraordinárias em um conflito que havia ficado em grande parte congelado por anos. Mas o combustível para a retomada dos combates havia sido acumulado por meses em meio ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, enquanto Teerã busca usar os preços do petróleo — e seu impacto na economia global — como instrumento de pressão.

    Agora, o Iêmen e o Mar Vermelho têm o potencial de se tornar uma verdadeira segunda frente na guerra contra o Irã.

    Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência
    Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O controle efetivo do Irã sobre o Estreito de Ormuz, somado à sua pressão crescente sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, ameaça elevar ainda mais os preços do petróleo, semanas antes das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos.

    Embora o Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para a rota de navegação do Canal de Suez, seja menos crítico para os mercados globais de energia do que Ormuz, ele ainda transporta bens essenciais para o mundo inteiro, incluindo milhões de barris de petróleo por dia. O estreito ganhou importância crescente desde o início da guerra contra o Irã, à medida que a Arábia Saudita redirecionou parte de suas exportações pela via aquática para contornar Ormuz.

    “(Os Houthis) não precisam usar armas avançadas para fechar Bab el-Mandeb. Eles podem simplesmente usar um canhão em um carro”, disse Amr Al-Bidh, o principal dirigente do Conselho de Transição do Sul (CTS) do Iêmen. O CTS já lutou tanto contra os Houthis quanto contra as forças apoiadas pela Arábia Saudita no passado, e quer um estado independente no sul.

    Porto de Mocha, no Iêmen, suspende operações após ataques de rebeldes
    Porto de Mocha, no Iêmen, suspende operações após ataques de rebeldes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “É uma vantagem que eles têm sem usar armas avançadas”, disse Al-Bidh à CNN em entrevista. “E eles vão mantê-la.”

    O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman falou duas vezes na quinta-feira com o presidente dos EUA Donald Trump e pediu que ele atacasse os Houthis, disse à CNN na sexta-feira outra fonte familiarizada com o assunto. Trump recusou-se a intervir, de acordo com essa fonte.

    “Os Estados Unidos estão focados em proteger nossos interesses centrais de segurança nacional — como garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho — ao mesmo tempo em que capacitamos nossos parceiros regionais a assumir a liderança no gerenciamento e na resolução dos desafios de segurança regionais”, disse a Casa Branca em resposta às perguntas da CNN sobre as ligações. “Estamos em diálogo contínuo com a Arábia Saudita e o Governo da República do Iêmen sobre a estabilidade regional.”

    Forças armadas do Iêmen dizem ter repelido ataque dos Houthis
    Forças armadas do Iêmen dizem ter repelido ataque dos Houthis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A CNN também entrou em contato com a Embaixada Saudita em Washington para obter comentários.

    A queda rápida de Mocha e a falta de resistência levaram a acusações mútuas e recriminações entre os aliados dos EUA.

    “O fracasso desta vez não é dos iemenitas”, disse uma fonte regional à CNN na quinta-feira. “É um desastre fabricado em (Washington) DC e em Riad.”

    Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência
    Houthis tomam nova cidade e ameaçam rota vital para o petróleo, diz agência — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A fonte regional disse à CNN que foi “um fracasso completo de liderança política” em meio a disputas acirradas e tomada de decisões atrasada em Riad.

    “Não houve um único ataque aéreo ao longo do dia de ontem (pelas forças de apoio sauditas), embora houvesse atualizações minuto a minuto”, acrescentou a fonte regional. “É um erro saudita-americano de proporções épicas.”

    Nem todos concordam. Mohammed al-Basha, que atuou como assessor do governo dos EUA e do setor privado sobre riscos emergentes da Península Arábica, argumenta que a culpa também recai sobre os líderes iemenitas, cujas divisões internas comprometeram suas defesas.

    Forças armadas do Iêmen dizem ter repelido ataque dos Houthis
    Forças armadas do Iêmen dizem ter repelido ataque dos Houthis — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Isso remonta a um problema mais profundo na coalizão anti-Houthi”, disse o assessor baseado em Washington ao CNN . “Não há coesão política.”

    “Acho que todos estavam cientes do avanço dos Houthis em direção à costa oeste. Os sinais eram muito claros”, acrescentou. “Não há um comando e controle unificado no Iêmen.”

    Combatentes Houthi chegaram a Mocha na quinta-feira e encontraram batalhões iemenitas severamente enfraquecidos — suas listas estavam repletas de “nomes fantasmas” recebendo salários, e a força real do exército era de apenas cerca de 20% do que constava no papel, disse à CNN uma fonte ocidental com conhecimento das operações.

    Porto de Mocha, no Iêmen, suspende operações após ataques de rebeldes
    Porto de Mocha, no Iêmen, suspende operações após ataques de rebeldes — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Isso foi agravado pelo fato de que os Emirados Árabes Unidos — outrora membro da coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen — retiraram suas forças remanescentes do país em janeiro, após a Arábia Saudita pedir que elas partissem em meio a uma disputa. E a Arábia Saudita não preencheu aqueles quartéis e bases com novas tropas.

    “Não faz sentido. Quer dizer, você tem o principal apoiador das forças militares no terreno… que realmente faz todo esse trabalho há 10 anos, e de repente você pede que eles vão embora, e não preenche esse vácuo”, acrescentou Al-Bidh, do Conselho de Transição do Sul do Iêmen. “É simplesmente falta de estratégia e má gestão.”

    O alto funcionário iemenita disse à CNN na sexta-feira que havia “alertado o CENTCOM repetidamente nos últimos dias, incluindo ontem, de que a situação estava se tornando crítica.” A CNN entrou em contato com o CENTCOM para obter uma resposta.

    O chefe do CENTCOM, almirante Brad Cooper, estava na Arábia Saudita na quinta-feira para reuniões de coordenação, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto. O CENTCOM recusou-se a comentar, citando razões de segurança operacional.

    O exército saudita havia sido colocado em alerta máximo três semanas atrás, disseram fontes à CNN , mas não posicionou o pessoal-chave de comando aéreo. A fonte ocidental com conhecimento da batalha disse que a Arábia Saudita nunca mobilizou o pessoal de serviço necessário para controlar e dirigir aeronaves de combate em caso de um ataque sério.

    “Os sauditas abandonaram os iemenitas à própria sorte”, disse a fonte ocidental na quinta-feira.

    A CNN entrou em contato com o ministério de informação da Arábia Saudita para obter comentários sobre essas alegações.

    A falha em defender Mocha e Perim é ainda mais desconcertante à luz de uma notícia recente — divulgada com exclusividade pela CNN — de que mais de 100 assessores militares americanos foram enviados à Arábia Saudita para fornecer apoio de inteligência e de alvejamento ao Reino em sua campanha militar, de acordo com cinco fontes familiarizadas com as operações.

    O pessoal militar dos EUA está trabalhando como parte de um comando de forças conjuntas recém-criado, formado nas últimas semanas em meio a sinais de que o Irã estava intensificando seus próprios esforços para auxiliar os ataques houthis, disse uma das fontes, um oficial americano. Esse oficial estimou o número total de militares americanos na Arábia Saudita em aproximadamente 200 soldados.

    A captura dos ativos no Mar Vermelho confere aos houthis uma capacidade de manobra e uma vantagem muito maiores, pois abre novos locais a partir dos quais os rebeldes apoiados pelo Irã podem lançar embarcações e ataques.

    Questionado sobre o que vem a seguir, al-Basha, o analista de risco, disse à CNN : “Acredito que os houthis vão se mover para o leste. Estamos vendo hoje, por meio de satélite e de fotografias de OSINT (inteligência de fontes abertas)… que os houthis estão se mobilizando.”

    Um assessor do líder supremo do Irã descreveu na sexta-feira o avanço houthi na costa oeste do Iêmen como uma “vitória clara”, escrevendo em uma publicação no X que “o povo americano e os aliados de Washington estão pagando o preço pela crise econômica e pelas ambições de Trump.”

    Sarah El Sirgany, Mostafa Salem, Nadeen Ebrahim, Jennifer Hansler, Zachary Cohen, Katie Bo Lillis e Kylie Atwood, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

    Quem são os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã?

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eua-arabia-saudita-e-iemen-trocam-acusacoes-apos-avanco-dos-houthis/.

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    Os houthis comemoram em frente ao prédio da diretoria de segurança em Hays, cidade estratégica do Iêmen. (10.09.26) • REUTERS · • REUTERS — Foto: CNN Brasil

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