Política

    EUA ameaçaram a cultura do Quebec, diz primeiro-ministro do Canadá

    Mark Carney criticou exigências de Donald Trump para não impor taxas de 50% e disse que norte-americanos “atacam como em uma guerra”

    Poder360
    23 de agosto de 2026 às 20:42
    EUA ameaçaram a cultura do Quebec, diz primeiro-ministro do Canadá
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    Mark Carney criticou exigências de Donald Trump para não impor taxas de 50% e disse que norte-americanos “atacam como em uma guerra”

    O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda), declarou no sábado (22.ago.2026) que as negociações com Washington não avançaram por causa de ameaças dos Estados Unidos à língua e à cultura francesas na província do Quebec.

    Carney declarou que esteve próximo de fechar um acordo global e justo para os 2 países com o governo de Donald Trump (Partido Republicano). Disse, contudo, que o governo norte-americano “mudou de ideia”.

    Na imagem, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda)
    Na imagem, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney (Partido Liberal, centro-esquerda) — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    “ Parecia que estávamos prontos para ter um acordo […] Mas eles mudaram [de ideia] , incluindo as ameaças contra a língua francesa e a cultura, a cultura quebequense, a cultura canadense. Isso não é aceitável, nunca foi aceitável, e por causa disso é o fim desta etapa de negociação ”, afirmou.

    O Canadá é um país oficialmente bilíngue (inglês e francês são os idiomas oficiais), mas o Quebec é a única província cuja única língua oficial é o francês. O governo local obriga o uso de francês em rótulos, manuais de eletrodomésticos, softwares e embalagens. Para vender na província, empresas globais (como Apple, Samsung e Sony) precisam adaptar as cadeias de suprimento e produzir embalagens e manuais multilíngues.

    Para proteger o idioma, o Quebec aprovou a lei 101 de 1977 , que transformou o francês na única língua oficial da província, exigindo o seu uso no governo, na Justiça, na educação, no trabalho e no comércio. A norma foi revisada pela lei 96 de 2022 , que determina, por exemplo, que contratos de adesão e documentos relacionados devem ser disponibilizados primeiro em francês antes que as partes possam assinar em outra língua.

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    As declarações de Carney referem-se às novas taxas de 50% impostas por Trump, sobre produtos canadenses. A decisão foi anunciada depois de o Canadá e os Estados Unidos encerrarem uma rodada de negociações comerciais na 6ª feira (21.ago) sem chegar a um acordo. O estadunidense afirmou , na Truth Social , que o Canadá queria “ os benefícios de ser um Estado, sem ser um ”.

    As novas tarifas de Trump entraram em vigor no sábado (22.ago) e atingem cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses para os Estados Unidos. Entre os produtos afetados estão vinhos, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei.

    As taxas somam-se às já aplicadas pelos EUA sobre setores canadenses como aço, madeira e automóveis. Os produtos agora atingidos não se qualificam para tratamento preferencial pelo acordo de livre-comércio norte-americano.

    Carney anunciou também no sábado (22.ago) que o país aplicará tarifas sobre produtos importados dos Estados Unidos a partir de 8 de setembro. Ele classificou as taxas como uma nova ofensiva dos estadunidenses contra o Canadá. “ Ataca-se como em uma guerra. Isso não é nada bom ”, afirmou.

    De acordo com o primeiro-ministro canadense, foi realizada uma reunião virtual com os premiês provinciais para discutir a suspensão das negociações comerciais com os Estados Unidos e delinear os próximos passos, protegendo os interesses do país. Carney d eclarou que o Canadá se concentrou, durante 18 meses, em negociar os seguintes pontos:

    Carney disse que o governo reconheceu que os EUA mudaram e que não seria retomada a antiga relação. Ainda assim, houve progresso, ainda que insuficiente. “ Como resultado, nesta noite, decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e instruí os negociadores do Canadá a retornarem a Ottawa ”, disse.

    “ As alterações de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, anti-econômicas e colocaram em questão a confiabilidade de qualquer acordo ”, justificou Carney.

    De acordo com ele, a retaliação complementa “ a estratégia econômica central do Canadá ”. “ Desde o 1º dia, estivemos focados em fortalecer nossas capacidades internas e diversificar nossas parcerias no exterior. […] O Canadá tem o que o mundo quer. E não permitiremos que nação alguma determine o nosso futuro ”, disse.

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    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-internacional/eua-ameacaram-a-cultura-do-quebec-diz-primeiro-ministro-do-canada/.

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