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    Estudo revela maravilhas da rede viária de 300 mil km do Império Romano

    Augusto, o primeiro imperador da Roma Antiga, instalou no Fórum Romano, em 20 a.C., um monumento chamado Milliarium Aureum, ou Miliário Dourado. Ele marcava o ponto de partida simbólico de todas as estradas do vasto império. Leia mais (09/17/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 09:00
    Estudo revela maravilhas da rede viária de 300 mil km do Império Romano
    Caminho pavimentado com pedras irregulares segue em linha reta, ladeado por árvores altas e escuras dos dois lados. À direita, há uma estrutura de pedra que parece um monumento ou marco histórico. O solo ao redor é seco e arenoso, com algum — Foto: Folha de S.Paulo

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    Augusto, o primeiro imperador da Roma Antiga, instalou no Fórum Romano, em 20 a.C., um monumento chamado Milliarium Aureum, ou Miliário Dourado. Ele marcava o ponto de partida simbólico de todas as estradas do vasto império.

    Via Ápia, em Roma, é uma estrada romana construída no fim do século 4º a.C. - Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP · Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP
    Via Ápia, em Roma, é uma estrada romana construída no fim do século 4º a.C. - Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP · Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Agora, pesquisadores fizerm uma análise detalhada da rede viária do império, que abrangia cerca de 300 mil km de rotas . Cruzando Europa , Oriente Médio e norte da África , foi o primeiro sistema de transportes em escala continental do mundo.

    Mestres da engenharia , os romanos construíram estradas que se estendiam dos desertos do Marrocos e da Arábia, ao sul e a leste, até a Escócia e o Oceano Atlântico, ao norte e a oeste. Essas vias eram conectadas a rios e rotas marítimas, formando uma ampla rede de transportes.

    "Essa infraestrutura fez com que uma vasta região se tornasse mais estreitamente integrada: ela proporcionou uma plataforma de dimensões continentais para a circulação de pessoas, animais, agentes patogênicos , mercadorias e ideias", disse o arqueólogo clássico Tom Brughmans, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

    Rede de estradas do Império Romano tinha quase 300 mil quilômetros, segundo estudo
    Rede de estradas do Império Romano tinha quase 300 mil quilômetros, segundo estudo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Brughmans ajudou a liderar o estudo, publicado nesta terça-feira (15) na revista Nature Communications .

    Algumas estradas eram muito duráveis, construídas com uma combinação de materiais que incluía pedra britada, argamassa de cal, cascalho e pedras de pavimentação. O tráfego consistia principalmente em pessoas a pé ou montadas em animais, como cavalos, burros, mulas e camelos, além de animais de carga e carroças e carruagens puxadas por animais.

    "As legiões romanas marchavam pelas estradas para responder a ameaças, socorrer seus companheiros e colonizar novos territórios . Ideias novas e radicais, como o cristianismo primitivo, viajavam com as pessoas por terra e mar", explicou o pesquisador.

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    DNA mostra infiltração e miscigenação com fim de Roma — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Mas as próprias estradas eram usadas principalmente nos frequentes deslocamentos entre a casa e o campo ou até os mercados locais, onde os produtos eram vendidos", acrescentou.

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    As distâncias rodoviárias a partir de Roma eram medidas desde o Milliarium Aureum. Mas essa antiga megalópole não era o centro dessa rede viária, apesar de ser central para a navegação no Mediterrâneo.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Constatamos que as capitais provinciais estavam excepcionalmente bem localizadas nas estradas de suas respectivas províncias, facilitando uma administração provincial e uma arrecadação de impostos eficiente", afirma Brughmans.

    Entre essas capitais provinciais estavam Ancara, na Turquia , Londres, na Inglaterra , e Corinto, na Grécia .

    "A própria Roma ocupava uma posição central nas estradas da costa do Mar Tirreno, na Itália . Mas, quando consideramos toda a circulação dentro da Península Itálica, ficamos surpresos ao descobrir que a estrada mais central, na verdade, acompanha o litoral oposto, o do mar Adriático", contou o arqueólogo.

    No início do século 4 d.C., o imperador Constantino transferiu a capital para Constantinopla (atual Istambul ). Essa cidade, sim, tinha uma localização mais estratégica, localizada no ponto de encontro entre a Europa e a Ásia .

    "Nossa pesquisa revelou que ela ocupava uma posição excepcionalmente central para as viagens terrestres por todo o império —muito mais do que Roma", disse Brughmans. "Ela fica às margens do Bósforo, e sabemos da existência de balsas que atravessavam esse estreito na Antiguidade, conectando efetivamente o tráfego rodoviário europeu ao asiático."

    Os engenheiros romanos usavam ferramentas e técnicas para tornar as estradas o mais retas possível, tendo como principal exemplo a via Ápia, ao sul de Roma.

    "Mas até os romanos precisavam se curvar à natureza", analisou o pesquisador. As estradas do império tendiam a ser retas apenas quando a topografia local permitia, como nas áreas relativamente planas da Bélgica, do norte da França ou do vale do Pó, na Itália. "De modo geral, eles não removiam montanhas apenas para construir uma estrada."

    Essas antigas estradas estruturaram as interações entre centenas de milhões de pessoas durante mais de dois milênios. Muitas continuaram a ser usadas muito depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C., e do fim do Império Romano do Oriente, também chamado de Império Bizantino, em 1453.

    "A persistência da rede viária romana pode ser demonstrada em muitas regiões, da Grã-Bretanha ao Oriente Próximo", disse Adam Pazout, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Autônoma de Barcelona que ajudou a liderar o estudo.

    Em muitos lugares, essas estradas foram as principais vias de comunicação durante todo o período medieval, até o desenvolvimento das ferrovias no século 19 e das rodovias no século 20, explicou Pazout.

    Muitas rodovias modernas seguem o traçado de estradas antigas.

    "Um ótimo exemplo é a via Augusta, que vai de Cádiz, no sul da Espanha, aos Pireneus. A estrada passa sob um arco do triunfo chamado Arco de Berà, entre Tarragona e Barcelona, onde é possível ver claramente que ela segue o mesmo traçado da moderna rodovia N-340", disse Brughmans.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/estudo-revela-maravilhas-da-rede-viaria-de-300-mil-km-do-imperio-romano.shtml.

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    Via Ápia, em Roma, é uma estrada romana construída no fim do século 4º a.C. - Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP · Alberto Pizzoli - 2.ago.2024/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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