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    Estudo mostra que organizações sociais elevam produtividade e aumentam internações em hospitais

    Pesquisa do Insper e da FGV analisou 127 hospitais públicos geridos por OSS em São Paulo

    UOL
    29 de setembro de 2026 às 08:00
    Estudo mostra que organizações sociais elevam produtividade e aumentam internações em hospitais
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    Um estudo que analisou o modelo das OSS ( Organizações Sociais de Saúde ) em 127 hospitais públicos de São Paulo, de 2005 a 2022, concluiu que a transição da gestão direta para as OSS aumentou em 40% as internações hospitalares .

    Equipe médica no Hospital Estadual de Sumaré (SP), na região de Campinas - Divulgação - 17.set.20 · Divulgação - 17.set.20
    Equipe médica no Hospital Estadual de Sumaré (SP), na região de Campinas - Divulgação - 17.set.20 · Divulgação - 17.set.20 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O efeito foi observado tanto em cuidados clínicos e cirúrgicos como em atendimentos de urgência e tratamentos eletivos. Para os autores, os números não indicam piora da saúde da população, mas a ampliação do acesso aos serviços.

    Conduzido por pesquisadores do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) e da FGV /Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), o Public Services Under Private Management também apontou alta de 23% na taxa de rotatividade dos leitos , crescimento de 14% na taxa de ocupação e redução de 9% no tempo médio de internação.

    Também foi observada queda de 3% na mortalidade geral da população nos municípios que adotaram o modelo. O estudo foi publicado no The Quarterly Journal of Economics .

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    "Os hospitais geridos por OSS têm um aumento grande no volume de atendimentos. Esse maior volume de produção reflete um ganho de produtividade. Eles parecem conseguir usar melhor a capacidade instalada e são mais produtivos com os recursos existentes", afirma o pesquisador e professor de economia do Insper, Luiz Felipe Fontes.

    O mapeamento dos dados combinou registros oficiais do SIH (Sistema de Informação Hospitalar) e do Cnes (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) com informações emitidas por conselhos médicos.

    Para mensurar a qualidade do atendimento, os pesquisadores utilizaram dois indicadores principais: as taxas de mortalidade intra-hospitalar (restrita ao ambiente do hospital) e de readmissão.

    A análise da mortalidade, focada em casos de alta complexidade, parte do princípio de que diferenças significativas de óbitos entre instituições sinalizam falhas na qualidade do cuidado ofertado.

    A taxa de readmissão foi usada para medir a eficácia do tratamento inicial, visto que um volume alto de novas internações costuma refletir alta médica precoce ou abordagem clínica insuficiente.

    Os resultados mostram que a transição para o modelo de OSS não prejudicou as métricas e evidenciou que a maior rotatividade dos leitos não comprometeu a segurança e o desfecho clínico dos pacientes.

    O estudo também apontou que a flexibilidade em compras e contratação de pessoal resultou em melhor custo-benefício para o orçamento público .

    "Sabemos que a gestão de pessoas dentro do setor público tende a ser um pouco mais lenta e burocrática, como na contratação e na demissão de funcionários. O estudo mostra que, quando a OSS assume, faz mudanças muito rápidas na composição das equipes. O mesmo ocorre com equipamentos e insumos básicos, necessários para um leito operar, que passam a ser comprados rapidamente ", diz Fontes.

    O pesquisador afirma, contudo, que as OSS não devem ser vistas como única solução para a saúde pública e que o sucesso depende da entidade contratada.

    Ao estratificar os dados, o estudo revelou que os impactos positivos estão concentrados nos hospitais assumidos por OSS experientes. Nas instituições repassadas a gestoras com pouca bagagem no setor, os efeitos práticos foram quase nulos.

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    Os hospitais gerenciados por OSS experientes apresentaram aumentos muito maiores nas admissões (54%, contra 21% das menos experientes) e na rotatividade de leitos (40%, contra 3%), além de quedas mais expressivas na mortalidade populacional.

    Segundo o professor, o diagnóstico acende um alerta para a formulação de políticas públicas . Os critérios de modelagem dos editais e a escolha de parceiros com histórico comprovado de qualidade são os pilares para o êxito do modelo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/estudo-mostra-que-organizacoes-sociais-elevam-produtividade-e-aumentam-internacoes-em-hospitais.shtml.

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    Equipe médica no Hospital Estadual de Sumaré (SP), na região de Campinas - Divulgação - 17.set.20 · Divulgação - 17.set.20 — Foto: UOL

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