Brasil

    Estudo indica recorde de violência política fora do período de campanha eleitoral

    O Brasil registrou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, período em que não houve disputa eleitoral no país. O número representa uma ocorrência a cada 44 horas e indica um aumento de 18,4% na comparação com os 299 episódios contabilizados no período pré-eleitoral anterior, entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024. Leia mais (09/30/2026 - 14h18)

    Folha de S.Paulo
    30 de setembro de 2026 às 17:18
    Estudo indica recorde de violência política fora do período de campanha eleitoral
    Mulher de cabelos grisalhos presos em coque, usando óculos e camisa preta, fala ao microfone. Ela veste uma medalha com fita vermelha e estrela verde no peito, com fundo desfocado verde. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Mônica Bergamo

    Em menos de quatro meses, Marina Silva foi alvo de três ofensas por parlamentares - Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP · Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP
    Em menos de quatro meses, Marina Silva foi alvo de três ofensas por parlamentares - Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP · Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Brasil registrou 354 casos de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, período em que não houve disputa eleitoral no país. O número representa uma ocorrência a cada 44 horas e indica um aumento de 18,4% na comparação com os 299 episódios contabilizados no período pré-eleitoral anterior, entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024.

    Os dados são parte da versão preliminar da 4ª edição do estudo Violência Política e Eleitoral no Brasil , realizado desde 2016 pelas organizações da sociedade civil Justiça Global e Terra de Direitos.

    Em dez anos de mapeamento, esse é o período de pré-campanha considerado mais violento. Só em 2025, ano sem eleições , foram 225 casos registrados.

    Casos de violência política contra mulheres
    Casos de violência política contra mulheres — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a pesquisa, na maior parte dos episódios (96,3%) as vítimas foram pessoas que já exerciam mandatos ou cargos públicos. Além disso, 63% dos casos envolveram vereadores e prefeitos. Agentes políticos locais também foram os principais alvos dos episódios com intenção letal, incluindo 10 dos 11 assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados.

    A diretora-executiva da Justiça Global, Glaucia Marinho, afirma que o levantamento confirma que a violência não se restringe aos períodos eleitorais e se manifesta especialmente nos municípios.

    "Essa violência atinge diretamente quem ocupa espaços de decisão e exerce poder sobre contratos e recursos públicos. Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas", afirma.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na próxima semana, serão divulgados os números do primeiro turno da campanha eleitoral deste ano, que abrange o período de 16 de agosto, início da propaganda eleitoral, até 4 de outubro.

    As organizações realizam o estudo a partir do monitoramento e checagem diária de reportagens jornalísticas e do cruzamento dessas informações com registros oficiais e denúncias públicas.

    São levados em conta casos de ameaça (foram os mais frequentes, 193), ofensa (71), agressão física (51), atentado (17), assassinato (11), criminalização (6) e invasão (5).

    Na análise por partido, legendas de esquerda estão entre os alvos mais frequentes. Políticos do PT e do PSOL estão no topo dos casos registrados: foram 55 episódios envolvendo vítimas da sigla petista e 52 dirigidos ao PSOL. Na sequência, aparecem PL (45), União Brasil (27), PP (23), PSD (21), Republicanos (20), MDB (14), PSB (14), Podemos (13), PDT (11), PSDB (9).

    O estudo também identifica que, embora as mulheres ocupem cerca de 18% dos cargos legislativos do país, elas foram metade das vítimas (50,6%) dos episódios de violência política, somando casos dirigidos às cis, transexuais e travestis.

    Além disso, em 7 dos 27 episódios coletivos de violência os alvos eram exclusivamente mulheres.

    Ameaças de violência sexual e episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários sobre o corpo e a aparência também tiveram as mulheres como únicas vítimas.

    Um dos exemplos citados ocorreu em junho do ano passado, quando todas as deputadas da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo ) receberam um email com ameaça de morte e estupro . A mensagem também trazia ofensas de cunho misógino, racista e capacitista e citava nominalmente algumas parlamentares.

    Já entre os homens, a violência física representa a maioria (77,2%) dos casos.

    "Os dados confirmam que a violência política contra as mulheres é sistêmica e evidenciam o quanto o nosso sistema democrático impede o acesso delas aos espaços de poder e decisão", diz a coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, Gisele Barbieri.

    com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVE IA e KARINA MATIAS

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/estudo-indica-recorde-de-violencia-politica-fora-do-periodo-de-campanha-eleitoral.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Em menos de quatro meses, Marina Silva foi alvo de três ofensas por parlamentares - Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP · Evaristo Sa -1º. jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)