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    Estudo identifica mecanismo ligado a linfoma agressivo

    Pesquisa identificou proteína ligada ao amadurecimento das células B e aponta possível caminho para novos tratamentos

    Poder360
    22 de agosto de 2026 às 13:20
    Estudo identifica mecanismo ligado a linfoma agressivo
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    Pesquisa identificou proteína ligada ao amadurecimento das células B e aponta possível caminho para novos tratamentos

    O linfoma é um tipo de câncer que ataca o sistema linfático, responsável por produzir as células de defesa do organismo. Há mais de 60 tipos diferentes desse tumor, divididos em 2 grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin.

    Uma das formas mais agressivas, o LDGCB (linfoma difuso de grandes células B), também está entre as mais frequentes na população. Estima-se que 40% dos linfomas não Hodgkin sejam LDGCB, o que representa quase 5.000 novos diagnósticos por ano no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer.

    Para os casos em que a doença resiste, uma alternativa promissora são as terapias celulares, como a CAR-T, que utiliza células do próprio paciente
    Para os casos em que a doença resiste, uma alternativa promissora são as terapias celulares, como a CAR-T, que utiliza células do próprio paciente — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    “O LDGCB é um dos tipos mais agressivos por ter uma capacidade de crescimento muito rápido e por sua facilidade de ocorrer fora dos linfonodos” , explica o hematologista Guilherme Perini, do Centro de Excelência em Linfomas do Einstein Hospital Israelita.

    Por isso, a ciência tem se dedicado a estudar mais esses tumores. Um estudo publicado em março no Journal of Immunology encontrou respostas que podem ajudar a entender sua origem, agressividade e até indicar um novo caminho de tratamento.

    Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Josep Carreras, na Espanha, identificaram, primeiro em células humanas in vitro e depois em animais, um mecanismo pelo qual o linfoma consegue comprometer o sistema imunológico, facilitando sua própria multiplicação.

    Segundo os resultados, o LDGCB age impedindo a expressão de uma proteína responsável pelo amadurecimento das células B, que produzem anticorpos e são uma das principais linhas de defesa do organismo.

    Ao não receberem uma proteína chamada HDAC7, as células passam a se multiplicar de forma descontrolada. O estudo indica que a diminuição dessa proteína foi associada a um prognóstico ruim, possivelmente facilitando o avanço da doença.

    “O linfoma não ataca diretamente a proteína, mas diminui sua expressão de modo que essas células não conseguem chegar aos níveis adequados de HDAC7. Dessa maneira, elas ficam presas em um estado imaturo que as conduz a uma proliferação de forma descontrolada, agressiva e sem serem capazes de cumprir sua função como células de defesa” , explica a pesquisadora Mar Gusi-Vives, uma das autoras do artigo, à Agência Einstein.

    Uma forma de entender o mecanismo é pensar que ele desativa “interruptores” .

    “A presença do tumor não altera a célula de defesa, mas muda como ela manifesta seus genes. Em condições normais e saudáveis, esse interruptor permanece ligado, já que tem um papel importante na maturação da célula. Mas as mutações cancerígenas parecem conseguir desligá-lo permanentemente, mesmo sem comprometer o DNA” , esmiúça Gusi-Vives.

    Esse processo pode ajudar a explicar o que leva o LDGCB a avançar tão rapidamente. A pesquisa também indica como religar o “interruptor” desativado.

    Isso melhorou a saúde de animais com linfoma, além de apresentar bons resultados na redução de células tumorais.

    “Ao fazer a reexpressão dessa proteína, as células conseguiram retomar essa programação de amadurecimento que havia sido interrompida e se desenvolver para se tornarem células de defesa” , analisa Perini.

    “O linfoma surge exatamente quando há um erro na programação da célula, como um bug de computador. A pesquisa identificou a origem desse bug e mostrou que, quando você arruma esse pequeno problema no código, é possível fazer com que a célula volte ao normal” .

    Apesar dos resultados animadores, é preciso cautela.

    “Em pessoas, não é possível reintroduzir a proteína como fizemos em nível experimental” , avisa a pesquisadora. “Em pacientes, o que teremos que buscar é impedir que o tumor bloqueie a expressão da proteína” .

    Também é preciso considerar que o caminho de uma descoberta em animais até se tornar uma terapia eficaz em seres humanos é complexo.

    “Após a prova biológica, demonstrada no estudo, inicia-se um longo caminho para saber se isso pode se reverter em uma terapia. Para isso, a proteína usada tem de ser eficaz e ter pouco efeito em outras células normais” , explica o hematologista do Einstein.

    Atualmente, o tratamento do linfoma difuso de grandes células B combina quimioterapia e imunoterapia. Com diagnóstico precoce e terapias corretas, estima-se que 70% dos pacientes alcancem a remissão completa.

    Para os casos em que a doença resiste, uma alternativa promissora são as terapias celulares, como a CAR-T, que utiliza células do próprio paciente, modificadas geneticamente, para atacar células relacionadas ao câncer sanguíneo.

    “O futuro é a gente ter um arsenal de terapias cada vez mais variado, e novas armas são sempre bem recebidas nessa batalha” , conclui Guilherme Perini.

    “Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein, em 17 de agosto de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .”

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-saude/estudo-identifica-mecanismo-ligado-a-linfoma-agressivo/.

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    Para os casos em que a doença resiste, uma alternativa promissora são as terapias celulares, como a CAR-T, que utiliza células do próprio paciente — Foto: Poder360

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