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    Estudo brasileiro mostra que diabetes pode agravar sequelas da Covid

    Estudo da USP revela que a doença aumenta o risco de complicações cardiovasculares, fragilidade física e perda de mobilidade

    Metrópoles
    8 de setembro de 2026 às 17:33
    Estudo brasileiro mostra que diabetes pode agravar sequelas da Covid
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    Em estudo conduzido na Universidade de São Paulo (USP) concluiu que pessoas com diabetes que tiveram Covid-19 apresentam recuperação mais lenta, tendem a ter mais complicações associadas à Covid longa , pior qualidade de vida e, por isso, precisam de acompanhamento médico mais atento e prolongado.

    A pesquisa, que envolveu 870 pessoas acompanhadas por sete meses após a internação por Covid-19 , constatou que, além de um maior tempo para se recuperar da doença, o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e angina, é ainda maior em comparação aos não diabéticos.

    Além disso, sete meses após a alta hospitalar, o grupo com diabetes demonstrou níveis elevados de fragilidade, maior incidência de quedas e pior qualidade de vida com incapacidade para atividades diárias, desempenho inferior nos domínios físico e cognitivo e dificuldades de mobilidade.

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    “A diabetes não é apenas um fator de risco para a fase aguda da Covid-19, mas também um elemento que prolonga o tempo de recuperação e degrada a qualidade de vida no longo prazo. O estudo deixa evidente a necessidade de uma estrutura de saúde para atender a essa população com diabetes que foi infectada pelo vírus SARS-CoV-2, de modo a evitar que esses sobreviventes fiquem presos em um ciclo de reinternações”, afirma a chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FM-USP), Maria Elizabeth Rossi da Silva, em entrevista à agência Fapesp. Primeira fase da pandemia O trabalho, que comparou 320 pacientes com diabetes e 550 sem a doença, recrutou mais de 3 mil indivíduos internados no Hospital das Clínicas entre março e setembro de 2020, período que corresponde à primeira fase da pandemia no Brasil, quando ainda não havia vacinas disponíveis. Os participantes passaram por uma avaliação presencial que incluiu exame físico e laboratorial.

    Enquanto 94,3% dos pacientes sem diabetes tiveram recuperação plena, 89,8% entre aqueles com a doença relataram o mesmo. Maria Elizabeth explica que a infecção pelo SARS-CoV-2 coloca o sistema cardiovascular dos diabéticos sob grande estresse.

    “A inflamação sistêmica provocada pela diabetes se soma à toxicidade direta do vírus, criando um cenário em que o coração se torna um dos principais alvos de complicações graves. E o risco aumenta conforme o número de comorbidades do paciente”, afirma. No grupo com diabetes , o vírus comprometeu a mobilidade de forma severa , sendo que 21,1% desses pacientes relataram quedas após a alta, quase o dobro do observado no grupo sem a doença (11,1%).

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    Foto colorida de dedo com gota de sangue - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Para além das particularidades metabólicas, a pesquisadora considera importante compreender as dificuldades socioeconômicas associadas à diabetes no atendimento clínico. Ela destaca que desigualdades sociais influenciam os desfechos da doença, como baixo acesso a cuidados médicos, estresse, alimentação não saudável e falta de tempo para a prática de atividade física.

    “As políticas de saúde devem considerar essas particularidades, oferecendo acompanhamento específico para pacientes com diabetes no pós-Covid”, conta.

    Além disso, 7,3% dos participantes não diabéticos desenvolveram a doença após a infecção pelo SARS-CoV-2 . Para a pesquisadora, no entanto, embora não se possa descartar o papel direto do vírus na destruição de células do pâncreas, é provável que a Covid-19 tenha desmascarado casos preexistentes ou que o quadro inflamatório grave tenha servido como gatilho em pessoas já predispostas.

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    Para a pesquisadora, é importante entender como a Covid-19 impacta a diabetes ao longo do tempo, por isso o estudo com os pacientes internados no HC na primeira fase da pandemia continua. Os pesquisadores estão analisando, agora, os dados coletados três anos após a infecção.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/estudo-brasileiro-mostra-que-diabetes-pode-agravar-sequelas-da-covid.

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