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    Estudo brasileiro investiga origem de doença do influenciador Lito Sousa

    Pesquisadoras da UFRJ e do CNPEM utilizam o Sirius, maior acelerador de partículas da América Latina, para entender como uma proteína causa a doença rara

    CNN Brasil
    31 de agosto de 2026 às 16:06
    Estudo brasileiro investiga origem de doença do influenciador Lito Sousa
    Foto: CNN Brasil

    A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) , diagnosticada no influenciador Lito Sousa, de 59 anos, é estudada por pesquisadoras brasileiras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A pesquisa investiga a proteína que está ligada à origem da DCJ , que integra um grupo raro de condições neurológicas chamadas de doenças priônicas.

    O estudo foi publicado na revista Science Advances e utilizou a linha de luz Cateretê do Sirius, o acelerador de partículas de 68 mil metros quadrados lozalizado no CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). Inaugurada em 2018, a infraestrutura de pesquisa é considerada a maior e mais complexa já construída no Brasil.

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    Lito Sousa conqusita 4 milhões no canal • Reprodução/Instagram · • Reprodução/Instagram — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Doenças causadas por príons ou encefalopatias espongiformes transmissíveis são um grupo de doenças neurodegenerativas com longos períodos de incubação e que podem afetar seres humanos e outros animais.

    A doença de Creutzfeldt-Jakob e a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), popularmente conhecida como “doença da vaca louca”, estão entre as mais conhecidas do grupo.

    Apesar de raras, a principal marca dessas doenças é a evolução ultra rápida do quadro clínico, já que, atualmente, não existe terapia capaz de reverter ou estancar a evolução. Além disso, são as únicas doenças conhecidas que são causadas por proteínas.

    Acelarador de partículas no CNPEM, considerado o maior da América Latina, é usado na pesquisa • CNPEM
    Acelarador de partículas no CNPEM, considerado o maior da América Latina, é usado na pesquisa • CNPEM — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As condições são provocadas por um príon, partícula de proteína anormal altamente estável e resistente a métodos de desinfecção convencionais.

    Todos os seres humanos possuem a proteína priônica (codificada pelo gene PRNP) no cérebro. No entanto, quando sua estrutura é alterada para uma forma aberrante, conhecida como PrPSC, ela se torna um agente infeccioso capaz d e se ligar à proteína normal e também convertê-la em sua forma aberrante.

    Isso pode ocorrer devido a razões genéticas ou fatores ainda não compreendidos pela ciência, e pode causar danos neurológicos significativos , sendo inevitavelmente fatal.

    Lito Sousa e Creutzfeldt-Jakob: especialista explica doença degenerativa
    Lito Sousa e Creutzfeldt-Jakob: especialista explica doença degenerativa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As doenças priônicas podem ser esporádicas, familiares ou adquiridas, sendo a forma esporádica a mais comum entre seres humanos. Acredita-se que essa forma se dá por um erro nos processos celulares, fazendo com que a PrPC seja convertida em PrPSC de forma espontânea.

    As pesquisas na área investigam o papel dos íons de cobre no surgimento e na evolução dessas condições . Mariana Juliani do Amaral, autora principal do estudo, explica que esses íons se concentram na fenda sináptica — região de comunicação entre os neurônios — e passam a desencadear reações químicas nocivas.

    Eles geram as chamadas espécies reativas de oxigênio (ROS), que reagem com biomoléculas como lipídios, proteínas e DNA, provocando mutações ou a agregação de proteínas”, afirma. A pesquisadora destaca ainda a relevância ampla dos achados: “As espécies reativas de oxigênio são um ponto em comum em todas as doenças neurodegenerativas. Por isso, embora focado na proteína príon, o trabalho traz insights aplicáveis a outras enfermidades.

    Lito Sousa: entenda como é feito diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob
    Lito Sousa: entenda como é feito diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O estudo utilizou técnicas avançadas de análise, como a espectroscopia de correlação de fótons de raios X (XPCS) da linha Cateretê do Sirius, para investigar a dinâmica desses condensados intracelulares.

    Aline Ribeiro Passos, pesquisadora do CNPEM e coautora do artigo, destaca que técnicas de caracterização convencionais trazem informações sobre o todo, e não as informações necesásárias para o estudo.

    As pesquisadoras precisavam de informações sobre os condensados intracelulares, e a coerência do feixe gerado pelo Siriuspossibilita a realização do estudo da dinâmica em escala micrométrica, fornecendo informações quantitativas da fase condensada e da forma líquida ou gel das gotículas de proteína.

    Brasil teve mais de mil suspeitas da doença Creutzfeldt-Jakob em 16 anos
    Brasil teve mais de mil suspeitas da doença Creutzfeldt-Jakob em 16 anos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Com concentrações extremamente altas, as gotículas representam um marco na compreensão da interação entre a proteína príon e os íons de cobre . A descoberta reforça a hipótese de que essas estruturas evoluem para agregados mais estáveis ao longo do tempo, desencadeando danos celulares e a progressão de doenças neurodegenerativas.

    “Esta é uma área bastante promissora porque oferece novas oportunidades para tratamento. Nós não sabíamos que havia esse intermediário entre a forma solúvel a forma agregada de proteínas. E essas gotículas líquidas podem ser bons alvos farmacológicos, já a forma agregada não. Se conseguirmos manter a forma líquida dessas gotículas, talvez possamos impedir a progressão dessas doenças neurodegenerativas.”, comenta Mariana.

    O trabalho foi desenvolvido em conjunto com outras pesquisadoras, incluindo a professora Susanne Wegmann, do DZNE (German Center for Neurodegenerative Diseases), que faz parte de um grupo focado em descrever processos de separação de fase nessas circunstâncias.

    Pesquisadoras Mariana Juliani do Amaral (UFRJ), Yraima Cordeiro (UFRJ) e Aline Ribeiro Passos (CNPEM)
    Pesquisadoras Mariana Juliani do Amaral (UFRJ), Yraima Cordeiro (UFRJ) e Aline Ribeiro Passos (CNPEM) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Lito Sousa: “Há pouco financiamento para estudar a doença”, afirma pesquisador | CNN AGORA

    Acelarador de partículas no CNPEM, considerado o maior da América Latina, é usado na pesquisa • CNPEM
    Acelarador de partículas no CNPEM, considerado o maior da América Latina, é usado na pesquisa • CNPEM — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Pesquisadoras Mariana Juliani do Amaral (UFRJ), Yraima Cordeiro (UFRJ) e Aline Ribeiro Passos (CNPEM) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Lito Sousa e Creutzfeldt-Jakob: especialista explica doença degenerativa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
    Brasil teve mais de mil suspeitas da doença Creutzfeldt-Jakob em 16 anos
    Brasil teve mais de mil suspeitas da doença Creutzfeldt-Jakob em 16 anos — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Lito Sousa: entenda como é feito diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Lito Sousa: “Há pouco financiamento para estudar a doença”, afirma pesquisador | CNN AGORA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/estudo-brasileiro-investiga-origem-de-doenca-do-influenciador-lito-sousa/.

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