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    Estresse na adolescência pode afetar o cérebro adulto, diz estudo

    Estudo da USP com ratos identificou que o estresse causa mudanças que persistiram na fase adulta em circuitos ligados às emoções

    Metrópoles
    15 de agosto de 2026 às 16:40
    Estresse na adolescência pode afetar o cérebro adulto, diz estudo
    Foto: Metrópoles

    O estresse durante a adolescência pode provocar alterações cerebrais que permanecem na vida adulta. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP ), publicado na revista científica Cerebral Cortex.

    A pesquisa comparou os efeitos do estresse em ratos adolescentes e adultos. Os resultados indicam maior vulnerabilidade durante a adolescência, período em que o cérebro ainda está amadurecendo.

    Os pesquisadores observaram que animais submetidos ao estresse na adolescência apresentaram mudanças persistentes no córtex pré-frontal medial, região envolvida no controle das emoções, na tomada de decisões e no comportamento.

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    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Nos ratos expostos ao mesmo protocolo já adultos, as alterações foram principalmente temporárias. “Quando o mesmo protocolo de estresse é aplicado a animais adultos, ele causa alterações de curto prazo no organismo, que tende a se recuperar dessas alterações , ainda menos pronunciadas quando comparadas àquelas induzidas pelo estresse na adolescência”, explica Felipe V. Gomes, coordenador do estudo. Leia também Saúde Composto da cannabis é eficaz no tratamento do estresse pós-traumático Saúde Estudo identifica neurônios que protegem o coração durante o estresse Claudia Meireles Além do estresse: médica lista hábitos que aumentam o cortisol Saúde Falar dormindo não é problema, mas pode sinalizar estresse e ansiedade O que o estresse mudou no cérebro No experimento, ratos adolescentes, entre os dias pós-natais 31 e 40, e adultos, entre os dias 65 e 74, foram submetidos a um protocolo que combinava contenção física e estímulos elétricos nas patas. A atividade cerebral foi analisada semanas depois.

    Os cientistas se concentraram no equilíbrio entre neurônios glutamatérgicos, que estimulam a atividade cerebral e funcionam como um “acelerador”, e GABAérgicos, responsáveis por reduzir a atividade e atuar como um “freio”.

    Entre os animais expostos ao estresse na adolescência, as alterações continuaram presentes quando eles chegaram à idade adulta. Os principais achados foram:

    Foto colorida de dois adolescentes estressados se encarando - Metrópoles.
    Foto colorida de dois adolescentes estressados se encarando - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Alterações no equilíbrio entre os sistemas excitatório e inibitório e nas oscilações cerebrais também são observadas em transtornos psiquiátricos. Os achados ajudam a entender possíveis mecanismos pelos quais experiências estressantes durante a adolescência podem aumentar a vulnerabilidade a problemas de saúde mental posteriormente.

    A pesquisa, porém, não significa que adolescentes expostos ao estresse necessariamente desenvolverão transtornos mentais. O trabalho foi realizado em ratos e investigou mecanismos biológicos que podem aumentar a vulnerabilidade, sem estabelecer uma relação direta de causa e efeito em humanos.

    Para Gomes, compreender quem apresenta maior sensibilidade pode abrir caminho para estratégias de prevenção. “Se conseguirmos identificar indivíduos com a responsividade aumentada ao estresse, e atuarmos preventivamente, dando suporte para lidar com situações diversas, podemos frear o desenvolvimento desses transtornos ”, afirma. Os resultados apontam, portanto, para a adolescência como um período especialmente sensível aos efeitos do estresse e ajudam a explicar por que experiências vividas durante a fase podem repercutir no funcionamento cerebral mais tarde.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/estresse-na-adolescencia-pode-afetar-o-cerebro-adulto-diz-estudo.

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