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    Estrela mais rápida já registrada orbita buraco negro no centro da Via Láctea

    Cientistas detectaram a estrela mais rápida já conhecida, segundo estudo publicado na última quarta (19) na revista Nature . Ela gira em torno do buraco negro supermassivo Sagitário A*, na Via Láctea, e pode ser a chave para que se possa medir, pela primeira vez, a rotação dele. Leia mais (08/20/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 16:00
    Estrela mais rápida já registrada orbita buraco negro no centro da Via Láctea
    Quatro painéis mostram posições e órbitas de estrelas ao redor de Sagitário A* em datas de 2021 a 2025. As estrelas S2, S29, S38, S55, S62 e S471 estão indicadas com trajetórias elípticas visíveis, destacando movimento orbital próximo ao ce — Foto: Folha de S.Paulo

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    Cientistas detectaram a estrela mais rápida já conhecida, segundo estudo publicado na última quarta (19) na revista Nature . Ela gira em torno do buraco negro supermassivo Sagitário A*, na Via Láctea, e pode ser a chave para que se possa medir, pela primeira vez, a rotação dele.

    A estrela S301 e o buraco negro Sagitário A*, também chamado apenas de Sgr A*, em registro feito por meio do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) - ESO/Gravity/via Reuters · ESO/Gravity/via Reuters
    A estrela S301 e o buraco negro Sagitário A*, também chamado apenas de Sgr A*, em registro feito por meio do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) - ESO/Gravity/via Reuters · ESO/Gravity/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Batizada de S301, a estrela tem mais massa que o Sol e também é bem mais brilhante que ele. Sua velocidade, enquanto orbita Sagitário A* —também chamado apenas de Sgr A*—, é estimada em até 90 milhões de quilômetros por hora. Isto é, 100 mil vezes mais rápido que um avião de carreira ou 8% da velocidade da luz.

    Nenhuma outra estrela, em nossa galáxia ou fora dela, jamais foi registrada a essa velocidade.

    A estrela percorre uma trajetória altamente elíptica ao redor de Sgr A* e leva 8,7 anos para completar uma órbita. Em sua maior aproximação do buraco negro, ela fica a uma distância orbital média que equivale a 11,5 vezes a distância da Terra até o Sol.

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    Buracos negros são objetos extraordinariamente densos, com uma gravidade tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar deles. O Sgr A* tem cerca de 4 milhões de vezes a massa do Sol e está localizado a 26 mil anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de quilômetros.

    Embora o Sgr A* esteja em estado de quiescência, sua atração gravitacional é considerável, o que significa que poderia engolir estrelas ou outros materiais que se aproximassem demais dele. Já S301 deve continuar a salvo, segundo os pesquisadores.

    "A orientação da órbita mudará, mas a estrela não corre o risco de ser engolida", disse o astrofísico Stefan Gillessen, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, um dos autores da nova pesquisa.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não se conhece nenhuma outra estrela que orbite tão perto de Sgr A* quanto S301.

    Gillessen afirmou que, ao que tudo indica, S301 originalmente fazia parte de um sistema de binário e estava gravitacionalmente ligada a uma estrela companheira. Mas, em algum momento, enquanto viajavam pelo espaço, as duas se aproximaram demais do buraco negro, e a interação gravitacional entre os três corpos que se seguiu causou estragos.

    "Uma das estrelas é arremessada para fora do centro da Via Láctea em alta velocidade, chegando até mesmo a deixar a galáxia. A outra fica presa para sempre em uma órbita próxima ao buraco negro. Essa é S301", explicou o astrofísico.

    Os pesquisadores observaram S301 por meio do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI), do Observatório Europeu do Sul, no Chile.

    O VLTI combina a luz de quatro telescópios de oito metros para criar um telescópio virtual, cuja resolução espacial é 15 vezes superior à de um único telescópio de oito metros.

    A influência contínua que Sgr A* exerce sobre S301 durante sua órbita pode permitir que os cientistas compreendam melhor o buraco negro, inclusive, possivelmente, medindo sua rotação.

    "Até o momento, sabemos muito pouco sobre a rotação de Sgr A*", afirmou Felix Mang, coautor do estudo e doutorando no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre.

    Acredita-se que os buracos negros girem a tal ponto que distorcem o próprio tecido do espaço-tempo ao seu redor. No entanto, confirmar essa rotação é difícil porque eles não emitem nem refletem luz.

    "Só podemos observar sua rotação por meio dos efeitos que ela exerce sobre o espaço ao redor", disse Gillessen.

    Os pesquisadores afirmaram que o movimento de S301 continua sujeito à influência de Sgr A*.

    "Durante sua órbita, a estrela se aproxima tanto de Sgr A* que chega, de fato, a sentir a rotação do buraco negro*", afirmou o astrofísico.

    "Não se trata de uma oscilação, como um movimento de vaivém, mas sim de a estrela ser desviada para uma órbita ligeiramente diferente cada vez que passa pelo buraco negro", acrescentou o pesquisador.

    "Isso significa que, se observarmos essa mudança na órbita por mais uma década, deveremos ser capazes de determinar diretamente a rotação do buraco negro. Até hoje, nunca se conseguiu fazer uma medição desse tipo."

    Os astrônomos devem continuar observando S301, que fará sua próxima passagem pelo ponto mais próximo do buraco negro em 2031.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/estrela-mais-rapida-ja-registrada-orbita-buraco-negro-no-centro-da-via-lactea.shtml.

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    A estrela S301 e o buraco negro Sagitário A*, também chamado apenas de Sgr A*, em registro feito por meio do Interferômetro do Very Large Telescope (VLTI) - ESO/Gravity/via Reuters · ESO/Gravity/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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