Estônia acusa Rússia por ataque a fábrica de drones; Kremlin nega
A Estônia acusou nesta terça-feira (29) a Rússia de ter incendiado uma fábrica de drones terrestres usados pela Ucrânia em sua guerra contra a invasão promovida por Vladimir Putin em fevereiro de 2022. Leia mais (09/29/2026 - 08h30)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Estônia acusou nesta terça-feira (29) a Rússia de ter incendiado uma fábrica de drones terrestres usados pela Ucrânia em sua guerra contra a invasão promovida por Vladimir Putin em fevereiro de 2022.

Com isso, a nação báltica tornou-se, depois da Alemanha, o segundo país integrante da aliança militar Otan a responsabilizar de forma direta Moscou por um ataque contra seu território. O Kremlin negou a imputação, dizendo que já nem leva tal discurso em consideração.
"O ataque incendiário à Milrem Robotics foi ordenado pelos serviços especiais russos", afirmou o primeiro-ministro estoniano, Kristen Michal. O fogo ocorreu na fábrica da empresa na capital Tallinn, na noite de 14 para 15 de agosto.
"Isso é parte da campanha mais ampla em toda a Europa para nos intimidar e reduzir nosso apoio à Ucrânia. Não vai funcionar", completou Michal, que anunciou um inquérito criminal ainda em curso sobre o episódio.

A Milrem é a principal fabricante de drones terrestres do mundo. Em parceria com a Holanda, onde tem uma linha de montagem, deve entregar 150 modelos TheMis a Kiev neste ano. Os robôs se movem com esteiras e podem ser usados para transporte, reconhecimento e combate quando armados com metralhadoras.
Também nesta terça, o secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, esteve em outro Estado Báltico em alta tensão com a Rússia, a Lituânia . Disse que o ataque na Estônia é grave e que "as ações da Rússia estão ficando cada vez mais hostis e menos contidas".
Ele admitiu que a chamada guerra híbrida , quando o agressor age de forma a não poder ser identificado de forma clara, "está tendo um impacto" na Europa. Mas reafirmou que os russos "estão falhando em minar" o apoio à Ucrânia.

Em relação a medidas para conter o risco percebido, ele disse que a Otan "tem todas as opções de resposta, às vezes visíveis, às vezes não".
É fato, e os países do grupo criado pelos Estados Unidos em 1949 têm instrumentos como recursos a ciberataques e outras medidas. Mas nada sugere que esse tipo de ação tenha muito efeito enquanto drones e mísseis da Ucrânia caem diariamente sobre cidades russas.
Comentando o caso nesta terça, o chanceler Serguei Lavrov repetiu um mantra de Putin , que vai de encontro a esse raciocínio acerca da acusação de guerra híbrida: "Não há dúvidas de que o Ocidente está travando guerra com a Rússia".

Para a Otan, há limites. Se um país da aliança entrar em conflito direto com a Rússia, a cláusula de defesa mútua do grupo poderá ser acionada, arriscando uma guerra ampla e potencialmente nuclear. Isso sempre foi a régua usada pelos EUA para dosar o apoio a Kiev, por exemplo, que nunca envolveu tropas, por exemplo.
No entorno do Kremlin, há a percepção de que Putin poderá testar essas fronteiras, primeiro com ataques híbridos, depois com uma ação contra um país mais fraco da aliança, como a Estônia.
O governo Donald Trump , simpático ao russo e que tenta mediar a paz na Ucrânia, seria a janela ideal para isso pela inapetência que o americano tem em relação a seus aliados europeus. A questão é se a Rússia teria coragem de apostar nisso.
O caso estoniano é mais sério por envolver uma acusação formal, como Berlim fez ao dizer que o Kremlin estava por trás de um ataque fracassado com drones armados a aviões de carga ucranianos no aeroporto de Leipzig, também em agosto.
Como em outras ocasiões, uma fila de líderes europeus se formou para prestar solidariedade a Tallinn. O presidente francês, Emmanuel Macron , disse que "a proliferação desses atos hostis reflete uma escalada perigosa da parte da Rússia".
O premiê sueco, Ulf Kristersson, disse que o episódio foi "extremamente sério", enquanto a União Europeia afirmou que o bloco está unido com a Estônia, pequena ex-república soviética que sempre está na linha de frente dos temores de um embate com Moscou por sua fragilidade militar e exposição geográfica.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
Ao lado de Rutte, o primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius, adotou, por outro lado, um discurso diferente do de outros colegas europeus.
Criticou Moscou, mas disse que a Rússia não está preparando uma ação militar iminente contra algum integrante da Otan, como alertaram a Polônia, a Alemanha e a Dinamarca. "Não há evidência de que a Rússia esteja se preparando", disse o político.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/estonia-acusa-russia-por-ataque-a-fabrica-kremlin-nega.shtml.

Drone armado com metralhadora da Milrem Robotics, empresa estoniana que sofreu um incêndio criminoso - Yuichi Yamazaki - 7.jun.26/AFP · Yuichi Yamazaki - 7.jun.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

