Brasil

    Este filme já passou e no fim o bandido morre. Mas se não morrer?

    O avanço do extremismo e a farsa do "Bolsonaro bonzinho" mostram que o perigo autoritário continua vivo para as próximas eleições

    Metrópoles
    24 de agosto de 2026 às 07:30
    Este filme já passou e no fim o bandido morre. Mas se não morrer?
    Foto: Metrópoles

    Saudades de quando Flávio Bolsonaro ensaiava, meio sem jeito, dancinhas despojadas de graça e se apresentava como a versão moderada do pai — aquela tão desejada pelo Brasil, segundo ele. Agora, Flávio desfila pelos palcos do país como uma cópia quase perfeita do pai, condenado a 23 anos e sete meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. É uma cópia quase perfeita porque o pai tem carisma e ele não, além de o pai ser muito mais inteligente do que o filho.

    O escândalo do Banco Master começou a derrubar a farsa do Flávio bonzinho, educado e conciliador. Uma vez que fracassou na tarefa de atrair o apoio de outros partidos ao seu nome, restou-lhe se conformar com o que de fato é: aliado de milicianos, adepto de práticas heterodoxas no manuseio do dinheiro público, capaz de prestar vassalagem a presidentes estrangeiros e de negociar os interesses nacionais, se preciso for, para se eleger.

    Com isso, está de volta o Flávio defensor da retirada de circulação, “em pé ou deitado”, de bandidos, “porque quem tem de andar nas ruas é a população”. Está de volta o Flávio que também promete aprovar no Congresso a castração química para estupradores de crianças e mulheres. “Não gostou? Vote em defensor de bandido”, ele sugere. Está de volta o Flávio que ataca a segurança das urnas eletrônicas e se propõe a reformar, ao seu gosto, o Poder Judiciário.

    Esse filme já passou, e no fim o bandido morre. Mas isso foi no tempo em que o espectador sabia distinguir com clareza entre bandido e mocinho. Na era da busca incessante por justiceiros, o bandido pode parecer mais eficaz do que o mocinho de bons modos. Os ritos da democracia costumam ser mais lentos do que os da ditadura, e os golpistas se aproveitam disso para alcançar seus objetivos. Espantoso é que o façam em nome da democracia e da liberdade de expressão.

    Por fim, derrotar o bolsonarismo pela segunda vez consecutiva não o sepultará para sempre, mas daqui a quatro anos ele estará mais fraco. Pensem nisso na hora de votar.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/ricardo-noblat/este-filme-ja-passou-e-no-fim-o-bandido-morre-mas-se-nao-morrer.

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