Estamos preocupados, diz relator da reestruturação dos Correios no TCU
Ministro Benjamin Zymler afirmou que Tribunal analisa as garantias oferecidas pela União para plano de recuperação da estatal

Ministro Benjamin Zymler afirmou que Tribunal analisa as garantias oferecidas pela União para plano de recuperação da estatal
O ministro Benjamin Zymler , relator da reestruturação dos Correios no TCU (Tribunal de Contas da União), disse ao Poder360 nesta 2ª feira (31.ago.2026) que a Corte seguirá acompanhando o processo de recuperação da estatal e a execução dos empréstimos tomados pela empresa sob garantia da União.
“Nós estamos preocupados com os Correios. Tem mais de 80 mil funcionários e é um patrimônio público importante. Portanto, nós estamos preocupados e atentos à continuidade desse procedimento” , afirmou Zymler.

Segundo o ministro, o TCU está acompanhando a evolução da situação dos Correios em 2 processos distintos. Um analisa se as garantias oferecidas pela União para os empréstimos tomados pela estatal são adequadas e respeitam a responsabilidade fiscal e boas práticas contábeis.
O 2º acompanha o plano de reestruturação da empresa, aprovado em novembro. O planejamento estabelece a necessidade de R$ 20 bilhões para tentar garantir liquidez e viabilizar a transição para um novo modelo operacional, depois de anos consecutivos de prejuízos bilionários .
Desse montante, R$ 12 bilhões vêm de um empréstimo firmado em dezembro entre a estatal e um consórcio de 5 bancos. Outros R$ 6 bilhões serão viabilizados pela União, responsável pela garantia do acordo.

A inclusão da cláusula com o aporte foi um pedido feito por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander durante as negociações do empréstimo . Como mostrou o Poder360 , os recursos serão previstos no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027, que será encaminhado pelo governo ao Congresso nesta 2ª feira (31.ago).
Zymler afirmou que o TCU pretende avaliar o processo pelo qual a União fará os aportes na estatal.
“Isso é uma política pública discricionária do governo, que está buscando reerguer os Correios. A forma pela qual ele vai fazê-lo depende do governo. O Tribunal não cria políticas públicas. Ele analisa se as políticas públicas criadas são adequadas ou não” , disse o ministro.

Apesar de ter participado das negociações do empréstimo por meio do Ministério da Fazenda, o governo ainda não aportou recursos próprios nos Correios. A participação da União até o momento se restringe à garantia via Tesouro: terá que pagar a dívida aos bancos caso a estatal não o faça.
Segundo o contrato do empréstimo, o aporte de R$ 6 bilhões precisa ser feito até o final de 2027, mas o momento e a distribuição do montante ficam a critério da União. Em maio, a obrigação foi reforçada pelo TCU, que determinou ao governo a criação de regras para viabilizar os recursos dentro do prazo.
O acordo fechado com os bancos determina que o governo deverá quitar o vencimento antecipado da dívida em caso de “ausência de aporte da União aos Correios dos valores necessários para a boa execução do plano de reequilíbrio em, no mínimo, R$ 6 bilhões, entre os exercícios de 2026 e 2027, nos termos da legislação vigente”.
Se o governo não fizer este pagamento, os bancos podem cobrar toda a dívida de R$ 12 bilhões de uma só vez, e a União precisará arcar com a totalidade do valor, mais os encargos.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/estamos-preocupados-diz-relator-da-reestruturacao-dos-correios-no-tcu/.

O ministro Benjamin Zymler é o relator do processo que acompanha a reestruturação dos Correios no TCU — Foto: Poder360
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