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    Estados do Golfo adiam negociações com o Irã devido a impasse em Ormuz

    Os Estados do Golfo adiaram uma reunião crucial com o Irã sobre a gestão do estreito de Hormuz por falta de consenso, prejudicando os esforços regionais para reduzir as hostilidades em torno dessa hidrovia vital. Leia mais (09/13/2026 - 23h22)

    Folha de S.Paulo
    14 de setembro de 2026 às 02:22
    Estados do Golfo adiam negociações com o Irã devido a impasse em Ormuz
    Três grandes navios cargueiros alinhados no horizonte sobre o mar, com o primeiro navio em destaque à frente e os outros dois parcialmente visíveis atrás, sob céu claro e mar levemente agitado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Os Estados do Golfo adiaram uma reunião crucial com o Irã sobre a gestão do estreito de Hormuz por falta de consenso, prejudicando os esforços regionais para reduzir as hostilidades em torno dessa hidrovia vital.

    Trecho do estreito de Hormuz - Ministerio de Información de Omán/via Xinhua · Ministerio de Información de Omán/via Xinhua
    Trecho do estreito de Hormuz - Ministerio de Información de Omán/via Xinhua · Ministerio de Información de Omán/via Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A reunião de ministros das Relações Exteriores estava marcada para segunda-feira (14), em Omã, onde se esperava que o Irã e seus vizinhos árabes discutissem um acordo entre Teerã e Mascate para administrar temporariamente a navegação pelo estreito.

    O Irã vem restringindo a navegação pela hidrovia desde que os EUA e Israel iniciaram sua guerra contra a República Islâmica, em fevereiro, transformando-a em um dos principais campos de batalha do conflito. Os preços do petróleo subiram após o anúncio do adiamento.

    O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, afirmou que, "em nome do consenso, a reunião regional marcada para amanhã em Salalah foi adiada".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Continuamos empenhados em promover um diálogo que favoreça a estabilidade e uma cooperação duradoura em nossa região", escreveu ele em uma publicação no X.

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    Ele não forneceu mais detalhes. A reunião teria sido a primeira vez, em quase dois anos, que os principais diplomatas dos seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo —Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein— se sentariam em grupo com o chanceler iraniano.

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    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Também se esperava a participação do Iraque. Mas o Bahrein, que ocupa a presidência rotativa do CCG e está entre os Estados do Golfo mais atingidos pelos ataques de retaliação do Irã, informou no sábado que não participaria.

    O adiamento também ocorre no momento em que a Arábia Saudita enfrenta uma crise crescente após um ataque de drone lançado na quinta-feira a partir do Iraque —onde atuam milícias xiitas apoiadas pelo Irã— obrigá-la a fechar um oleoduto que liga o leste do país, rico em petróleo, à costa oeste. O oleoduto tornou-se vital para as exportações sauditas de petróleo desde que o Irã interrompeu o tráfego pelo estreito de Ormuz.

    Rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen também lançaram, na semana passada, sucessivas ondas de mísseis e drones contra a infraestrutura energética saudita no sul do reino, em meio à retomada dos combates na guerra civil iemenita, que já dura mais de uma década.

    Os rebeldes avançaram para o sul ao longo da costa iemenita do Mar Vermelho, fazendo recuar as forças iemenitas alinhadas ao governo e apoiadas pela Arábia Saudita, a fim de reforçar seu controle sobre o estreito de Bab al-Mandeb, outra hidrovia crucial para a navegação internacional.

    Mohammad Ali Bek, alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que a reunião havia sido adiada a pedido de países da região.

    "A República Islâmica do Irã, em estreita consulta com Omã, tomará as providências necessárias para definir um momento adequado para a realização da reunião", acrescentou ele, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

    Omã e Irã esperavam que a reunião, uma iniciativa omanense, garantisse apoio regional ao acordo temporário entre os dois países para administrar a navegação por Ormuz. Segundo o plano, as embarcações entrariam no estreito por águas iranianas e sairiam, em sua maioria, pelo território marítimo de Omã.

    Mascate e Teerã passaram semanas negociando o acordo. No entanto, diplomatas advertiram que, para que o estreito —por onde passava um quinto do petróleo e do gás do mundo antes da guerra— fosse totalmente reaberto, EUA e Irã também teriam de chegar a um entendimento.

    Autoridades iranianas advertiram que, enquanto os EUA mantiverem o bloqueio naval aos portos da República Islâmica, a segurança da navegação pelo estreito não estará garantida.

    O petróleo Brent, referência internacional, subiu 3,5%, para mais de US$ 108 por barril, na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira, após o adiamento das negociações. Mais tarde, devolveu parte dos ganhos.

    A renovação das preocupações com o abastecimento proveniente da região fez os preços superarem US$ 100 na semana passada, alcançando o maior nível desde maio, após os ataques à infraestrutura saudita.

    Um acordo provisório sobre o estreito —concebido para vigorar até que o Irã e seus vizinhos do Golfo cheguem a um entendimento sobre o futuro status desse ponto de estrangulamento marítimo— era visto como um possível caminho para reduzir as hostilidades entre EUA e Irã em torno da hidrovia.

    Inicialmente, esperava-se que um acordo entre Irã e Omã pudesse abrir caminho para o retorno ao memorando de entendimento de curta duração assinado por Irã e EUA em junho.

    O memorando pretendia prorrogar um cessar-fogo por 60 dias, reabrir gradualmente o estreito e levar a negociações sobre um acordo definitivo para encerrar a guerra, incluindo um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.

    Mas Teerã e Washington acusaram-se mutuamente de violar o acordo, em parte devido a uma disputa sobre como os navios deveriam atravessar o estreito —a principal fonte de poder de pressão do Irã—, desencadeando um ciclo crescente de ataques de retaliação.

    Os EUA disseram aos mediadores que não retornarão ao memorando e que só aceitarão um acordo mais abrangente, que também inclua aspectos da questão nuclear.

    O Irã, por sua vez, insiste que, mesmo que conclua um acordo com Omã, só reabrirá totalmente o estreito se os EUA atenderem às suas condições. Entre elas estão a suspensão do bloqueio aos portos iranianos, o restabelecimento de uma isenção que lhe permita vender petróleo e o acesso a parte de seus ativos congelados no exterior.

    Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que o estreito está aberto, as exportações de energia do Golfo continuam fortemente restringidas, e mercadorias não podem ser importadas pela hidrovia.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/estados-do-golfo-adiam-negociacoes-com-o-ira-devido-a-impasse-em-ormuz.shtml.

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