Estações de Leitura levam livros e formação para escolas públicas de SP e aproximam crianças das famílias
Momentos de leitura estimulam a autonomia das crianças na escolha das histórias. Reprodução / Pró-Saber SP Nas salas de aula da EMEI Afonso Sardinha, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, os livros ganharam novos caminhos para chegar às crianças. Desde o segundo semestre de 2024, a escola participa das Estações de Leitura, programa do Pró-Saber SP, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua em Paraisópolis, na Zona Sul da capital, desde 2003 e trabalha com educação, leitura e brincadeira. O programa leva acervo literário, mobiliário e formação continuada para escolas públic
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/K/C/CcDdlaRD2geZFoAJLNOA/img-2778-1-.jpg)
Momentos de leitura estimulam a autonomia das crianças na escolha das histórias. — Foto: Reprodução / Pró-Saber SP
Nas salas de aula da EMEI Afonso Sardinha, em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo , os livros ganharam novos caminhos para chegar às crianças. Desde o segundo semestre de 2024, a escola participa das Estações de Leitura, programa do Pró-Saber SP , organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua em Paraisópolis, na Zona Sul da capital, desde 2003 e trabalha com educação, leitura e brincadeira.
O programa leva acervo literário, mobiliário e formação continuada para escolas públicas de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de organizações sociais que atendem crianças. A proposta é ampliar o acesso à literatura e contribuir para a formação de leitores, com circulação dos livros pelas escolas, empréstimos para casa e formação de educadores.
O projeto também atua em um cenário em que apenas 13% das escolas públicas do estado de São Paulo possuem biblioteca , segundo levantamento da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base em dados do Censo Escolar de 2022. No Brasil, o percentual é de 31%.
Questionada sobre ações para ampliar o acesso a bibliotecas e espaços de leitura na rede estadual, a Secretaria da Educação de São Paulo afirmou que incentiva práticas de leitura, escrita e pesquisa e que as Salas de Leitura integram o trabalho pedagógico das escolas. A pasta também destacou as plataformas Elefante Letrado e Leia SP, que ampliam o acesso dos estudantes a obras literárias.
Professora da rede municipal de São Paulo há 25 anos, Simone Dantas Lopes Bertaggia, de 58 anos, foi escolhida pela gestão da escola para ser a "guardiã" das Estações de Leitura. Segundo ela, a iniciativa ampliou as possibilidades de contato das crianças com a literatura.
"Para nós foi um grande privilégio poder participar de um programa de acesso à leitura que percorre todos os cantos do país levando, sem barreiras, uma literatura infantil diversa, acessível e representativa para todas as crianças", afirma Simone.
As Estações passaram a circular pelas 14 salas da escola. A cada semana, uma turma recebe o espaço e, na sexta-feira, as crianças podem escolher um livro para levar para casa e compartilhar a leitura com a família.
"A chegada das Estações de Leitura do Instituto Pró-Saber SP enriqueceu o acervo da nossa escola, com títulos diferenciados e ampliando as possibilidades de acesso das crianças e famílias à literatura, promovendo experiências diversificadas, significativas e inclusivas", diz a professora.
16 instituições em cinco municípios de SP
Em 2026, as Estações de Leitura estão presentes em 16 instituições de cinco municípios paulistas: São Paulo, Cajamar, Taboão da Serra, Indaiatuba e Guarulhos. São seis instituições na capital, seis em Cajamar, duas em Taboão da Serra, uma em Indaiatuba e uma em Guarulhos.
Escolas e organizações onde as Estações de Leitura está presente — Foto: g1
O relatório do programa aponta que a rede ativa tem, ao todo, 47 instituições, 86 Guardiãs da Leitura e 22.086 alunos, distribuídos por 23 cidades de 12 estados. Entre fevereiro e junho deste ano, foram registrados 12.505 empréstimos de livros.
A EMEI Afonso Sardinha, em Pirituba, é uma das escolas que aparece entre as instituições de destaque do primeiro semestre, com participação superior a 89% nas ações avaliadas pelo programa.
Para Maria Cecília Lins, diretora-presidente do Pró-Saber SP, o objetivo do projeto não é apenas colocar livros dentro das escolas. A proposta combina a criação ou a renovação dos espaços de leitura com formação dos educadores e uma rede de troca de experiências.
"Mais do que instalar uma estante e entregar livros, o programa busca fazer com que cada Estação se torne um espaço vivo: com leitura frequente em voz alta, empréstimo de livros para casa, participação das famílias, atividades literárias e circulação de experiências entre as instituições", afirma Maria.
A iniciativa começou a ser desenhada em dezembro de 2023 e teve um projeto-piloto em 2024. A experiência acumulada pelo Pró-Saber SP em mais de duas décadas de trabalho com formação de leitores em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, serviu de base para a criação da rede nacional de Guardiões da Leitura.
O programa foi criado para enfrentar três desafios identificados na rotina educacional: garantir a leitura literária em voz alta diariamente, ampliar o acesso das crianças aos livros em casa e reconhecer e fortalecer os educadores que promovem a leitura nas escolas e organizações.
"A proposta parte do entendimento de que formar leitores não depende somente da presença dos livros. É necessário que os livros circulem, sejam lidos, provoquem conversas e façam parte da vida das crianças dentro e fora da escola", diz Maria.
Festa dos 100 livros do Pró-Saber SP — Foto: Nego Júnior
Uma das estratégias é o Ler em Casa, que estimula os empréstimos frequentes de livros para que as crianças possam continuar a experiência de leitura com familiares. Outra é a Festa dos 100 Livros, que celebra quando uma turma alcança a marca de 100 histórias lidas em voz alta pelo educador.
"Eu costumo fazer uma comparação: se comemoramos o centésimo gol de um jogador de futebol, por que não celebrar com a mesma importância o marco de 100 livros na vida de uma criança?", afirma Maria. "Formar-se como leitor também é uma grande conquista e merece ser reconhecida publicamente."
Crianças também levam a leitura para casa
A circulação dos livros para além dos muros da escola é uma das principais apostas do programa. Entre fevereiro e junho, foram 12.505 empréstimos.
Na EMEI Afonso Sardinha, Simone conta que o momento de escolher o livro é pensado para que as crianças tenham autonomia.
"A Estação de Leitura do projeto percorre por todas as quatorze salas, levando histórias, experiências, sonhos e descobertas, fazendo da leitura uma experiência viva, acessível e cheia de encantamento para cada criança", afirma.
A escola também participa das formações oferecidas pelo Pró-Saber SP. Entre fevereiro e junho, foram realizados cinco encontros formativos, com temas como livros de imagem, contação de histórias, compartilhamento de práticas e leitura em família.
"O encontro dos guardiões fortalece a troca de experiências, amplia os olhares sobre a literatura infantil e reafirma a importância de criar, no cotidiano escolar, espaços que aproximem as crianças dos livros e da leitura", afirma Simone.
Curadoria parte de biblioteca em Paraisópolis
A seleção dos livros que chegam às Estações de Leitura é feita pela equipe do Pró-Saber SP a partir da experiência da Biblioteca Mais Linda do Mundo, em Paraisópolis. O espaço funciona como polo cultural aberto à comunidade e mantém livros disponíveis para empréstimo aos moradores.
A curadoria considera a qualidade literária e estética das obras e busca reunir diferentes gêneros, formatos, autores, ilustradores e representações da infância, incluindo produções de autores indígenas e afro-brasileiros.
Contação de História na Biblioteca do Pró-Saber SP, em Paraisópolis, Zona Sul de SP — Foto: Nego Júnior
QR Code registra experiências de leitura
Os livros também podem ser acompanhados por QR Codes que permitem que crianças e familiares gravem relatos em áudio sobre as histórias lidas. Eles podem contar o que entenderam, sentiram ou pensaram a partir da leitura.
Os registros ajudam o programa a acompanhar a circulação dos livros e as experiências de leitura em diferentes territórios.
Mais de 12,5 mil empréstimos de livros foram registrados pela rede entre fevereiro e junho de 2026. — Foto: Reprodução / Pró-Saber SP
Escolas públicas de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, além de organizações sociais que atendem crianças, podem se inscrever para receber uma Estação de Leitura. O período de inscrições pode variar e é divulgado pelo Pró-Saber SP em seu site e nas redes sociais da instituição. As escolas e organizações interessadas devem acompanhar os canais oficiais para saber quando o processo estiver aberto.
As instituições selecionadas recebem o acervo literário e o mobiliário e passam a integrar a rede de formação e troca de experiências do programa.
Desde a criação do programa, 57 escolas e organizações já receberam Estações de Leitura, alcançando mais de 26,8 mil crianças. Ao longo desse período, cerca de 12 mil livros foram enviados às instituições.
Na avaliação de Simone, o resultado aparece justamente na possibilidade de transformar o contato com os livros em uma experiência cotidiana.
"E assim, entre histórias, encontros e formações seguimos construindo uma escola onde todos têm voz e cada experiência de leitura contribui para o fortalecimento dos vínculos, desenvolvimento e aprendizagens das crianças", finaliza.
Leitura em voz alta aproxima as crianças das histórias e transforma o contato com os livros em uma experiência compartilhada. — Foto: Nego Júnior
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/08/23/estacoes-de-leitura-levam-livros-e-formacao-para-escolas-publicas-de-sp-e-aproximam-criancas-das-familias.ghtml.
Compartilhe
Espalhe essa notícia

