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    Estabilidade marca governo recorde de Meloni na Itália

    Na próxima sexta-feira (4), salvo alguma intercorrência, Giorgia Meloni se tornará a mais longeva líder de um governo italiano em 80 anos. Só por isso, a romana de 49 anos já marcará a turbulenta história política de seu país. Leia mais (08/31/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 01:00
    Estabilidade marca governo recorde de Meloni na Itália
    Mulher loira com cabelo solto, vestindo blazer preto e camisa branca, fala em microfone durante reunião em ambiente corporativo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália - Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP · Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP
    Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália - Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP · Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na próxima sexta-feira (4), salvo alguma intercorrência, Giorgia Meloni se tornará a mais longeva líder de um governo italiano em 80 anos. Só por isso, a romana de 49 anos já marcará a turbulenta história política de seu país.

    Desde o fim da Segunda Guerra, a Itália teve estonteantes 68 governos —média de cerca de 14 meses para cada um. Com 1.413 dias a serem completados na sexta, Meloni ultrapassa em tempo o segundo governo de Silvio Berlusconi , encerrado em 2005.

    Ambos os líderes vêm do mesmo ramo da árvore política italiana, a direita populista que no passado deu ao mundo o fascismo de Benito Mussolini. Por óbvio, são pessoas de outra era, mas a genealogia ideológica é reconhecível.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Meloni, primeira mulher a governar a Itália, apresentava credenciais preocupantes. Seu entorno era formado por radicais xenófobos, e ela mesma já havia elogiado Mussolini em público.

    No poder, o discurso se amainou. É certo que mantém itens retóricos da ultradireita, como uma agenda de costumes retrógrada e visões anti-imigratórias, mas pouco disso se tornou práxis.

    Meloni se afastou dos que defendiam a invasão russa da Ucrânia e, pela negativa em apoiar a guerra do aliado Donald Trump no Irã, incorreu na ira do americano — houve oportunismo dela no rompimento , mas nem sempre isso é condenável.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quando tentou avançar temas controversos, teve dificuldade. Em março, sofreu sua pior derrota política ao ver rejeitada em referendo uma reforma judicial apontada como um ataque à separação entre os Poderes.

    Além disso, a limitação à concessão de cidadania italiana prevista em lei está suspensa, sob análise da União Europeia .

    Economicamente, a Itália vive um momento ambíguo. Sob Meloni, o crescimento arrefeceu, e a previsão do FMI para este ano é de alta de 0,5% no PIB. A inflação reflete de forma moderada as pressões do mundo em guerra e, segundo projeções, deverá cair de 3% neste ano para 2% em 2027.

    Ao mesmo tempo, o déficit fiscal da terceira maior economia do bloco europeu chegou ao menor nível desde 2019, com redução de 8,1% do PIB para 3,1% entre 2022, quando a primeira-ministra assumiu o poder , e 2025.

    O cenário à frente é complexo. Meloni tem boa aprovação pessoal e seu governo é razoavelmente bem avaliado, mas aproxima-se da eleição do ano que vem em queda entre os jovens. A derrota no referendo mostrou força da centro-esquerda e há fissuras na sua coalizão, o que sugere um desafio duro para a líder italiana.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/estabilidade-marca-governo-recorde-de-meloni-na-italia.shtml.

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    Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália - Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP · Ludovic Marin - 4.mai.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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