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    Está usando a caneta e ainda sente fome? Será que o medicamento está funcionando?

    Nos últimos anos, os medicamentos que atuam sobre o GLP-1 ganharam espaço no tratamento da obesidade e passaram a fazer parte da realidade de muitas pessoas que buscam controlar o peso e melhorar a saúde metabólica.Com isso, também surgiu uma expectativa que merece ser discutida: a ideia de que, para o tratamento estar funcionando, a pessoa deveria simplesmente deixar de sentir fome.Mas não é tão simples assim.Sentir fome em algum momento do dia não significa, por si só, que o medicamento deixou de funcionar. O apetite é influenciado por diversos fatores e não desaparece necessariamente durant

    Gazeta de Alagoas
    28 de setembro de 2026 às 14:23
    Está usando a caneta e ainda sente fome? Será que o medicamento está funcionando?
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    Entender o papel do apetite durante o uso dos medicamentos para emagrecimento é importante para evitar outro problema: comer tão pouco que o corpo deixa de receber nutrientes essenciais

    Nos últimos anos, os medicamentos que atuam sobre o GLP-1 ganharam espaço no tratamento da obesidade e passaram a fazer parte da realidade de muitas pessoas que buscam controlar o peso e melhorar a saúde metabólica.

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    Com isso, também surgiu uma expectativa que merece ser discutida: a ideia de que, para o tratamento estar funcionando, a pessoa deveria simplesmente deixar de sentir fome.

    Sentir fome em algum momento do dia não significa, por si só, que o medicamento deixou de funcionar. O apetite é influenciado por diversos fatores e não desaparece necessariamente durante o tratamento.

    O que esses medicamentos podem fazer é reduzir o apetite e, por consequência a ingestão alimentar. Eles atuam em mecanismos relacionados à regulação da fome e da saciedade e também retarda o esvaziamento do estômago.

    Luciana Leme
    Luciana Leme — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    E aqui aparece um desafio que muitas vezes recebe menos atenção: quando comer fica mais difícil, a qualidade da alimentação passa a ser ainda mais importante.

    Quando comer menos não significa estar comendo bem

    Imagine uma mulher que antes fazia refeições maiores, beliscava ao longo do dia e tinha dificuldade de controlar a fome.

    Aplicativo na whatsapp Store
    Aplicativo na whatsapp Store — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Depois de iniciar o medicamento, seu apetite diminui. Ela passa a comer pequenas quantidades, pula refeições porque “não está com fome” e, aos poucos, percebe que está ingerindo muito menos alimentos do que antes.

    À primeira vista, isso pode parecer positivo.

    Afinal, a redução da ingestão de energia participa do processo de perda de peso.

    Operação Garoupa a Roupa investiga cédulas falsas
    Operação Garoupa a Roupa investiga cédulas falsas — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Mas o corpo não deixa de precisar de proteínas, vitaminas, minerais, fibras, água e outros nutrientes simplesmente porque o apetite diminuiu.

    O organismo pode precisar de menos energia durante um processo de emagrecimento, mas isso não significa que todas as necessidades nutricionais desapareçam na mesma proporção.

    É justamente por isso que a alimentação precisa ser pensada com estratégia.

    Ufal abre inscrições para curso de Letras-Libras
    Ufal abre inscrições para curso de Letras-Libras — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    As orientações do Ministério da Saúde para o tratamento da obesidade destacam que a perda de peso deve buscar a redução da gordura corporal com preservação máxima da massa magra, além da adoção de hábitos alimentares saudáveis e manutenção dos resultados.

    O risco de transformar “não sentir fome” em meta

    Existe uma diferença importante entre ter menos fome e não conseguir comer adequadamente.

    Ninho de gavião é retirado por equipe do Ima
    Ninho de gavião é retirado por equipe do Ima — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Quando a ingestão fica excessivamente reduzida, podem surgir dificuldades para atingir uma alimentação nutricionalmente adequada. Dependendo da situação, isso pode comprometer a ingestão de proteínas, fibras e micronutrientes e dificultar a preservação da massa muscular.

    E preservar massa muscular é especialmente relevante durante o emagrecimento.

    Isso ganha ainda mais importância para a mulher madura, que já vive uma fase em que as mudanças hormonais e do envelhecimento podem favorecer alterações na composição corporal e perda de massa muscular.

    Acidente na Avenida Gustavo Paiva em Cruz das Almas
    Acidente na Avenida Gustavo Paiva em Cruz das Almas — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    Por isso, o objetivo não deveria ser comemorar simplesmente o fato de “não sentir fome”.

    “Estou conseguindo nutrir meu corpo adequadamente enquanto emagreço?”

    Da mesma forma, sentir fome não deve ser interpretado automaticamente como sinal de fracasso do tratamento.

    Renan Filho e aliados reúnem apoiadores em caminhada pela orla de Maceió
    Renan Filho e aliados reúnem apoiadores em caminhada pela orla de Maceió — Foto: Gazeta de Alagoas · Fonte: Gazeta de Alagoas

    A fome pode aparecer. O organismo continua tendo mecanismos de regulação do apetite, e a resposta aos medicamentos não é necessariamente igual para todas as pessoas.

    Mais importante do que tentar eliminar completamente a fome é aprender a interpretar os sinais do corpo e organizar a alimentação de acordo com as necessidades daquele momento.

    Afinal, tratamento da obesidade não se resume à balança.

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    É preciso considerar composição corporal, alimentação, atividade física, comportamento, saúde metabólica e manutenção dos resultados. O próprio Ministério da Saúde destaca que o cuidado deve ser integral e acompanhado ao longo do tempo.

    A caneta é uma ferramenta, não um plano alimentar

    Os medicamentos podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade quando utilizados com indicação e acompanhamento adequados.

    Mas eles não determinam sozinhos o que a pessoa vai comer, como vai preservar sua massa muscular, como vai lidar com os sintomas gastrointestinais ou quais hábitos serão mantidos no futuro.

    E esse talvez seja um dos maiores desafios dessa nova era do tratamento da obesidade: aprender a comer bem quando comer deixou de ser tão fácil.

    Para algumas pessoas, o desafio durante o uso da medicação será controlar a fome.

    Para outras, será conseguir fazer refeições adequadas mesmo diante de um apetite muito reduzido.

    Em ambos os casos, a estratégia alimentar continua fazendo parte do tratamento.

    Porque emagrecer não deveria significar simplesmente comer cada vez menos.

    Deveria significar aprender a cuidar melhor do corpo enquanto o peso muda.

    E, principalmente para a mulher madura, esse cuidado precisa considerar não apenas o número que aparece na balança, mas também a preservação da massa muscular, a qualidade da alimentação, a disposição, o intestino, a hidratação e a construção de hábitos que possam continuar fazendo parte da vida depois que o processo de emagrecimento terminar.

    A caneta pode ajudar a mudar a relação com a fome. Mas é preciso aprender a usar esse novo cenário a favor da saúde — e não simplesmente contra o apetite.

    Luciana Leme é nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico.

    *Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.

    Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/artigos/esta-usando-a-caneta-e-ainda-sente-fome-sera-que-o-medicamento-esta-funcionando-938656.

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