'Esse debate não começou agora', diz Paulo Paim sobre fim da escala 6x1
O senador Paulo Paim (PT-RS) rebateu o candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e afirmou, em seu discurso pelo fim da escala 6x1, que o debate a respeito da redução da jornada não começou agora. Ele abriu a sessão de discussão sobre a medida no Senado, na tarde desta terça-feira (6).

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O senador Paulo Paim ( PT -RS) rebateu o candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro ( PL ), e afirmou, em seu discurso pelo fim da escala 6x1 , que o debate a respeito da redução da jornada não começou agora. Ele abriu a sessão de discussão sobre a medida no Senado , na tarde desta terça-feira (6).

Paim afirmou que a escala de trabalho no Brasil vem sendo debatida desde 1932, ainda com Getulio Vargas, quando a jornada foi limitada a 48 horas semanais. Até então, não havia limite.
"O debate sobre o fim da escala 6x1 está sendo muito acelerado? Não, de forma alguma, esse debate não começou agora. Ele vem desde Getulio Vargas, quando foi estabelecida, enfim, a jornada de 48 horas semanais, quando não tinha regulamentação, era trabalho escravo", disse.
Mais cedo, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a votação da proposta é oportunista e defendeu o projeto do PL de remuneração por hora . Lula , em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele."

O Senado começou a debater a PEC (proposta de emenda à Constituição) 221, já aprovada pela Câmara Federal. O início das sessões de discussão foi acordado com o presidente da casa, Davi Alcolumbre ( União Brasil -AP).
A medida reduz a jornada de 44 horas semanais para 42 horas 60 dias após a promulgação e para 40 horas, 12 meses depois, e cria a escala 5x2, com dois dias de descanso remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
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Paim lembrou ainda que a redução da jornada de 48 horas para 44 horas de trabalho por semana, aprovada pela Constituição Federal de 1988, também enfrentou resistência de parte do setor empresarial na época, mas não trouxe os resultados negativos que se temia.
Segundo ele, desde então foram apresentadas diversas propostas para reduzir a jornada para 40 horas, e realizadas dezenas de audiências públicas sobre o tema. Em uma delas, para debater a PEC de sua autoria —aprovada no ano passado— participaram 56 representantes de trabalhadores e empresários.
"Noventa por cento não eram contra a jornada de 40 horas, queriam aperfeiçoar a transição, e explicamos que a transição está assegurada por 14 meses na [PEC] 221."

Paim argumentou que trabalhar menos pode elevar a produtividade e citou estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com dados que mostram o aumento da produtividade na indústria.
Segundo ele, entre 1988 e 2008, a produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu cerca de 84%, após a redução de quatro horas na jornada.
O senador afirmou ainda que a mudança pode gerar entre 3,4 milhões a 5 milhões de vagas, conforme estudos feitos pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), pelo Dieese e pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Para ele, a discussão sobre a duração da jornada precisa considerar as transformações no mercado de trabalho , como o avanço da IA (inteligência artificial), e disse que o debate internacional caminha para jornadas ainda menores, de 36 horas semanais.
O senador citou empresas que já adotam jornadas de 40 horas, como Vale e GM no Rio Grande do Sul e em São Bernardo do Campo (ABC), e afirmou que redes de farmácias e supermercados também estariam fazendo movimentos nesse sentido. Para ele, a redução da jornada não é uma questão de esquerda ou direita, mas de saúde, dignidade e qualidade de vida.
"Essa não é uma discussão sobre quatro horas ou menos, é uma discussão sobre quatro horas ou mais de vida", disse.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/esse-debate-nao-comecou-agora-diz-paulo-paim-sobre-fim-da-escala-6x1.shtml.

Senador Paulo Paim (PT-RS) é o primeiro a discursar em uma das sessões de debate da PEC pelo fim da escala 6x1 - Reprodução/TV Senado · Reprodução/TV Senado — Foto: UOL
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