Brasil

    Esquerda está quatro anos atrasada

    A esquerda está quatro anos atrasada na estratégia de conquistar eleitores. Só agora, diante do massacre da direita nas urnas , resolveu que precisa "escutar". O alerta máximo deveria ter soado no resultado da última eleição presidencial. Lula venceu Jair Bolsonaro com uma margem de 2,1 milhões de votos. Se em 2022 a diferença já foi tão pequena, mesmo com a frente ampla inédita e com a memória ainda fresca do pesadelo que foi o governo anterior, o trabalho para ganhar novos eleitores tinha que ter começado no dia da posse, em 2023. Leia mais (10/06/2026 - 15h10)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 18:10
    Esquerda está quatro anos atrasada
    Homem de terno azul escuro e camisa branca está em pé atrás de um púlpito transparente, com a mão direita próxima ao rosto em gesto de reflexão. Ao seu redor, outras pessoas observam, incluindo uma mulher com óculos e camiseta branca com es — Foto: Folha de S.Paulo

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    A esquerda está quatro anos atrasada na estratégia de conquistar eleitores. Só agora, diante do massacre da direita nas urnas , resolveu que precisa "escutar". O alerta máximo deveria ter soado no resultado da última eleição presidencial. Lula venceu Jair Bolsonaro com uma margem de 2,1 milhões de votos. Se em 2022 a diferença já foi tão pequena, mesmo com a frente ampla inédita e com a memória ainda fresca do pesadelo que foi o governo anterior, o trabalho para ganhar novos eleitores tinha que ter começado no dia da posse, em 2023.

    O presidente Lula (PT) após o anúncio oficial do TSE, em São Paulo - Rafaela Araújo - 4.out.26/Folhapress
    O presidente Lula (PT) após o anúncio oficial do TSE, em São Paulo - Rafaela Araújo - 4.out.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Pior, a esquerda fez campanha para um eleitor que ela não sabe quem é nem o que quer. Quando Mano Brown avisou que era preciso voltar para a base, não era para oferecer o que tem de mais velho. Prometer CLT, Bolsa Família, transporte público, universidade não basta. Se tivesse realmente escutado, o espectro progressista teria entendido que as pessoas pobres hoje anseiam por autonomia, empreendedorismo, poder de consumo e segurança.

    É verdade que Lula se afastou da militância mais estridente, mas foi essa ala que deu o tom do debate público. Dobraram a aposta na tática de ridicularizar o "pobre de direita" , sem jamais tentar compreender o motivo do seu voto. Sobrou condescendência e faltou empatia numa elite de intelectuais, artistas, jornalistas e influenciadores desse espectro que, do alto de seus privilégios, julga saber melhor do que o próprio trabalhador do que ele precisa.

    Em vez de "escutar" e dialogar para vencer, o que a esquerda fez nesses quatro anos foi erguer muros. Entrou numa cruzada moral proibindo as pessoas de falar "criado-mudo", decretando que todos os homens são agressores, pedindo a prisão de humoristas, achando graça quando a família tradicional virou chacota no Carnaval, enfiada num pote de conserva . Ignorou dados que se confirmam agora: a maior vantagem do bolsonarismo não está na elite, mas consolidada na classe C .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram quatro anos de um monólogo arrogante. Agora, chocados com a surra eleitoral, os caciques partidários e os militantes descobrem subitamente a urgência de entender o povo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2026/10/esquerda-esta-quatro-anos-atrasada.shtml.

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    O presidente Lula (PT) após o anúncio oficial do TSE, em São Paulo - Rafaela Araújo - 4.out.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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