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    Espriella toma posse na Colômbia e ordena diante de militares 'combate definitivo' contra grupos armados

    Sucessor de Gustavo Petro discursa em batalhão após cerimônia repleta de símbolos religiosos em Cali

    UOL
    8 de agosto de 2026 às 00:00
    Espriella toma posse na Colômbia e ordena diante de militares 'combate definitivo' contra grupos armados
    Foto: UOL

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    O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, presta juramento diante do presidente do Congresso, Honorio Henriquez - Luis Acosta / AFP

    O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, presta juramento diante do presidente do Congresso, Honorio Henriquez - Luis Acosta / AFP · Luis Acosta /
    O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, presta juramento diante do presidente do Congresso, Honorio Henriquez - Luis Acosta / AFP · Luis Acosta / — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Aos trancos, o novo presidente da Colômbia conseguiu a imagem que queria em sua cerimônia de posse: nesta sexta-feira (7), Abelardo de la Espriella fez seu primeiro discurso diante de dezenas de militares que ouviram uma ordem de "combate definitivo" contra grupos criminosos e uma promessa de "todas as garantias jurídicas".

    "Ordeno às forças militares e policiais o combate definitivo a todas as estruturas criminosas e seus membros", afirmou o ultradireitista no Batalhão Pichincha, em Cali. "Militares e policiais da pátria: este governo os protegerá. Vocês terão todas as garantias jurídicas para que não sejam perseguidos pelo cumprimento de seus deveres."

    Diferentemente das cerimônias de posse anteriores, que ocorreram no Congresso, em Bogotá , a de Espriella foi em um auditório da Universidade Santiago de Cali, na terceira maior cidade do país. O evento se deu ali após semanas de conflito com o agora ex-presidente Gustavo Petro .

    Quem são os líderes de direita na América do Sul
    Quem são os líderes de direita na América do Sul — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A princípio, o novo líder queria iniciar seu mandato em uma instalação militar fora de Bogotá. O plano, no entanto, foi barrado por Petro, então comandante em chefe das Forças Armadas —o que não impediu Espriella de se deslocar até um batalhão da cidade para fazer seu primeiro discurso.

    Em seu usual tom grandioso, o líder afirmou que vai "fechar um grande capítulo de resignação" do país para começar o "tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade". "Reafirmo a minha intenção de derrotar, sem trégua, o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas que ameaçam a liberdade da Colômbia", disse, prometendo uma lista de "grupos narcoterroristas".

    Em discurso voltado para a questão da segurança pública, principal tema de sua campanha, o novo presidente também reforçou suas promessas: acabar com qualquer negociação com grupos armados, construir megaprisões e retomar a fumigação aérea em plantações de coca.

    Homem com faixa presidencial nas cores da bandeira recebe bastão de outro homem em terno escuro. Ao lado, militares em uniformes formais observam a cerimônia em ambiente interno com fundo azul.
    Homem com faixa presidencial nas cores da bandeira recebe bastão de outro homem em terno escuro. Ao lado, militares em uniformes formais observam a cerimônia em ambiente interno com fundo azul. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "A segurança não se constrói com concessões ao crime, mas com autoridade e constância", afirmou Espriella. "O Estado historicamente foi suficientemente nobre, o Estado, sob o regime que terminou, foi suficientemente cúmplice. O Estado, sob o Tigre, será certeiro e contundente contra o crime", continuou, na maneira com que se refere ao governo de Petro e com o apelido que se deu nas eleições.

    Em matéria de relações exteriores, o novo presidente afirmou que acabará com o que chama de ideologização e que a Colômbia "deixará de ser um pária que contemporiza com o delito transnacional".

    "Assumiremos um papel de liderança no combate contra o crime global", afirmou, antes de anunciar um dos primeiros atos de seu governo: "Entrar no Escudo das Américas, uma iniciativa que permitirá unir capacidades, compartilhar informação estratégica e fortalecer a ação conjunta das nações livres diante das ameaças que afetam a segurança nacional e regional". A coalizão, impulsinada pelo presidente americano, Donald Trump, reúne líderes de direita da região para combater cartéis de drogas.

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    Dezenas de legisladores viajaram para Cali para assistir à cerimônia —com a exceção mais notável sendo a dos congressistas do Pacto Histórico, partido de Petro.

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    Parte deles também estava na cidade, mas participavam de protestos contra o novo presidente. Outra porção se manifestava em Barranquilla, sob a liderança do candidato derrotado, Iván Cepeda. O apadrinhado de Petro, que fez um chamado à desobediência civil contra o novo governo, afirmou no ato que a esquerda organizará um gabinete paralelo.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Vamos criar o Gabinete pela Vida, que, com a participação dos ministros atuais, nos permitirá contestar as políticas do governo Espriella com argumentos sólidos. Não responderemos ao ódio com ódio nem ao autoritarismo com violência; responderemos com a força consciente e organizada do povo", afirmou o filósofo.

    Petro, por sua vez, estava em Bogotá, onde deixou a Casa de Nariño acompanhado de sua filha Antonella e dos membros de seu gabinete. "Tudo que fizemos aqui foi pelo povo", afirmou. "Adeus, liberdade e vida."

    O evento teve forte carga religiosa, assim como a campanha de Espriella. No palco em que o ultradireitista tomou posse havia uma escultura da Virgem de Fátima, e, antes e depois da cerimônia, uma cantora entoou um cântico religioso.

    Por fim, um rabino, um pastor e um padre conduziram orações com comentários sobre a conjuntura do país, citando, por exemplo, insegurança pública, polarização política e problemas no sistema de saúde —uma das principais preocupações dos colombianos.

    Além disso, o avião presidencial foi benzido por um padre nos últimos dias, e todo o gabinete passou o fim de semana em um retiro em Barranquilla. "Sabemos que a batalha também é espiritual", disse Jaime Beltrán, novo ministro de Habitação da Colômbia, ao compartilhar imagens do retiro no início da semana.

    A posse reuniu em Cali os novos nomes da nova onda de direita na região: estavam no evento os presidentes José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai), por exemplo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não foi e enviou seu chanceler, Mauro Vieira.

    Presenças menos óbvias eram as do presidente da Federação Colombiana de Futebol , Ramón Jesurún, e da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino , cuja permanência na liderança da entidade está em xeque após a proposta de criar uma empresa para administrar a Copa do Mundo com participação de investidores externos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/espriella-toma-posse-na-colombia-e-ordena-diante-de-militares-combate-definitivo-contra-grupos-armados.shtml.

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    O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, presta juramento diante do presidente do Congresso, Honorio Henriquez - Luis Acosta / AFP · Luis Acosta / — Foto: UOL

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