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    Espriella recoloca Colômbia em aliança internacional antiaborto

    A Colômbia voltou a aderir ao Consenso de Genebra, aliança internacional contrária ao aborto . A decisão foi anunciada em 8 de outubro pelo governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella . Leia mais (10/13/2026 - 17h21)

    Folha de S.Paulo
    13 de outubro de 2026 às 20:21
    Espriella recoloca Colômbia em aliança internacional antiaborto
    Grupo de manifestantes em área urbana segura fumaça verde no ar. Mulheres estão na frente, algumas com lenços verdes no pescoço e braços erguidos, enquanto prédios aparecem ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Colômbia voltou a aderir ao Consenso de Genebra, aliança internacional contrária ao aborto . A decisão foi anunciada em 8 de outubro pelo governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella .

    Mulheres participam de manifestação em 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, em Bogotá - Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters · Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters
    Mulheres participam de manifestação em 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, em Bogotá - Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters · Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O país havia deixado o grupo em 2022 , durante a gestão de Gustavo Petro . Naquele mesmo ano, em fevereiro, a Corte Constitucional descriminalizou o aborto até a 24ª semana de gestação .

    A adesão foi anunciada pelo embaixador colombiano na OEA, Alejandro Ordóñez, que havia sido um dos responsáveis pela entrada do país no grupo em 2022, no governo de Iván Duque. O consenso reúne atualmente 47 Estados e defende, entre outros pontos, que não existe um direito internacional ao aborto nem uma obrigação dos países de promovê-lo ou facilitá-lo.

    O Consenso de Genebra foi criado em 2020, durante o primeiro governo de Donald Trump, com participação de países como Brasil —então sob a gestão de Jair Bolsonaro —, Egito, Hungria, Indonésia e Uganda. Apesar do nome, não se trata de um tratado internacional nem cria obrigações jurídicas para os países que o assinam. É uma declaração política e diplomática, mas de forte valor simbólico na disputa internacional sobre direitos reprodutivos .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Brasil chegou a presidir administrativamente o consenso em 2022, com Bolsonaro, e deixou o grupo quando Lula assumiu o governo, em 2023. Atualmente, o grupo é presidido pelos EUA.

    O documento afirma que "não existe um direito internacional ao aborto" e que os Estados não têm obrigação internacional de financiar ou facilitar a prática. Também sustenta que o aborto não deve ser considerado um método de planejamento familiar e que não deve ser incluído em programas de promoção de saúde sexual e reprodutiva.

    A formulação permite aos governos defender, em fóruns multilaterais, uma interpretação restritiva dos direitos reprodutivos sem que a adesão, por si só, altere a legislação doméstica.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    A Colômbia havia aderido ao consenso em maio de 2022, no governo de Iván Duque, como reação à decisão da Corte Constitucional. Poucos meses depois, sob Petro, a chancelaria anunciou a retirada do país. O governo do esquerdista afirmou que considerava o acesso ao aborto legal e seguro parte dos direitos sexuais e reprodutivos e da saúde das mulheres.

    O retorno ocorre em um contexto de mudança mais ampla da posição colombiana em organismos internacionais. Nas últimas semanas, o governo de De la Espriella também tomou distância, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, de expressões como "direitos sexuais e reprodutivos" e "gênero". O conjunto das decisões representa uma ruptura com posições que a Colômbia vinha defendendo em fóruns multilaterais.

    Na legislação interna, porém, a adesão não muda o direito ao aborto estabelecido pelo Judiciário em 2022. Depois das 24ª semanas, permanecem as três situações estabelecidas pela corte em 2006: risco à vida ou à saúde da gestante, inviabilidade da vida extrauterina do feto e gravidez resultante de violência sexual ou incesto.

    Ativistas pelo direito ao aborto legal alertam, porém, que a adesão pode ter efeitos práticos. Entre eles, citam a ampliação da desinformação sobre o que é permitido ou não pela lei e a criação de barreiras de acesso para mulheres que teriam o direito à interrupção segundo os critérios colombianos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/espriella-recoloca-colombia-em-alianca-internacional-antiaborto.shtml.

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    Mulheres participam de manifestação em 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, em Bogotá - Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters · Luisa Gonzalez - 28.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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