Espriella e Milei personificam política do espetáculo na América Latina
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Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos
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A América Latina vive tempos intensos, marcada por acontecimentos que concentraram as atenções e deixaram mais perguntas do que respostas. Em momentos distintos, Colômbia (cujo presidente tem o apelido "o tigre") e Argentina ofereceram exemplos de uma política cada vez mais orientada pela imagem, pelo espetáculo e pela disputa permanente da narrativa pública. O episódio mais provocativo foi a posse de Abelardo de la Espriella. O novo presidente decidiu romper com a tradição ao não realizar a cerimônia na Casa de Nariño. A escolha de Cali, uma cidade marcada por frequentes tensões sociais e desafios de segurança, foi interpretada como uma mensagem política que ainda suscita diferentes leituras.

A própria cerimônia reforçou essa opção por uma comunicação fortemente simbólica. Em vez da solenidade convencional, prevaleceram gestos cuidadosamente construídos para dialogar com seus apoiadores e dominar o noticiário. A posse pareceu buscar um impacto político imediato por meio da encenação. Na Argentina, Javier Milei (que se autodenomina "o leão") voltou a recorrer ao estilo que marcou sua ascensão política. Em meio às dificuldades econômicas , aos conflitos com o Congresso e às pressões sobre seu governo, ele voltou a apostar em aparições de forte apelo popular e em um discurso voltado diretamente à sua base de apoio.
Embora vivam contextos diferentes, De la Espriella e Milei compartilham um traço comum: ambos compreenderam que, na política contemporânea, a disputa pela atenção muitas vezes antecede a disputa pelas políticas públicas. Em suas aparições, o simbolismo e a performance ocupam um espaço que antes era reservado ao ritual institucional.
Resta saber se essa estratégia será suficiente para enfrentar problemas muito mais concretos. Colômbia e Argentina vivem desafios como crescimento econômico limitado, insegurança, polarização política e perda de confiança nas instituições. O espetáculo produz impacto imediato, mas seus efeitos tendem a ser passageiros quando confrontados com a realidade cotidiana da população. A dúvida que permanece é se essa nova forma de exercer o poder representa apenas uma mudança de linguagem ou se revela uma transformação mais profunda na relação entre líderes, instituições e sociedade. Por enquanto, a política latino-americana segue produzindo imagens poderosas. As respostas, porém, continuam em aberto.

Uma pesquisa da Meganalisis mostra os sentimentos dos venezuelanos após os terremotos que atingiram o país em 24 de junho. A indignação prevaleceu, citada por 80,2% dos entrevistados, seguida da impotência (73,8%).
O discurso de posse de Keiko Fujimori foi muito mais conciliador do que o de seu par colombiano. Primeira mulher eleita presidente do país, ela ganhou as eleições de 2026 após ser derrotada três vezes no segundo turno. Fujimori promete, porém, mão firme contra a violência e o narcotráfico. Ela disse, ainda, que vai convocar o Exército para a tarefa de policiar desde as grandes cidades até a região fronteiriça.
Para quem é fã de suspense, " Los creyentes ", produção espanhola, quase não deixa o espectador respirar. O longa está na Netflix e é protagonizado por José Coronado e Stéphanie Magnin.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/espriella-e-milei-personificam-politica-do-espetaculo-na-america-latina.shtml.

Javier Milei e o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, antes da cerimônia de posse em Cali - 7.ago.26/Presidência da Argentina via AFP · 7.ago.26/Presidência da Argentina via AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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