Brasil

    Espaço Favela do Rock in Rio é vitrine artística, mas ainda marginaliza

    Estrutura menor ainda não dá os devidos holofotes para gêneros ligados à periferia

    UOL
    11 de setembro de 2026 às 23:00
    Espaço Favela do Rock in Rio é vitrine artística, mas ainda marginaliza
    "Para Sempre Funk" no palco Favela do Rock in Rio — Foto: UOL

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    Apresentação 'Para Sempre Funk', no palco Favela do Rock in Rio, em 2024 - Divulgação · Divulgação
    Apresentação 'Para Sempre Funk', no palco Favela do Rock in Rio, em 2024 - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Repórter colaborador da Folha no Rio de Janeiro

    Um espaço caracterizado por casinhas coloridas e aglomeradas dá o tom da favela durante o Rock in Rio . Nesse espaço, apresentam-se as atrações que tenham algum tipo de relação com a favela , suas origens e produções musicais. Mas será que é um símbolo de representatividade?

    O Espaço Favela debutou em 2019. A proposta era pluralizar a participação de artistas periféricos e dar visibilidade à sonoridade produzida ou com alguma relação com a favela. Isso significa dar a eles o protagonismo na música em um dos maiores festivais do mundo.

    Rock in Rio 2026
    Rock in Rio 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os gêneros musicais que marcam presença no Espaço Favela, durante o festival, são expressados por artistas do trap , do rap , do samba , do pagode e do funk , estilos que se originaram ou tiveram alguma relação de expressão com a favela ou com populações periféricas e vulneráveis.

    Os gêneros, porém, quase não têm destaque em outros palcos do festival. Costumam aparecer apenas pontualmente, na figura de artistas como a rapper Duquesa e o trio Os Garotin — que tocaram no palco Sunset, nesta sexta —, ou em algum dia particular em que se toca samba.

    Se, por um lado, a ideia é ampliar a participação de artistas no festival multimilionário, por outro, alguns pontos chamam a atenção. A estrutura do Espaço Favela não é semelhante à do palco Mundo, o principal, e muito menos parecida com a do Sunset . Nem em tamanho, nem em recursos visuais, como LEDs, ou em amplitude do sistema de som. A uma distância média, por exemplo, já não é possível ouvir quem se apresenta no Favela.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    É um palanque menor, que não comporta uma banda completa que poderia se apresentar nesses dois anteriores, com artistas tendo que distribuir suas bandas e bailarinos em outros andares do espaço. Em uma edição marcada por fortes chuvas , não há sequer uma proteção para o artista contra a tempestade.

    Outro ponto é a distância dos palcos principais e até mesmo de outros que também são menores, mas, ainda assim, mais perto. Para chegar ao palco Favela, saindo do Palco Mundo, é uma caminhada significativa, que leva em torno de dez minutos.

    A distância parece reproduzir a marginalização dos espaços favelados, que estão fora do centro das atenções, sejam eles reais ou representados em um festival enorme como o Rock in Rio.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um nome que se apresentou e reuniu centenas de jovens no Espaço Favela foi o Major RD , sucesso no streaming com letras recheadas de críticas sociais. O show foi expressivo e colocou em xeque um artista que vem crescendo na cena do trap e a importância desse Espaço Favela no evento.

    Outro que marcou o espaço foi Belo , que já é artista de renome e de peso. Fez um show na semana passada nesse espaço do qual é embaixador. A apresentação do artista reuniu milhares de pessoas, uma quantidade a perder de vista. Por outro lado, um cantor como ele, que levou uma multidão de fãs do pagode romântico e que marcou gerações, não teria lugar em um palco com mais destaque?

    A transmissão dos shows deste palco também não recebe o mesmo destaque. Será que não interessa a outros públicos que não podem estar no evento?

    Com os ingressos a preços elevados , a favela, por si só, não pode acessar o evento. Ao menos os artistas que de lá vieram ou têm alguma relação podem representar, da maneira que for, suas origens, sua música, a realidade cantada e sua vivência.

    Um festival como o Rock in Rio ainda é uma vitrine para muitos artistas de favela que são chamados para integrar o lineup do evento . E esta é a importância do Espaço Favela, ainda que da forma como é.

    É, também, uma possibilidade de usar a música como protesto ao retratar a realidade de lugares periféricos e à margem. Ampliar e melhorar as estruturas, portanto, ainda é um caminho que precisa ser trilhado por quem pensa o festival.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/espaco-favela-do-rock-in-rio-e-vitrine-artistica-mas-ainda-marginaliza.shtml.

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    Apresentação 'Para Sempre Funk', no palco Favela do Rock in Rio, em 2024 - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL

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