Espaço Favela do Rock in Rio é vitrine artística, mas ainda marginaliza
Estrutura menor ainda não dá os devidos holofotes para gêneros ligados à periferia

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Repórter colaborador da Folha no Rio de Janeiro
Um espaço caracterizado por casinhas coloridas e aglomeradas dá o tom da favela durante o Rock in Rio . Nesse espaço, apresentam-se as atrações que tenham algum tipo de relação com a favela , suas origens e produções musicais. Mas será que é um símbolo de representatividade?
O Espaço Favela debutou em 2019. A proposta era pluralizar a participação de artistas periféricos e dar visibilidade à sonoridade produzida ou com alguma relação com a favela. Isso significa dar a eles o protagonismo na música em um dos maiores festivais do mundo.

Os gêneros musicais que marcam presença no Espaço Favela, durante o festival, são expressados por artistas do trap , do rap , do samba , do pagode e do funk , estilos que se originaram ou tiveram alguma relação de expressão com a favela ou com populações periféricas e vulneráveis.
Os gêneros, porém, quase não têm destaque em outros palcos do festival. Costumam aparecer apenas pontualmente, na figura de artistas como a rapper Duquesa e o trio Os Garotin — que tocaram no palco Sunset, nesta sexta —, ou em algum dia particular em que se toca samba.
Se, por um lado, a ideia é ampliar a participação de artistas no festival multimilionário, por outro, alguns pontos chamam a atenção. A estrutura do Espaço Favela não é semelhante à do palco Mundo, o principal, e muito menos parecida com a do Sunset . Nem em tamanho, nem em recursos visuais, como LEDs, ou em amplitude do sistema de som. A uma distância média, por exemplo, já não é possível ouvir quem se apresenta no Favela.

É um palanque menor, que não comporta uma banda completa que poderia se apresentar nesses dois anteriores, com artistas tendo que distribuir suas bandas e bailarinos em outros andares do espaço. Em uma edição marcada por fortes chuvas , não há sequer uma proteção para o artista contra a tempestade.
Outro ponto é a distância dos palcos principais e até mesmo de outros que também são menores, mas, ainda assim, mais perto. Para chegar ao palco Favela, saindo do Palco Mundo, é uma caminhada significativa, que leva em torno de dez minutos.
A distância parece reproduzir a marginalização dos espaços favelados, que estão fora do centro das atenções, sejam eles reais ou representados em um festival enorme como o Rock in Rio.

Um nome que se apresentou e reuniu centenas de jovens no Espaço Favela foi o Major RD , sucesso no streaming com letras recheadas de críticas sociais. O show foi expressivo e colocou em xeque um artista que vem crescendo na cena do trap e a importância desse Espaço Favela no evento.
Outro que marcou o espaço foi Belo , que já é artista de renome e de peso. Fez um show na semana passada nesse espaço do qual é embaixador. A apresentação do artista reuniu milhares de pessoas, uma quantidade a perder de vista. Por outro lado, um cantor como ele, que levou uma multidão de fãs do pagode romântico e que marcou gerações, não teria lugar em um palco com mais destaque?
A transmissão dos shows deste palco também não recebe o mesmo destaque. Será que não interessa a outros públicos que não podem estar no evento?
Com os ingressos a preços elevados , a favela, por si só, não pode acessar o evento. Ao menos os artistas que de lá vieram ou têm alguma relação podem representar, da maneira que for, suas origens, sua música, a realidade cantada e sua vivência.
Um festival como o Rock in Rio ainda é uma vitrine para muitos artistas de favela que são chamados para integrar o lineup do evento . E esta é a importância do Espaço Favela, ainda que da forma como é.
É, também, uma possibilidade de usar a música como protesto ao retratar a realidade de lugares periféricos e à margem. Ampliar e melhorar as estruturas, portanto, ainda é um caminho que precisa ser trilhado por quem pensa o festival.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/espaco-favela-do-rock-in-rio-e-vitrine-artistica-mas-ainda-marginaliza.shtml.

Apresentação 'Para Sempre Funk', no palco Favela do Rock in Rio, em 2024 - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL
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