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    Esgota-se o modelo de estímulo ao consumo

    Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis. Leia mais (10/13/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de outubro de 2026 às 01:00
    Esgota-se o modelo de estímulo ao consumo
    Cinco pessoas observam produtos em prateleiras de loja iluminada. Produtos incluem itens de beleza e acessórios organizados em gôndolas e mesas. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Movimentação de clientes em loja na rua 25 de Março, na região central de São Paulo (SP) - Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress · Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress
    Movimentação de clientes em loja na rua 25 de Março, na região central de São Paulo (SP) - Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress · Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mais uma vez, a estratégia de impulsionar a atividade econômica por meio de gastos públicos encontra seu limite. Desta vez, o freio é o esgotamento da expansão do consumo das famílias, endividadas ao longo dos últimos anos por um modelo de política econômica que infla a demanda sem bases produtivas sustentáveis.

    Entre 2021 e 2025, segundo o IBGE , o consumo privado avançou em média 3,3% ao ano , com pico de 5,1% em 2024. Em 2025, o ritmo já caiu para 1,3%, e a expectativa é de somente 1% neste ano e ainda menos no próximo.

    A principal causa está no elevado endividamento das pessoas físicas . O volume de crédito a elas direcionado cresceu de forma acelerada, com alta de 10,5% em 12 meses até meados de 2026.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Dados do Banco Central mostram dívidas equivalentes a 49,9% da renda acumulada em 12 meses até julho, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de juros e amortizações chegou a 28,7%.

    Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 80% das famílias carregam algum tipo de passivo, um patamar recorde.

    O roteiro se repete nas gestões petistas. Assim como no primeiro mandato de Dilma Rousseff , o terceiro governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) expandiu o gasto público de forma temerária, em particular com benefícios sociais. Conseguiu assim sustentar o consumo por algum tempo, mas sem alicerce correspondente em aumento da produtividade.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os custos dessa política não deveriam surpreender mais: pressões inflacionárias, necessidade de juros mais altos e deterioração das contas públicas.

    Na gestão atual, as despesas federais cresceram em média cerca de 5% ao ano acima da inflação , muito além do ritmo da economia . O resultado inevitável é o aperto da política monetária sobre famílias e empresas.

    A deterioração das expectativas é clara. A pesquisa Focus, do BC, projeta expansão do PIB de 1,85% neste ano e apenas 1,4% em 2027, com viés de baixa para variação inferior a 1%.

    O Fundo Monetário Internacional ( FMI ) acaba de reduzir suas estimativas, para 2,2% e 1,9%, respectivamente. É menos pessimista, mas costuma chegar atrasado em relação a analistas locais. O desemprego deve subir, de 6,2% para 6,8% em 2027.

    Lula continua enfileirando benesses, como nesta terça-feira (13), com o projeto de perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs). O momento do ajuste, adiado neste ano eleitoral, virá no próximo governo, qualquer que seja o resultado do pleito presidencial.

    Ainda que não se antecipe uma recessão profunda nos moldes de 2015-16, quando o PIB caiu cerca de 7%, uma desaceleração expressiva já está em curso —e se agravará de modo duradouro se não houver correção de rota. Sem reequilíbrio orçamentário, os juros permanecerão nas alturas e estrangularão a economia.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/esgota-se-o-modelo-de-estimulo-ao-consumo.shtml.

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    Movimentação de clientes em loja na rua 25 de Março, na região central de São Paulo (SP) - Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress · Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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