Escritório de Nelson Wilians recebeu R$ 37 milhões de offshore, diz PF
O advogado Nelson Wilians é alvo de uma investigação da PF por um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão fiscal

O escritório de advocacia de Nelson Wilians recebeu mais de R$ 37 milhões de uma empresa considerada “fantasma” pela Polícia Federal ( PF ) de acordo com investigação que mira o advogado e ao menos outros 20 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, por lavagem de dinheiro e evasão fiscal.
Wilians foi alvo de busca e apreensão na mansão em que mora em São Paulo , na manhã desta quinta-feira (13/8). Ele é acusado de ser um dos principais beneficiários em uma esquema de lavagem de dinheiro de apostas ilegais que movimentou mais de R$ 1,5 bilhão .
O escritório do advogado era utilizado para ocultação de patrimônio e reintrodução de valores na engrenagem criminosa sob o pretexto de prestação de serviços advocatícios, apontou a PF.

De acordo com a investigação, o escritório Nelson Wilians Advogados era o destinatário de 15 notas emitidas pela Pix Star Brasilian N.V., offshore sediada em Curaçao. Os documentos totalizam aproximadamente R$ 37.824.000,00 .
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Para a PF, a Pix Star é uma “empresa fantasma” ou “offshore” utilizada unicamente para dar aparência de legalidade à reintrodução de grandes somas de dinheiro no Brasil.
Sob a máscara da advocacia, esses pagamentos não teriam suporte material, segundo os investigadores. A investigação apontou que os serviços advocatícios descritos nas notas não teriam sido efetivamente prestados. Os valores, portanto, eram definidos de forma arbitrária para atender à necessidade de formação de caixa do grupo criminoso.
A defesa de Willian afirmou que ainda não teve acesso aos autos e, portanto, desconhece as informações apresentadas.

“Desde já, contudo, enfatizamos que nossa relação com a PixBet é estritamente profissional, decorrente da prestação de serviços jurídicos, e que atuamos exclusivamente no exercício regular da advocacia. Não há absolutamente nada de irregular nisso”, disse. em nota.
O dinheiro do esquema bilionário era evadido do Brasil para dar uma aparência de legalidade à exploração de apostas esportivas . Como a prática era considerada irregular no país até o início de 2025, os envolvidos enviaram os valores para empresas no exterior, argumentando que a atividade era exercida fora do território nacional, somente onde era permitido.
Segundo a PF, essas empresas, criadas em Curaçao e na Costa Rica, eram de fachada e foram instituídas somente para dar legalidade ao esquema. Elas figuravam como as operadoras oficiais dos sites de apostas, mas a operação real (física e financeira) ocorria no Brasil.

Esse capital retornava a contas brasileiras com aparência de lucro legítimo por meio de contratos de prestação de serviços simulados – como os serviços de advocatícia supostamente prestados pelo escritório NW .
A Receita Federal estima que o grupo movimentou US$ 271,5 milhões, ou quase R$ 1,5 bilhão , somente em atos de evasão de divisas nos últimos cinco anos. O grupo teria investido ao menos R$ 30 milhões em outorgas federais para tornar a operação legal.
Devido a essa dimensão, a Justiça determinou o sequestro de bens e ativos financeiros dos investigados até o limite de pouco mais de R$ 1 bilhão.





Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/nelson-wilians-37-milhoes-offshore.

Reprodução/ Instagram — Foto: Metrópoles
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