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    Escolas aderem a olimpíadas do conhecimento para estimular resiliência e raciocínio lógico

    Competições podem ajudar a engajar alunos para além do currículo formal

    UOL
    17 de setembro de 2026 às 03:00
    Escolas aderem a olimpíadas do conhecimento para estimular resiliência e raciocínio lógico
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    Se no passado as olimpíadas escolares se limitavam às exatas e selecionavam poucos estudantes, hoje elas abrangem áreas como língua portuguesa, história, geografia, filosofia, robótica, astronomia e incluem até conhecimento sobre foguetes.

    Ilustração criada por Fido Nesti para reportagem sobre escolas que incentivam participação em olimpíadas de conhecimento - Fido Nesti · Fido Nesti
    Ilustração criada por Fido Nesti para reportagem sobre escolas que incentivam participação em olimpíadas de conhecimento - Fido Nesti · Fido Nesti — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Essas competições de conhecimento, voltadas para alunos dos ensinos fundamental e médio, acabam engajando os alunos para além do currículo formal e abrindo espaço para o raciocínio fora da caixa. Por isso, diversas escolas oferecem preparações específicas para as olimpíadas.

    Além de ampliar o repertório intelectual, essas provas também funcionam como forma de ingresso direto em universidades públicas. A primeira a criar a chamada vaga olímpica foi a Unicamp . Foi seguida por USP e Unesp , entre outras. No Impa Tech, curso de graduação especializada em tecnologia e inovação do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) lançado em 2024, 80% das vagas são destinadas aos estudantes com os melhores desempenhos em diferentes olimpíadas do conhecimento , como a Olimpíada Brasileira de Matemática e a Olimpíada Brasileira de Física.

    A evolução do formato atende a mudanças nas demandas pedagógicas das novas gerações, que demandam desenvolvimento do pensamento crítico e da compreensão da sociedade. As Olimpíadas de Conhecimento são voltadas para alunos do 6° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. Mas o cenário atual já conta com olimpíadas de entrada, voltadas a alunos do 2º ao 5º ano do ensino fundamental, com provas que alinham a dificuldade à série do estudante e dosam questões fáceis, médias e difíceis, para tornar a participação mais atrativa aos pequenos.

    Irmãs palestinas que ficaram quase dois anos sem escola ganham medalhas em olimpíada de matemática em SP
    Irmãs palestinas que ficaram quase dois anos sem escola ganham medalhas em olimpíada de matemática em SP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Idelfranio Moreira, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS Educação , uma das escolas que incentivam a participação dos alunos, explica que o modelo estimula o interesse do aluno ao propor desafios graduais e favorece tanto a mentalidade de crescimento como o resgate da cultura de estudo na escola.

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    O sucesso dessas competições pode ser exemplificado pelos números da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (Obafog), que reúnem, por ano, mais de 1,65 milhão e 362 mil participantes, respectivamente, segundo João Canalle, astrônomo e coordenador dos dois eventos. Mas, como em toda competição, são poucas as medalhas distribuídas. Na OBA, apenas 5% dos alunos as recebem.

    Escolha a Escola: conheça tendências e desafios da educação no Brasil
    Escolha a Escola: conheça tendências e desafios da educação no Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O efeito desse funil dos medalhistas é um dos pontos que precisam ser observados de perto pelos educadores, segundo Miguel Ribeiro, professor associado na Faculdade de Educação da Unicamp e coordenador do CIEspMat (Grupo de Pesquisa Prática Pedagógica em Matemática).

    Para ele, a participação em competições como essas traz benefícios quando o objetivo não se reduz ao treinamento por resultados. "É muito bom as escolas terem esse tipo de proposta, mas com a ressalva de não treinar os alunos somente para eles irem bem nas olimpíadas", afirma.

    Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), por exemplo, menos de 1% dos participantes conquistam medalhas. Já na OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), entram alunos que já passaram por olimpíadas regionais ou foram medalhistas na Obmep), razão pela qual pais e escolas não devem criar altas expectativas. "Há alunos que gostam do desafio de estar ali. A competição ajuda a elevar o nível de conhecimento, de entendimento e de formas de pensar, mas é importante lembrar que poucos ganharão medalhas", lembra.

    Três cientistas com jalecos brancos interagem em fundo rosa. Um segura um frasco com líquido amarelo, outro usa um rádio comunicador, e o terceiro observa por um microscópio. Um foguete e um átomo estilizado aparecem ao fundo.
    Três cientistas com jalecos brancos interagem em fundo rosa. Um segura um frasco com líquido amarelo, outro usa um rádio comunicador, e o terceiro observa por um microscópio. Um foguete e um átomo estilizado aparecem ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em muitos casos, a participação nesses eventos pode trazer experiências únicas que não aconteceriam nas salas de aulas regulares. Canalle conta que a OBAFog, por exemplo, prioriza o trabalho em equipe e a aplicação prática de física e aerodinâmica em formato lúdico e pode oferecer bolsas de iniciação científica júnior pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e certificados reconhecidos por universidades.

    Para os pais que buscam escolher uma escola que foca esse tipo de experiência, especialistas orientam investigar a finalidade pedagógica das competições. Segundo Ribeiro, é recomendável questionar se a escola busca apenas construir indicadores de resultados com os medalhistas ou se utiliza os exames para expandir o repertório dos alunos, com atenção às necessidades deles.

    Cabe também verificar como a equipe acolhe estudantes diante de resultados insatisfatórios e se existem turmas de preparação sem exigência de desempenho prévio. "É importante ficar atento se o aluno apresentar sinais de estresse, porque ele pode sentir muita pressão se seu nível for muito diferente do que é exigido", diz Ribeiro.

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    Instituições públicas e privadas adotam diferentes modelos de integração do calendário olímpico. Em São Paulo , a Secretaria Estadual de Educação lançou, em 2025, o projeto Escolas Olímpicas, em que unidades selecionadas teriam aulas preparatórias aos sábados.

    Em junho deste ano, o governo do estado instituiu o Programa Olimpíadas do Conhecimento para tornar política pública contínua a participação dos alunos nas competições. O programa oferece materiais didáticos específicos, apoio pedagógico e formação continuada dos professores e é voltado para alunos do 6° ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio. Trata-se de competições como a Olimpíada de Matemática do Estado de SP (Omasp) ou a Olimpíada de Língua Portuguesa (Olisp). No caso da competição de matemática, o programa também abrange a OMASP Mirim, para alunos do 2° ao 5° ano do fundamental. Podem participar estudantes da rede pública municipal ou estadual que aderirem ao programa.

    Na Obmep, promovida pelo Impa, os estudantes da rede pública e privada são incentivados a participar com preparações específicas.A inscrição é feita pela escola, que indica quantos alunos vão participar da primeira fase .

    logo do produto folha de redação
    logo do produto folha de redação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Em São Caetano do Sul (SP), a Escola Villare oferece aulas no contraturno com monitores, sem substituir o curso regular, e presta orientação em equipe. Segundo Vivian Munhoz Rocha, coordenadora-geral do Ensino Fundamental Anos Finais, a equipe foca o acompanhamento socioemocional no acolhimento de ansiedade e frustração, reforçando que erros fazem parte do aprendizado. "Mais do que a busca por resultados, entendemos as olimpíadas como oportunidades de aprendizagem e de ampliação de repertório. Elas permitem que os alunos se aprofundem em diferentes áreas do conhecimento, enfrentem desafios e desenvolvam estratégias de resolução de problemas", diz.

    No Centro Educacional Pioneiro, em São Paulo, a participação nas olimpíadas de português e matemática é obrigatória para todos os estudantes, independentemente dos resultados, segundo Mário Fioranelli, diretor da instituição. Competições nas demais áreas são optativas, conforme o interesse do aluno. Fioranelli diz que a instituição optou pela participação geral dos alunos porque a experiência ajuda na formação do estudante. "Mesmo que o aluno não tenha tido um desempenho tão bom anteriormente, o que queremos é que o aluno demonstre desejo de se engajar", afirma.

    No Colégio Magno/Mágico de Oz, em SP, a preparação principal é feita no horário regular de aula, porque, segundo a diretora Cláudia Tricate, o conteúdo diário garante condições para os exames, com turmas opcionais no contraturno. Ela conta que as olimpíadas também fornecem informações para a escola verificar em quais áreas os alunos estão indo bem e em quais precisam avançar.

    "Crianças e adolescentes gostam de desafios. Percebemos que eles se preocupam menos com a premiação e mais com a experiência, além de aprender a lidar com avaliações feitas por professores que não os conhecem", afirma.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/escolas-aderem-a-olimpiadas-do-conhecimento-para-estimular-resiliencia-e-raciocinio-logico.shtml.

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    Ilustração criada por Fido Nesti para reportagem sobre escolas que incentivam participação em olimpíadas de conhecimento - Fido Nesti · Fido Nesti — Foto: UOL

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