Escola dos filhos sobe acima da inflação e desafia orçamento familiar
A educação do filho consome de 20% a 25% da renda da família do empresário Fábio Dourado, 43. À frente da administração da padaria da família e de outros negócios, ele organiza as contas em planilhas e todo mês reserva uma quantia para imprevistos . Além da mensalidade , entram na conta outras despesas relacionadas à vida escolar do filho Ricardo, 15, que está no 1º ano do ensino médio. Leia mais (10/04/2026 - 23h00)

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A educação do filho consome de 20% a 25% da renda da família do empresário Fábio Dourado, 43. À frente da administração da padaria da família e de outros negócios, ele organiza as contas em planilhas e todo mês reserva uma quantia para imprevistos . Além da mensalidade , entram na conta outras despesas relacionadas à vida escolar do filho Ricardo, 15, que está no 1º ano do ensino médio.

A bancária Bárbara Baquette, 39, diz que escolheu a escola atual de Ricardo considerando o custo-benefício para a família. A proposta pedagógica e a preparação para a vida profissional também pesaram na decisão de manter o filho na rede particular, onde sempre estudou.
Os gastos com educação variaram ao longo dos anos. Quando Ricardo era menor, o período integral elevava as despesas. A saída reduziu os custos, mas os reajustes das mensalidades voltaram a pressionar o orçamento.
As despesas com educação têm subido acima da inflação nos últimos anos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no acumulado deste ano, o grupo Educação subiu 5,98%, ante 4,22% do índice geral . Entre os subgrupos, o ensino fundamental teve alta de 8,71%, seguido pelo ensino médio, com 8,66%.

Esse descompasso também aparece em uma simulação do planejador financeiro Bruno Guimarães, da Planejar. Considerando uma mensalidade inicial de R$ 3.000 e reajustes de dois pontos percentuais acima da inflação a cada ano, o valor chegaria a R$ 3.730 no 12º ano de escolaridade, do início do ensino fundamental ao fim do médio. O desembolso seria de R$ 482.835, ante R$ 432 mil se a mensalidade só acompanhasse a inflação.
A simulação não considera uma taxa específica de inflação. Os valores estão no poder de compra de hoje e pressupõem que a mensalidade avance, em média, dois pontos percentuais ao ano acima da inflação.
A diferença em relação à inflação não é recente. Em 2025, o grupo Educação subiu 6,22%, ante 4,26% do IPCA. No ano anterior, a alta havia sido de 6,70%, frente a 4,83% do índice geral.

Para Dourado, manter as despesas com a educação do filho registradas em planilhas e controlar os gastos foi uma maneira de evitar o endividamento. "Você tem que ser muito controlado com os gastos, porque caso contrário se aperta e se endivida."
A organização financeira também permite manter uma quantia para imprevistos e separar dinheiro para a aposentadoria . O empresário diz que contribui para uma previdência privada há cerca de 15 a 20 anos.
Bárbara mantém uma previdência privada. O casal afirma que procura ensinar a Ricardo a importância de lidar com o dinheiro. "Já comecei a colocá-lo para trabalhar um pouco, para ele sentir como é ganhar e gastar o próprio dinheiro", afirma o empresário.

Bruno Guimarães diz que não há um percentual único da renda que sirva de limite para os gastos com educação. O parâmetro, afirma, é o conjunto de compromissos recorrentes da família, como moradia, educação, saúde, transporte e dívidas.
A mensalidade cabe no orçamento quando pode ser paga sem interromper os investimentos de longo prazo nem consumir a reserva de emergência.
Fernando Henrique Rodrigues, CEO da Verso Educação e sócio da Me Poupe na Escola, diz que recorrer com frequência ao cheque especial , atrasar outras contas ou usar as reservas para manter a escola são sinais de desequilíbrio financeiro.
Guimarães diz que a reserva é importante porque a mensalidade é uma despesa que não pode ser interrompida facilmente. "Sem reserva, uma queda temporária de renda transforma uma despesa previsível em dívida cara, e aí a família paga juros por algo que estava no calendário desde o começo", diz.
Ele alerta para o risco de suspender os aportes para a aposentadoria . Com menos tempo para investir, a família perde parte do efeito dos juros compostos, em que os rendimentos acumulados também passam a gerar ganhos.
Rodrigues recomenda projetar os gastos dos próximos três a cinco anos, considerando reajustes, diferenças de preço entre etapas escolares e a entrada de outros filhos na escola.
Segundo o especialista, vale simular cenários menos favoráveis, como um período sem aumento salarial ou com redução de renda. Para quem está escolhendo uma escola, ele recomenda consultar o valor total da anuidade, as formas de pagamento e o que será cobrado à parte. E recomenda verificar o histórico de reajustes, os preços das etapas seguintes e as condições de bolsas e descontos, incluindo prazo e critérios de manutenção.
"A família deve entender ainda as regras de cancelamento e os encargos por atraso. Na comparação entre escolas, é preciso considerar serviços equivalentes: alimentação, período integral e atividades incluídas podem mudar bastante o custo final", diz.
Sim, desde que o planejamento caiba no orçamento e preserve a reserva de emergência. Rodrigues diz que a família deve definir por quanto tempo quer financiar os estudos, estimar os custos e calcular os aportes necessários, considerando uma rentabilidade conservadora, líquida de impostos e taxas.
Para despesas de curto prazo, a prioridade é investir com baixo risco e facilidade de resgate. "O Tesouro Selic é uma alternativa a avaliar. Para prazos maiores, títulos como o Tesouro IPCA+ podem fazer sentido quando o vencimento é compatível com a necessidade de usar o dinheiro", diz. A venda antecipada pode gerar perdas, e acompanhar o IPCA não garante acompanhar os reajustes das escolas.
Rodrigues diz que famílias com planejamento e reserva podem se beneficiar de descontos oferecidos por algumas escolas no pagamento à vista da anuidade.
Segundo o Procon-SP, a legislação obriga as escolas a divulgar o valor total da anuidade ou semestralidade com pelo menos 45 dias de antecedência do prazo final de matrícula.
Não há percentual máximo de reajuste definido. Os aumentos podem considerar custos com pessoal, investimentos pedagógicos e manutenção, mas os critérios devem ser informados previamente, de forma transparente e com planilha de custos.
Em caso de dúvida sobre reajustes ou cobranças, o Procon recomenda procurar primeiro a escola. Se as dúvidas persistirem, a família pode buscar orientação no órgão de defesa do consumidor de sua cidade. Em São Paulo, há atendimento pelo site do Procon-SP e em postos presenciais .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/escola-dos-filhos-sobe-acima-da-inflacao-e-desafia-orcamento-familiar.shtml.

O empresário Fábio Dourado, 43, e a bancária Bárbara Baquette, 39, na padaria da família, administrada por Dourado; despesas com a educação do filho, Ricardo, 15, consomem de 20% a 25% da renda familiar - Rafaela Araújo - 24.set.26/Folhapre — Foto: Folha de S.Paulo
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