Brasil

    Erika Kirk: O que aprendi sobre o luto

    Viúva relembra os primeiros dias após o assassinato de Charlie Kirk e as mudanças na rotina da família

    UOL
    10 de setembro de 2026 às 17:00
    Erika Kirk: O que aprendi sobre o luto
    Foto: UOL

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Erika Kirk, viúva de Charlie Kirk, na cerimônia de concessão da Medalha Presidencial da Liberdade ao marido ativista de direita americano, no Rose Garden da Casa Branca, em Washington; Kirk foi morto a tiros em um campus universitário de Ut
    Erika Kirk, viúva de Charlie Kirk, na cerimônia de concessão da Medalha Presidencial da Liberdade ao marido ativista de direita americano, no Rose Garden da Casa Branca, em Washington; Kirk foi morto a tiros em um campus universitário de Ut — Foto: UOL · Fonte: UOL

    É 11 de setembro de 2025. O dia seguinte ao assassinato a tiros do meu marido, Charlie Kirk .

    As últimas 24 horas parecem um delírio febril enquanto desembarco em Phoenix, vinda de Utah, e volto para casa. Saio do carro, e meus filhos correm para os meus braços. Eles não fazem ideia de onde eu estava nem do que estava fazendo. Só se importam com o fato de eu estar em casa.

    Enquanto caminho até a porta da frente, sinto um aperto no peito que não reconheço. É assim que se sente o luto? Sento-me no sofá onde Charlie estava sentado duas noites antes, assistindo aos Cubs (time de beisebol de Chicago, nos Estados Unidos ) com nossos filhos. Sinto uma onda crescendo dentro de mim e sei que ela está prestes a desabar.

    Veja homenagens a Charlie Kirk nos Estados Unidos
    Veja homenagens a Charlie Kirk nos Estados Unidos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Não sei como vou conseguir passar por isso ", eu disse à segunda-dama, Usha Vance, mais cedo naquele dia. Segurando minha mão, ela disse: "Sabe quando você está em um avião com seus filhos, faltam 15 minutos para o pouso, mas as crianças estão enlouquecidas, gritando, jogando coisas, e então o avião pousa, elas se acalmam e tudo fica bem de novo? Vai ser assim. Apenas atravesse os próximos 15 minutos".

    Suas palavras ficaram gravadas em meu coração.

    Por fim, criei coragem para entrar em nosso banheiro. Encarei o lado dele na pia. Sua escova de dentes ainda estava deitada, sua toalha ainda pendia do gancho. "Nunca vou tocar nessa toalha", disse a mim mesma.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Parei à porta do nosso quarto. Acendi a luz e caminhei até o lado dele na cama. Vi seu travesseiro e me perguntei por quanto tempo o cheiro de uma pessoa pode permanecer nos lençóis. Fiquei ali em silêncio, revivendo todas as manhãs perfeitamente comuns em que acordamos juntos naquele quarto. Eu não estava pronta para estar ali, então apaguei a luz e me enfiei na cama com minha filha de 3 anos. Apenas atravesse os próximos 15 minutos.

    Durante meses, evitei meu quarto. Disse a mim mesma que não havia problema em enfrentar a dor aos poucos e acolher cada lembrança à medida que surgisse.

    Passou o primeiro sábado sem um bilhete de amor dele. Seu aniversário de 32 anos. Meu aniversário. O Dia de Ação de Graças. Quando montei a árvore de Natal do jeito errado, percebi que ser viúva significa que as antigas tradições terão de abrir espaço para novas. A onda desaba sobre mim repetidas vezes. E, a cada vez, apenas atravesse os próximos 15 minutos.

    Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

    A Páscoa, nosso aniversário de casamento, o segundo aniversário do nosso filho, a audiência preliminar do homem acusado de assassinar meu marido, nossa viagem anual ao Maine, agora como uma família de três pessoas. E então, por último, o quarto aniversário de nossa filha.

    Outra onda veio enquanto cantávamos "Parabéns pra Você" para ela. Enquanto eu cantava, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Abracei minha filha enquanto ela apagava a vela. Queria que ele pudesse tê-la visto. Ela segurou meu braço e me beijou, e naquele momento percebi que ela também estava sobrevivendo às próprias pequenas ondas que desabavam sobre ela.

    O luto é estranho. O tempo continua avançando mesmo quando cada parte de você quer que ele pare ou, melhor ainda, volte atrás. Mas as pessoas que amamos e que já partiram não gostariam que passássemos o resto da vida tentando voltar no tempo. No começo, eu precisava sobreviver aos 15 minutos seguintes. Com o tempo, percebi que Charlie gostaria que eu os vivesse.

    De vez em quando, perguntam-me se sinto raiva de Deus. Digo que não. Meu marido era único. Fui abençoada por ser sua esposa e compreendia sua missão aqui na terra, que ele cumpriu mais do que plenamente.

    Ele queria que as pessoas que se sentiam perdidas conhecessem a esperança eterna que encontrou por meio da fé, assim como o sentido e o propósito capazes de preencher os anseios mais profundos que tantas vezes tentamos satisfazer em outros lugares.

    Para o mundo, ele era Charlie Kirk. Mas, para mim, era o amor da minha vida . Para nossos filhos, era o centro do mundo deles.

    Quando perdemos alguém que amamos, é fácil ter dificuldade para compreender o plano de Deus. Uma das provas mais difíceis de nossa fé acontece quando coisas ruins ocorrem.

    A verdadeira fé significa aceitar que não teremos todas as respostas e encontrar paz nisso.

    Vi um bem extraordinário nascer de algo inimaginavelmente maligno. Vi pessoas retornarem à fé em massa, reconciliarem-se com suas famílias e perdoarem feridas antigas por causa de Charlie. Sei que meu marido está no céu, mas dói profundamente que ele não esteja aqui. Ainda assim, posso me levantar e dizer, sem sombra de dúvida, que Deus é bom.

    A onda ainda vem, mas agora é diferente. Um ano atrás, quando a sentia se formando sobre mim, eu me perguntava se ela me engoliria por completo. Agora eu a reconheço; às vezes, até a acolho, porque, por um instante, o luto faz Charlie parecer impossivelmente perto.

    O luto é universal. Ele não se importa com quem você votou, de onde você vem ou em que acredita. Quem já atravessou o luto sabe que as ondas nunca desaparecem por completo; nem deveriam. Estou aprendendo que viver o luto por Charlie e, ao mesmo tempo, seguir vivendo fazem parte do ritmo do luto. Posso sentir falta dele com cada parte de mim e ainda rir com nossos filhos. Posso estar com o coração partido e, ainda assim, sentir alegria.

    Se você está vivendo um luto, não vou lhe dizer o que sentir nem que amanhã será melhor do que hoje. Vou lhe dizer o que uma amiga querida me disse: apenas atravesse os próximos 15 minutos.

    Um dia, talvez quando você menos esperar, começará a perceber que esses 15 minutos contêm mais do que apenas luto. O luto está sempre presente, mas a bela dádiva da vida também.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/erika-kirk-o-que-aprendi-sobre-o-luto.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Erika Kirk, viúva de Charlie Kirk, na cerimônia de concessão da Medalha Presidencial da Liberdade ao marido ativista de direita americano, no Rose Garden da Casa Branca, em Washington; Kirk foi morto a tiros em um campus universitário de Ut — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)