Equipe do BC para Open Finance é “superenxuta”, diz PicPay
Thiago Daniel, diretor jurídico da empresa, defende maior colaboração do mercado com a autoridade monetária para aprimorar governança e eficiência do sistema

Thiago Daniel, diretor jurídico da empresa, defende maior colaboração do mercado com a autoridade monetária para aprimorar governança e eficiência do sistema
O diretor jurídico e de regulação do PicPay, Thiago Daniel , afirmou nesta 3ª feira (1º.set.2026) que a equipe do BC (Banco Central) dedicada ao Open Finance é “ superenxuta ” e defendeu uma maior colaboração dos participantes do mercado com a autoridade monetária no desenvolvimento do sistema.
“O Banco Central, a gente sabe que hoje, especificamente para o Open Finance, acho que não só no Open Finance, mas em muitos outros casos, tem uma equipe superenxuta. Então, o que a gente puder ajudar o Banco Central também a contribuir com o desenvolvimento, acho que é o grande gargalo que a gente tem hoje” , declarou.

A afirmação foi feita durante entrevista ao editor sênior do Poder360 Paulo Silva Pinto no Zetta Summit 2026 , em Brasília.
Daniel afirmou que o modelo brasileiro de Open Finance combina uma atuação relevante do BC com a participação de empresas representadas por associações do setor. Segundo ele, essa estrutura difere da adotada em outros países por dar voz ao mercado no desenvolvimento do sistema.
O executivo disse que o Open Finance avançou de forma significativa desde a edição da resolução conjunta nº 1, de 2020, que estabeleceu regras para a implementação do sistema. Apesar disso, afirmou que ainda há espaço para aprimorar principalmente 2 áreas: a governança e o monitoramento da eficiência.

“Quando a gente olha o filme, não a foto, acho que teve uma evolução substancial em estrutura, em oferta de produtos, mas a gente tem que ainda avançar, principalmente, em 2 pontos específicos. Um é no formato de governança e o outro é no monitoramento para eficiência do sistema” , disse.
Segundo Daniel, o ecossistema de Open Finance registra, em média, 50 bilhões de chamadas de APIs (interfaces de programação de aplicações) por mês e tem mais de 250 milhões de consentimentos.
O diretor explicou que, diferentemente de outras infraestruturas do sistema financeiro, o Open Finance funciona principalmente por meio da circulação de dados e informações entre instituições autorizadas pelos clientes.

Para ele, o desafio agora não é apenas garantir que a infraestrutura permaneça disponível, mas verificar a qualidade de seu funcionamento.
“A eficiência, e quando eu quero dizer eficiência, é: os dados estão chegando de forma correta? Os pagamentos que estão acontecendo, eles de fato estão sendo concluídos ou não?” , afirmou.
Daniel disse haver ainda uma quantidade “muito grande” de instituições com níveis baixos de eficiência no ecossistema. Segundo ele, o monitoramento precisa identificar problemas no compartilhamento de informações e na conclusão das operações.
O executivo também defendeu o aprimoramento da atuação do conselho que participa da governança do Open Finance. Segundo Daniel, há espaço para que o colegiado tenha uma posição “cada vez mais contributiva” no apoio à diretoria da Associação Open Finance Brasil e ao BC.
Daniel representa no conselho a cadeira 2.3, destinada aos entrantes no mercado. Segundo ele, mais de 90% das empresas representadas pelo grupo dependem do Open Finance para seus modelos de negócio.
“Mais de 90% das empresas que estão nessa cadeira são empresas que existem porque o Open Finance existe. Sem o Open Finance, essas instituições não existiriam” , declarou.
Ele afirmou que essas companhias desenvolvem modelos baseados em dados e dependem do sistema para ter acesso, mediante autorização dos clientes, às informações necessárias para oferecer produtos e serviços.
O Zetta Summit está em sua 1ª edição. Reúne CEOs, executivos C-Level, autoridades, reguladores, formuladores de políticas públicas, investidores, empreendedores e especialistas para debater os desafios e as oportunidades que moldarão a próxima década da inovação financeira no Brasil.
Conta com convidados como Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC, Ailton de Aquino, diretor do BC, Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, e Guilherme Mello, secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/equipe-do-bc-para-open-finance-e-superenxuta-diz-picpay/.

"Então, o que a gente puder ajudar o Banco Central também a contribuir com o desenvolvimento, acho que é o grande gargalo que a gente tem hoje”, afirmou ao Poder360 — Foto: Poder360
Compartilhe
Espalhe essa notícia

