Entre taças e araucárias na Serra Catarinense
Estradas sinuosas, névoa baixa, muitas araucárias e taças de vinho recebem o turista que chega à Serra Catarinense -ou, pelo menos, foi como esta turista foi recebida na última semana. Na região de Bom Retiro, a mais ou menos 900 metros de altitude, fica a vinícola Thera, cujos vinhos eram admirados pelas minhas papilas já há algumas safras. Leia mais (08/20/2026 - 18h37)

Jornalista especializada em vinhos, editora executiva da revista Gama e autora da newsletter Saca Essa Rolha
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Estradas sinuosas, névoa baixa, muitas araucárias e taças de vinho recebem o turista que chega à Serra Catarinense —ou, pelo menos, foi como esta turista foi recebida na última semana. Na região de Bom Retiro, a mais ou menos 900 metros de altitude, fica a vinícola Thera, cujos vinhos eram admirados pelas minhas papilas já há algumas safras.
Antes que se falasse na revolução trazida pela técnica da dupla poda e dos vinhos de inverno , era a Serra Catarinense a chamada nova fronteira dos vinhos brasileiros . Surgida como região vitivinícola nos anos 1990, abrigava projetos familiares que nasceram de forma independente, cada um com suas próprias castas e visões. Entre os destaques dessa primeira geração, estão castas italianas, como a sangiovese e a montepulciano, e um pinot noir feito pela Quinta da Neve que impressionou quem o provou. Com eles, ficou claro o potencial para a acidez mais alta.
A história da Thera começa duas décadas depois. O projeto é o segundo da família da Villa Francioni, e chegou com o objetivo de fazer vinhos em menor escala, com mais elegância. Lembrando que, para atingi-la, a acidez é fundamental. Já para ter acidez, o clima frio é uma das receitas.

Como eu já conhecia os vinhos, sabia que eram agradáveis, finos, vivos (olha a acidez aí!), pouco alcoólicos ( brancos com 12%, tintos com 13%). Mas na Serra Catarinense, vi de onde vem tudo isso. No verão, por ali, até faz calor, mas nada que ultrapasse os 30ºC. À noite, o termômetro pode baixar a 8ºC, conta o enólogo Átila Zavarize, que está no projeto desde o começo, nos anos 2000.
É Zavarize quem assina as três linhas do portfólio da vinícola: a de entrada, que inclui o Anima Thera Merlot 2025 (R$ 164 no site da vinícola), uma casta que nem está nas tendências, mas que entrega muito neste tinto macio e redondo; a intermediária, com o Thera Rosé 2025 (R$ 209), feito ao estilo da Provence, com merlot, cabernet franc e syrah, fresco e mineral; e a icônica, com alguns vinhos de apenas 300 garrafas. É o caso dos espumantes Vinícola Thera Extra Brut Blanc de Blanc, um 100% chardonnay , finíssimo e delicado, e Nature, feito com chardonnay (80%) e pinot noir (20%), ótimo para acompanhar comida. Ambos ficam 36 meses em autólise (sur lie, em contato com as leveduras).
Mas são os brancos o grande trunfo. Hoje, são o que o mundo quer beber e, desde o início, já eram prioridade ali. Destaco o Thera Chardonnay 2025 (R$ 209), com nota delicada de fruta branca e acidez cítrica; e o corte bordalês Thera Semillon Sauvignon Blanc 2024 (R$ 349), cremoso, persistente e chique.

Além dos vinhos, o que se destaca é a paisagem montanhosa. Não à toa, foi montada ali uma estrutura de enoturismo , que começou com um restaurante para os visitantes. Mas eles gostavam tanto que queriam passar a noite, e assim veio o hotel boutique, totalmente no estilo quiet luxury . Mas aí teve gente que gostava tanto de passar temporadas que sonhava em morar lá. E assim nasceu o projeto de um condomínio (aliás, tendência forte do mercado).
Se comprar uma casa numa vinícola parece um passo muito largo para as pernas, outro mais administrável é uma visita ao wine-bar (que faz a linha chique minimalista), onde se pode tomar uma taça geladinha de branco e comer uma tábua de queijos. Mas, cuidado, pode ser o bastante para ser picado pela mosquinha imobiliária.
A jornalista viajou a convite da vinícola Thera e do hotel LK Design
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/isabelle-moreira-lima/2026/08/entre-tacas-e-araucarias-na-serra-catarinense.shtml.

Vista do prédio onde fica a vinícola da Thera, no andar de baixo, e o restaurante, no andar de cima, na Fazenda Bom Retiro, em Bom Retiro, na Serra Catarinense - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

