Brasil

    Entre o La Moneda e o World Trade Center

    Existe o bombeirinho, nostálgico atiçador de fogo na adolescência. E existe o "fireman's sour", homenagem direta aos bombeiros . Leia mais (09/09/2026 - 20h11)

    Folha de S.Paulo
    9 de setembro de 2026 às 23:11
    Entre o La Moneda e o World Trade Center
    Foto: Folha de S.Paulo

    Coluna é assinada pelo jornalista e tradutor Daniel de Mesquita Benevides

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, cumprimenta bombeiro durante homenagem às vítimas no World Trade Center, em Nova York - Tim Sloan/APF · Tim Sloan/APF
    George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, cumprimenta bombeiro durante homenagem às vítimas no World Trade Center, em Nova York - Tim Sloan/APF · Tim Sloan/APF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Existe o bombeirinho, nostálgico atiçador de fogo na adolescência. E existe o "fireman’s sour", homenagem direta aos bombeiros .

    O coquetel criado para os homens e mulheres de vermelho pode ser uma pedida nesse 11 de setembro , data em que o fogo, real e metafórico, atingiu dois países de forma bombástica, provocando grandes cicatrizes no tecido histórico.

    Em 1973, na capital chilena, o governo socialista de Salvador Allende foi derrubado depois que a força aérea bombardeou o palácio de La Moneda. Allende teria cometido suicídio no local, assim como Augusto Olivares, diretor da Televisión Nacional. Poucas baixas para um evento de tal magnitude. Durante a subsequente ditadura de Pinochet, no entanto, as baixas seriam incontáveis.

    Veja fotos do 11 de Setembro
    Veja fotos do 11 de Setembro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Findo o bombardeio, os bombeiros foram ao palácio presidencial. Além da destruição, viram cerca de 50 seguidores de Allende deitados com a cara no chão, prisioneiros do Exército —em dois dias, 23 deles estariam na mesma posição, fuzilados.

    Alejandro Artigas foi o primeiro a entrar. Chegou ao salão principal em meio às labaredas e viu o corpo do presidente. Um militar apareceu e quis registrar a cena. Pediu que o bombeiro iluminasse o ambiente, escuro para a foto. O retrato do rosto desfigurado de Allende foi a imagem crua do fim da democracia no Chile .

    A CIA financiou o movimento que resultou no golpe, inclusive um grupo terrorista de direita —o Patria y Libertad. Amarga ironia, os EUA sofreram anos depois, no mesmo dia, o ataque terrorista às Torres Gêmeas em Manhattan, capital simbólica do chamado mundo ocidental. Dessa vez, os bombeiros tiveram um papel bem mais marcante —centenas morreram durante as tentativas de resgate e depois, de doenças relacionadas à poeira espessa que respiraram. Salvaram muitas vidas.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso de resgatar pessoas no meio da fumaça e das chamas é relativamente recente —data do começo do século 19. Antes se pensava mais em preservar o patrimônio, além de impedir que o fogo se alastrasse pela cidade. O serviço costumava ser feito por seguradoras, pois saía mais barato apagar o fogo do que pagar pelo prédio destruído. Havia também brigadas de voluntários, por vezes, rivais. O filme " Gangues de Nova York " (2002) mostra uma briga meio cômica de bombeiros para ver quem apagaria um incêndio.

    A evolução tecnológica teve papel importante. A bomba manual de água se mostrou mais eficiente do que passar baldes de mão em mão. O telefone substituiu como alarme o sino. E escadas como a Magirus permitiram que se alcançasse andares mais altos.

    O fireman’s sour surgiu em 1917, no livro "Recipes for Mixed Drinks", de Hugo Ensslin, bartender que enfrentou o fogo dos alemães na Grande Guerra. Tempo em que os bombeiros se vestiam de soldados para provocar incêndios e as mulheres apagavam esses mesmos incêndios. Outra ironia amarga.

    Bata os ingredientes sem gelo e depois repita a operação com gelo. Coe para um copo old fashioned com gelo

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/daniel-de-mesquita-benevides/2026/09/entre-o-la-moneda-e-o-world-trade-center.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, cumprimenta bombeiro durante homenagem às vítimas no World Trade Center, em Nova York - Tim Sloan/APF · Tim Sloan/APF — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)