Entre Lula e Flávio, Brasil dá as costas ao futuro, e Renan é candidato mais adequado, diz The Economist
Em editorial, revista britânica afirma que político do Missão é

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Em editorial publicado nesta quinta-feira (24), a revista britânica The Economist disse que, ao precisar decidir entre Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) e Flávio Bolsonaro ( PL ) nas eleições presidenciais deste ano, o Brasil "dá as costas ao seu futuro". Para o semanário, o candidato "com as ideias mais adequadas ao momento atual" é Renan Santos (Missão).

"A escolha apresentada aos brasileiros é cruel", afirma o texto. "O potencial do Brasil é óbvio há muito tempo. Quando a capital, Brasília, foi construída nos anos 1950, suas ruas foram desenhadas no formato de um avião , simbolizando um país prestes a decolar. Mas ele ainda está parado na pista."
Para a revista, os dois candidatos à frente das pesquisas não serão capazes de liderar as reformas de que o Brasil precisa —a mais importante delas, o corte de gastos . "Renan Santos, um libertário determinado, é o candidato cujas ideias mais se adequam ao momento atual", diz o editorial. "Ele quer promover reformas estruturais profundas e cortes de gastos para transformar o Brasil em uma grande potência."
Entre as propostas do candidato do Missão estão uma reformulação completa do Bolsa Família , o fim das cotas no ensino superior e serviço público , mudanças na distribuição de recursos aos estados e o desenvolvimento de uma bomba atômica —medida que, segundo especialistas, poderia causar uma corrida armamentista na América do Sul .

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"Mas nem [Renan] nem nenhum outro outsider mostrou força contra as poderosas máquinas políticas de Lula e [Flávio] Bolsonaro", afirma a Economist. "Assim, o país está à deriva em direção a uma crise previsível, mas a maior parte de sua elite política está confortável demais com o jeito que as coisas estão para mudar de curso."
Renan reagiu à publicação do editorial. Em vídeo publicado na quinta, o candidato diz que "a revista mais influente do mundo" disse "o que a mídia brasileira não teve coragem de dizer."

No texto, a Economist critica o atual presidente, dizendo que "Lula vai fazer 81 anos de idade, tão velho quanto Joe Biden estava quando desistiu de sua campanha eleitoral em 2024".
Trata-se de referência ao fato de que o americano apresentava indícios de declínio no seu estado de saúde que se tornaram aparentes em debate contra Donald Trump . A reação de seu próprio partido forçou o democrata a abandonar a corrida, sendo substituído por Kamala Harris , que seria derrotada por Trump em seguida .
O editorial da Economist elogia as posições de Lula em defesa da democracia e do meio ambiente, mas diz que "ele fez muito pouco para promover crescimento ou restringir gastos", relembrando a fala do petista, em fevereiro de 2025, em que classificou a questão do déficit fiscal de "bobagem" .

Já sobre Flávio Bolsonaro, o semanário diz que ele "nega as causas da mudança climática, questiona a lisura da urna eletrônica e insinua que não respeitará o resultado se Lula vencer". Diz ainda que a principal promessa do senador é " conceder um indulto ao seu pai , condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe que incluía um plano para assassinar Lula".
"Nenhum dos dois parece ser capaz de lidar com os dois principais problemas do Brasil", prossegue. " A corrupção sistêmica e a expansão desenfreada do gasto público." Apresentando o argumento da economia liberal clássica, a Economist diz que "sem um plano para reduzir a dívida pública em relação ao PIB, o risco de uma espiral inflacionária manterá a taxa de juros nas alturas , deixando a economia sem o capital de que precisa para aumentar produtividade e crescimento".
O semanário britânico critica ainda o modelo orçamentário brasileiro, em que apenas pequena parte do orçamento é discricionário, isto é, está à disposição de governos. "Reduzir a dívida e, por consequência, a taxa de juros demandará cortes profundos do orçamento, do qual 92% é obrigatório graças às leis e à Constituição brasileira, que é absurdamente prescritiva ".

Por fim, a Economist diz que "o futuro brilhante" do Brasil "permanecerá suspenso por mais quatro anos. Não está morto —apesar da corrupção e da visão míope de políticos fisiológicos, as instituições vitais do país ainda funcionam."
"A Polícia Federal agiu muito bem ao investigar a fraude do Banco Master e a tentativa de golpe; a imprensa permanece feroz, independente e relativamente bem financiada ; o Itamaraty é respeitado ao redor do mundo."
Entretanto, para a Economist, somente uma crise da dívida pública que leve a uma recessão fará com que os brasileiros "se voltem para alguém preparado para apresentar o argumento impopular de que sacrifícios serão necessários para atingir um futuro em que um país abençoado nunca mais será condenado a escolher entre dois candidatos tão terríveis."
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/entre-lula-e-flavio-brasil-da-as-costas-ao-futuro-e-renan-e-candidato-mais-adequado-diz-the-economist.shtml.

O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, realiza evento de campanha em Porto Alegre - Diego Vara - 18.set.26/Reuters · Diego Vara - 18.set.26/Reuters — Foto: UOL
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