Entidades reagem a decisão de Moraes em caso de jornalista do Maranhão
A operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes , do STF (Supremo Tribunal Federal), contra um suposto informante do jornalista do Maranhão Luís Pablo , que já publicou em seu blog textos contrários ao ministro Flávio Dino , preocupou entidades ligadas ao jornalismo e ao direito. Leia mais (08/12/2026 - 17h11)

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A operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes , do STF (Supremo Tribunal Federal), contra um suposto informante do jornalista do Maranhão Luís Pablo , que já publicou em seu blog textos contrários ao ministro Flávio Dino , preocupou entidades ligadas ao jornalismo e ao direito.

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) divulgou nota nesta quarta-feira (12) em que manifesta "alarme diante das medidas judiciais que permitiram identificar e perseguir uma fonte do jornalista". Ela afirma que "a violação do sigilo profissional constitui uma grave ameaça ao exercício do jornalismo e estabelece um perigoso precedente para a liberdade de imprensa no Brasil".
O Iasp ( Instituto dos Advogados de São Paulo) disse acompanhar "com preocupação" a ordem de busca e apreensão cumprida na terça (11) contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do Governo do Maranhão, considerado pela Polícia Federal como informante de Luís Pablo.
O instituto afirma que o sigilo da fonte é garantia expressamente assegurada pela Constituição e que o anonimato da fonte não é um privilégio do jornalista e não cria imunidade para a prática de ilícitos, mas "protege a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação".

"Medidas capazes de conduzir, direta ou indiretamente, à identificação de fontes jornalísticas exigem, portanto, rigoroso controle constitucional", diz o Iasp em nota.
Na mesma decisão cumprida nesta terça, Moraes autorizou medidas contra Diogo Diniz Lima, advogado, ex-secretário de Urbanismo e Habitação na Prefeitura de São Luís, também apontado como informante e que, segundo despacho do ministro, fez pagamentos de R$ 100 mil ao jornalista para a quitação de um imóvel.
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Dino afirmou ter pedido a ampliação das medidas de segurança para ele e sua família. O magistrado disse a interlocutores ter sofrido perseguição no Maranhão.
Moraes foi designado relator do caso em 15 de julho por conduzir do inquérito das fake news e, segundo sua decisão, o inquérito policial investiga a prática de obtenção e divulgação de informações de Dino.
A SIP afirma que "a violação do sigilo profissional viola tratados internacionais e princípios elementares da liberdade de imprensa" e que "qualquer ação estatal que viole essa garantia deve ser avaliada com especial rigor devido às suas possíveis consequências para a liberdade de imprensa".

Em relação ao caso do Maranhão, o presidente da instituição, Pierre Manigault, declarou considerar "especialmente grave que a investigação tenha permitido chegar até uma fonte jornalística por meio da análise dos dispositivos apreendidos de um jornalista".
Em nota conjunta na terça, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) também manifestaram "profunda preocupação" diante de riscos à liberdade de imprensa.
"Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de suas fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo."
O Iasp também fez uma observação quanto à competência do STF nesse caso. Segundo o instituto, o tribunal não deve substituir as instâncias competentes pela investigação criminal.
A entidade conclui a nota dizendo que "liberdade de imprensa, sigilo da fonte, devido processo legal e juiz natural não são obstáculos à investigação legítima, mas garantias constitucionais que limitam o exercício do poder estatal e devem ser rigorosamente preservadas".
A operação determinada por Moraes teve a concordância da PGR (Procuradoria-Geral da República).
A representação da PF ao Supremo afirma que a apuração teve início em novembro passado, depois da publicação de textos pelo blog de Luís Pablo, que se apresenta como "jornalismo independente que incomoda o poder".
Os textos tratavam do suposto uso de carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) e do governo do estado por Dino.
A PF concluiu que Cutrim, que foi secretário de Assuntos Legislativos da Secretaria de Articulação Política do Governo do Maranhão, conseguiu informações sobre o tema em sistemas de acesso restrito e as repassou para a produção dos textos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/entidades-reagem-a-decisao-de-moraes-em-caso-de-jornalista-do-maranhao.shtml.

O ministro do STF Flávio Dino - Gabriela Biló - 25.fev.26/Folhapress · Gabriela Biló - 25.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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