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    Entidades cobram do Governo de SP dados sobre poluição da Guarapiranga

    O Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo ) e outras entidades da sociedade civil cobram da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) dados atualizados sobre a poluição da represa Guarapiranga, que abastece cerca de 5,6 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Leia mais (09/29/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 07:00
    Entidades cobram do Governo de SP dados sobre poluição da Guarapiranga
    Remo de madeira em movimento na água de um lago cercado por vegetação aquática densa. Ao fundo, há árvores e arbustos em área verde sob luz solar. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo ) e outras entidades da sociedade civil cobram da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) dados atualizados sobre a poluição da represa Guarapiranga, que abastece cerca de 5,6 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

    Trecho com algas na represa de Guarapiranga, em São Paulo - Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress · Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress
    Trecho com algas na represa de Guarapiranga, em São Paulo - Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress · Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em manifesto lançado na quarta-feira (23), 42 representantes de movimentos e organizações profissionais afirmam que o estado não divulga a carga de fósforo que chega ao manancial , o que chamam de "apagão de dados".

    Segundo Ivan Carlos Maglio, um dos articuladores do manifesto "Salvemos a Guarapiranga", o Mqual (Modelo de Correlação Uso do Solo/Qualidade da Água), previsto na legislação para calcular a carga de poluentes na bacia, deveria ser divulgado periodicamente, mas a estimativa do fósforo que chega ao manancial está desatualizada.

    "Não basta repetir os diagnósticos, mas transformá-los em responsabilidades, metas e resultados ambientais", diz.

    Veja imagens da Praia do Sol, na represa de Guarapiranga, em São Paulo
    Veja imagens da Praia do Sol, na represa de Guarapiranga, em São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De acordo com o CBH-Alto Tietê (Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê), as duas últimas avaliações não mostraram o cumprimento da meta da Lei Específica da Guarapiranga. Em 2014, a carga afluente ao reservatório foi estimada em 306 kg de fósforo por dia. Em 2018, chegou a 340 kg diários, mais que o dobro da meta legal, de 147 kg.

    O dado não é atualizado desde 2018, quando o governador era o então tucano Geraldo Alckmin (hoje vice-presidente pelo PSB). Desde então, passaram pelo Palácio dos Bandeirantes João Doria (2019 a 2022) e Rodrigo Garcia (2022), além de Tarcísio (desde 2023).

    A professora Marta Marcondes, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, afirma que o excesso de fósforo favorece a eutrofização do reservatório, processo que altera a qualidade da água e estimula a proliferação de cianobactérias e macrófitas.

    Urbanização avança sobre áreas de preservação das represas Billings e Guarapiranga
    Urbanização avança sobre áreas de preservação das represas Billings e Guarapiranga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo ela, as cianobactérias podem produzir microcistinas, toxinas que exigem tratamento adequado para evitar que cheguem à água distribuída à população. Já a proliferação de macrófitas pode reduzir a disponibilidade de oxigênio nas camadas mais profundas do reservatório. "Quando morrem, essas plantas também contribuem para o acúmulo de matéria orgânica no fundo", explica.

    Para Marcondes, a principal fonte de fósforo na Guarapiranga é o esgoto sem tratamento lançado nos rios que abastecem o reservatório. Ela aponta o rio Embu-Mirim como o caso mais crítico.

    A pesquisadora afirma que as ações de saneamento previstas para cumprir a meta da lei estagnaram após o prazo limite de 2015, o que consolidou o aumento do volume de dejetos despejados no manancial ao longo da última década.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em dezembro do ano passado, um documento apresentado ao Comitê Municipal de Segurança Hídrica da Prefeitura de São Paulo apontou o agravamento contínuo do cenário na Guarapiranga.

    A análise mostra avanço das condições supertróficas e hipertróficas, os estágios mais graves da escala de degradação de um corpo d'água, marcados pelo colapso do oxigênio e pelo comprometimento da vida aquática.

    O último boletim da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) sobre a qualidade da água do Sistema Taquacetuba-Guarapiranga, com dados de abril a junho deste ano, mostra concentração de fósforo acima do limite de 0,02 mg/L em dois dos três pontos monitorados: 0,05 mg/L no braço do Taquacetuba e 0,16 mg/L no do Parelheiros.

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    O documento classifica a água como boa para abastecimento público, mas ruim para a vida aquática nos dois braços. Ele não cita a carga de fósforo em quilos por dia.

    O CBH-Alto Tietê afirma que uma nova atualização do Mqual está em andamento na Cetesb, com financiamento do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos) e indicação do próprio comitê. A previsão é de conclusão até o fim de 2026.

    Procurado, o governo Tarcísio afirmou, em nota, que mantém ações contínuas de recuperação e proteção da Guarapiranga, com atuação da Semil (Secretaria de Meio Ambiente , Infraestrutura e Logística) na gestão ambiental, na fiscalização e no monitoramento da qualidade da água.

    A gestão diz que o programa Nossa Guarapiranga, executado pela Sabesp , prevê cerca de R$3 bilhões em investimentos até 2029, com a implantação de aproximadamente 24 mil novas economias de esgoto na região.

    Segundo o governo, a Cetesb fiscaliza as fontes de poluição e monitora a qualidade da água do reservatório com coletas trimestrais. A companhia também acompanha dez pontos para fins de balneabilidade, com divulgação semanal das condições próprias ou impróprias para banho.

    A gestão afirma ainda que a ampliação do saneamento, somada à fiscalização e ao monitoramento, é fundamental para reduzir "progressivamente" a carga de poluentes, incluindo o fósforo. O governo não informou, porém, a carga atual de fósforo nem comentou a atualização do Mqual.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/entidades-cobram-do-governo-de-sp-dados-sobre-poluicao-da-guarapiranga.shtml.

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    Trecho com algas na represa de Guarapiranga, em São Paulo - Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress · Moacyr Lopes Junior - 23.jul.11/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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